Google + seu dominio = esquema profiça de email

Hoje em dia, ter um domínio próprio é tarefa simples e barata. Inclusive no Brasil, desde que a Fapesp começou a permitir registro de domínios com CPF. Achar bons servidores de hosting também é bastante simples. No meu caso, uso e aconselho fortemente o Webfaction. Mas a lista de opções é grande.

Problema mesmo é a questão do email. As ferramentas oferecidas para este fim por estes servidores de hosting em geral são bem  limitadas, tanto em termos de interface quanto em termos de sistemas de anti-spam. Não tem jeito, o Google nos deixou muito mal acostumados com o GMail e suas incríveis funcionalidades.

Mas, espertos dos jeito que são, criaram uma solução à altura e com uma opção gratuíta: Google Apps (a não confundir com Google Apps Engine). A idéia é simples: vc pode criar uma conta para o seu domínio, e dentro dela, criar várias contas de email, acesso ao calendar, gtalk  e documents compartilhado para os membros do domínio. A opção gratuíta oferece uma conta de 6GB para cada usuário, e a paga, 25GB. As funcionalidades são exatamente as mesmas daquelas oferecida pelo Google Documents, Google Calendar e GMail.

Para fazer a configuração completa, é preciso mexer em configurações avançadas do DNS do seu servidor, como os MX Records e CNAME. Isso permite redirecionar todo o fluxo de emails para o Google e permite criar URLs personalizadas, como por exemplo mail.meudominio.com. O lado ruim é que é necessário ter um sistema de hosting que permita mexer nestes parâmetros.

Resumindo: Google Apps é uma solução de altíssima qualidade e baixíssimo custo para oferecer um sistema de email para seu blog, grupo ou empresa.

E agora Android?

Eu estava quase passando despercebido por uma notícia da semana retrasada. Parecia até uma notícia não muito relevante, mas pensando bem, achei que valia a pena comentar, já que este foi um assunto já discutido antes aqui neste blog.

Fiquei sabendo pelo blog do Doug Schaefer, principal mantenedor do CDT, que a Nokia tinha adquirido controle total sobre a Symbian. Em princípio a notícia não é muito impactante porque a Nokia já era uma das principais acionistas da Symbian. E era obvio que a Nokia tinha interesse direto no Symbian, que é um dos sistemas operacionais muito usados em SmartPhones. So far, so good.

Mas, como está no anúncio da Nokia, o propósito não é apenas controlar a Symbian. O objetivo final é abrir o código-fonte do Symbian OS sob licença EPL (Eclipse Public License), criando a Symbian Foundation. Com isto, a Nokia, que é a maior fabricante de celulares e de plataformas móveis atualmente, faz frente ao anúncio do Android feito pelo Google e da Open Handset Alliance o ano passado.

O mais interessante, no entanto, é observar o que vai acontecer daqui para a frente. O Android, até onde eu sei, é apenas a descrição de um padrão. Ele pode ter várias implementações. E apesar de a Nokia não fazer parte da Open Handset Alliance, muitas das outras empresas que junto com ela estão promovendo a abertura do código do Symbian fazem. Para a Nokia, como detentora do posto de líder de mercado, o importante era fazer um movimento dizendo que ela não está a revelia dos últimos acontecimentos em relação à criação de padrões abertos no mercado de celulares. Resta saber o que ela e seus parceiros no Symbian OS vao querer fazer com o Symbian OS de código-aberto: continuar com ele  sendo algo separado do Android ou torná-lo um sistema compatível com o padrão da Open Handset Alliance.

Software Livre e inovação

Tem uma coisa que o Raphael vira e mexe fala que me dá arrepios: “FOSS não funciona como estímulo para a inovação”. A última vez que eu me lembro que ele falou isso foi aqui. E pelo jeito não sou o único que tem estes arrepios como se pode ver pelo comentário do Carlos Costa neste mesmo post do Raphael.

E eu não sinto arrepios porque sou um defensor inveterado do software livre. Na verdade eu acho que existem coisas boas tanto do lado do software livre como do lado do software proprietário e acho que tem espaço para todo mundo. Sinto arrepios porque realmente acho que software livre tem muita inovação de verdade. O problema é que eu ainda não consegui achar um contra-exemplo cabal para você, Raphael. Pelo menos não para o sentido de inovação que eu acho que você quer dar à sua frase. :)

De certa forma eu concordo parcialmente que os conceitos implementados em software livre já foram testados no mercado. Isso é verdade muitas vezes. Mas eu acho que este ponto de vista é limitado. No fundo eu acho que os conceitos implementados em software livres são maduros o suficiente, tendo sido ou não implementados pelo mercado. Isto porque quando você se envolve em uma comunidade de pessoas, em geral a tendência é aceitar apenas coisas que já estejam maduras o suficiente e que portanto, irão muito provavelmente gerar código de qualidade.

Não me entendam mal: não acho que software livre não tenha inovação por completo. Se olharmos de perto o GCC, ou o Eclipse ou vários outros projetos open source veremos que eles tem sim uma grande dose de inovação. Mas eu diria que, na visão macro, eles são mais inovadores na forma de fazerem coisas que já existem do que na forma de criarem coisas novas. O que não impede, é claro, que muitos testes e invenções estejam sendo feitas na visão micro destes softwares. Eu diria que eles são mais parecidos com o que a Apple anda fazendo nos últimos anos(copiando conceitos já existentes e dando uma roupagem diferente a eles, inventando uma coisinha aqui e outra ali) do que com o que a Intel ou a IBM fazem no campo de processadores por exemplo (efetivamente pesquisando novas tecnologias e tentando aplicá-las no mundo real).

Aonde eu quero chegar com isso? Para mim o principal problema na frase do Raphael é o mal uso da palavra inovação.

O que é inovação? Quando eu vejo alguma coisa como “FOSS não funciona como estímulo à inovação” eu interpreto mais como “FOSS não funciona como estímulo para a invenção”. Até pouco tempo atrás eu achava muito sútil e muitas vezes inexistente a diferença entre invenção e inovação. Mas a cada dia eu venho me atentando mais para a diferença entre estas palavras. Invenção é realmente inventar coisas novas, fazer algo que nunca foi feito antes. Inovar não é necessariamente inventar: inovar é muitas vezes pegar algo que já existe e, com uma roupagem nova, criar algo que tenha um apelo ou uma utilidade ainda maior do que aquilo que existia antes. Ainda que eu não goste muito da frase, como diria Jean Paul Jacob, “Inovação é o enlace entre invenção e a visão do valor desta invenção”. É exatamente isto que a Apple anda fazendo muito bem nos últimos anos: efetivamente não inventando nada de novo, mas habilmente dando um novo valor e uma nova visão a produtos que já existiam.

Sob esta ótica eu acho que software livre é extremamente inovador. Inovador no modelo de desenvolvimento. Inovador nas idéias implementadas. E, algumas vezes, inovador ao inventar novas coisas e novos conceitos também. Como eu disse antes, ainda não achei um exemplo cabal de um produto completo de software livre que seja totalmente novo (e talvez aí esteja a falha na minha argumentação contra a frase do Raphael… alguém pode me ajudar?). E acho até que isto é apenas um reflexo da economia de mercado: se você inventou algo que acha bom, porque não ganhar dinheiro com isso? Software livre é muito usado em partes já comoditizadas de sistemas (o que não exclui inovação) e a parte de maior valor agregado tende a ser proprietária justamente para gerar mais lucro. Mesmo assim eu poderia citar diversas funcionalidades que foram implementadas antes em software livre (algumas até mesmo no projeto em que eu trabalho) e que nunca tinham sido feitas antes por nenhum outro software. Quer um exemplo? Suporte em sistema operacional, compiladores e debuggers a plataformas híbridas: processadores que possuem núcleos de diferenças arquiteturas no mesmo chip. Isso é totalmente novo. E apareceu primeiro em plataformas de código aberto. Se isto não é inovação, o que é então?

People, not process

Não é a primeira vez que recorro ao cinema para passar a mensagem.

“I never think about the audience. If someone gives me a marketing report, I throw it away.”

Andrew Stanton, criador de Wall-E

ICANN libera criação de domínios de topo

A ICANN (Internet Corporatoin for Assigned Names and Numbers) deciciu recentemente levar a cabo uma idéia que vinha sendo estudada e maturada desde o fim da década passada: liberar o registro de domínios de topo na Internet.

Para quem não conhece, a ICANN, junto com a IANA (Internet Assigned Numbers Authority), são as entidades mundiais responsáveis por definir as regras de distribuição de números IP e registro de nomes na Internet. São eles por exemplo que definem que os endereços registrados no Brasil devem terminar em .br ou que endereços registrados  nos EUA podem terminar apenas em .com ou .edu sem ter um .us depois. Ou seja, eles são responsáveis pelo controle da última parte dos nomes de domínios da Internet: aquilo que vem depois do último ponto.

Esta última parte do domínio é conhecia como gTLD (generic top-level domain). Hoje existem relativamente poucos gTLDs oficialmente suportados. Com a proposta que eles aprovaram virtualmente qualquer pessoa ou empresa poderá registrar seu próprio gTLD. Por exemplo a IBM poderá registrar o .ibm. e assim seu site principal poderá responder apenas por “ibm” ou invés de “ibm.com” como é hoje. Se eu fosse uma pessoa muito egocêntrica (e rica) eu poderia registrar o .laggarcia e mudar meus esparsos posts neste blog para blog.laggarcia.

É claro que o registro não vai ser um processo fácil nem barato. Vi estimativas na Internet variando de US$ 50K a US$ 400K. Além disso eles impuseram uma série de regras para que não seja criado um mercado de gTLDs: ou seja, qualquer um registra o gTLD .ibm e depois tenta fazer a IBM pagar uma bagatela para ceder a ela o direito de uso deste gTLD.

Outra decisão interessante que eles tomaram foi liberar endereços com caracteres em chinês, árabe e outras línguas que não usam um alfabeto latino. Mas acho que isso pouco deve afetar a maior parte dos brasileiros que acessam a Internet…

Todas estas mudanças devem gerar, é claro, um grande impacto na escalabilidade do sistema. Todos as buscas por gTLDs na Internet toda são processados por não mais que duas dezenas de servidores. Não sou um especialista em redes, mas imagino que estas buscas não são tão constantes hoje em dia porque estes valores são bem fixos, mas tornando a coisa mais flexível o sistema também sofrerá uma sobrecarga muito provavelmente. Ai está outro ponto interessante: parece que eles também querem que haja competição entre as empresas que fornecem este tipo de serviço de resolução de gTLDs.

Minha primeira impressão disso tudo foi: que bagunça! Mas, pensando melhor, até que eu acho que a idéia não é tão ruim no sentido que ela vai ampliar o alcance da Internet, já que os endereços passarão a ser, em alguns casos, mais naturais para pessoas não sistemáticas como em geral computeiros são, além de estimular a competição entre os provedores deste tipo de serviço. Já com relação aos problemas técnicos, não saberia dizer quão complicado isso poderia ser, mas imagino que estas autoridades já devem ter pensado neste problema também (caso contrário o sistema de DNS entraria em colapso, o que seria sentido por todos que usam a Internet).

Flash entrando na onda de SEO

Adobe anuncia que Google e Yahoo irão começar a indexar conteúdo de páginas com Flash. Isto porque a empresa forneceu uma versão especial do Flash Player que permite que os buscadores indexem todo o conteúdo de um arquivo SWF. Segundo o blog do Ryan Stewart, evangelizador da Adobe,

“We are giving a special, search-engine optimized Flash Player to Yahoo and Google which is going to help them crawl through every bit of your SWF file”.

É interessante notar que inicialmente, o indexador do Google irá apenas analisar textos e URLs contidas no arquivo. Imagens e vídeos ficam de fora:

How does Google “see” the contents of a Flash file?
We’ve developed an algorithm that explores Flash files in the same way that a person would, by clicking buttons, entering input, and so on. Our algorithm remembers all of the text that it encounters along the way, and that content is then available to be indexed. We can’t tell you all of the proprietary details, but we can tell you that the algorithm’s effectiveness was improved by utilizing Adobe’s new Searchable SWF library.

Mais informações podem ser encontradas no blog para Webmasters do Google.

Cryptology ePrint Archive

Complementando um post do Alexandre sobre OpenSouce na Ciência tem um outro site muito interessante que disponibiliza artigos sobre criptografia que ainda não foram eventualmente aceitos em nenhum congresso: o Cryptology ePrint Archive.

A idéia é parecida com a que foi citada pelo Alexandre: hoje pode ser muito difícil ter acesso ao conhecimento científico publicado em revistas e congressos. Além disso em alguns campos do conhecimento como é o caso da criptografia existe um outro agravante: é necessário publicar idéias o mais rápido possível para evitar que outros a patenteiem antes. E, para completar, o site ainda funciona como um crivo não-oficial para idéias novas, isto porque não existem muitos requisitos para publicar no site: ou seja, se você tem uma idéia mas não sabe se ela é boa o suficiente você pode publicá-la (correndo é claro o risco de compartilhar sua idéia com outros antes de ela estar completa) e ver o retorno que a comunidade dá em relação a ela. Se for bom, com o tempo esta idéia pode amadurecer e virar um artigo em um congresso internacional.

O interessante é ver que na área de criptografia muitas coisas interessantes são publicadas no ePrint. Tem inclusive cientistas bons que estão defendendo abertamente a idéia de se publicar o conhecimento sem restrições sempre, como é o caso de Daniel Bernstein.

Já ouvi falar que existem portais parecidos para artigos em Física, além dos já citados pelo Alexandre. Enfim, um movimento muito interessante, que de certa forma força os pesquisadores a se importar mais com a qualidade e menos com a quantidade, já que seu artigo é “mais público” neste tipo de site. Algo que vai um pouco contra a “ditadura” de números que regem muitos institutos de pesquisa no mundo atualmente, onde é melhor quem publica mais e não necessariamente quem obtém melhores resultados.

P.S.: Editor-chefe, eu disse que eu postava algo este mês ainda! :)

Alguns meses depois

Dizem por aí que  uma boa premissa para se criar um produto novo é partir de uma necessidade pessoal. Eu já devo ter mencionado isso em algum lugar neste blog. No caso do Job4Dev, foi assim. Na verdade, mais do que uma  necessidade, o Job4Dev teve como ponto de partida uma frustração: os sites de empregos brasileiros de empregos voltado para o mundo TI eram um amontoado de mais do mesmo.

O exercício é simples: entre nos 3 principais sites de empregos, e conte a porcentagem de vagas oferecidas por consultorias de TI, na maioria sem nome, sem projetos definido, sem plano de carreira, sem grandes desafios, cujo único objetivo é fazer outsourcing de recursos de programação. São a grande maioria.

Nada contra este tipo de trabalho. Existe a demanda, e existe gente que se interessa em desenvolver. Ótimo. O problema é que quando olhava estes sites, tinha a nítida impressão de que o mercado brasileiro se resumia a isso. E olhando à minha volta, percebia que meus colegas e outros profissionais bons em geral não passavam nem perto destes  sites, preferindo usar listas de emails, contatos pessoais e o bom e velho networking.

Job4Dev foi desenvolvido tendo como objetivo de oferecer alternativas, captando vagas de várias fontes, filtrando o material e disponibilizando apenas aquilo que julgamos interessante.

E devo confessar que, depois de alguns meses no ar, o retorno e o resultado me surpreendeu. O site ainda tem muito a crescer, mas temos conseguido um fluxo regular de vagas, feedbacks muito bons de usuários e empresas. Isso me confirma uma coisa: o mercado brasileiro talves esteja longe do ideal, mas existem sim boas opções de empresas que procuram profissionais diferenciados, que desenvolvem projetos interessantes. E estas empresas estão carentes de espaços adequados de divulgação.

It’s the people, stupid

Agora que eu estou morando bem longe do eixo São Paulo-Campinas, acho que posso ficar mais à vontade para ser um pouco mais incisivo nos meus comentários. Mesmo que as besteiras que eu fale aqui acabem sendo muito in your face e irritem demais algum dos meus 4 leitores a ponto de deixá-los com vontade de partir pra porrada, me sinto mais seguro.

Por quê? Primeiro, as 9 horas de vôo vão fazer com que o sujeito esfrie um pouco a cabeça. Segundo, ao chegar aqui o sujeito provavelmente vai querer aproveitar pra passar numa loja de eletrônicos e comprar um iPhone 3G baratinho, baratinho. Terceiro e mais importante: nerd bravinho e partindo pra briga é a coisa mais ridícula do mundo, and I can take you all.

Mas vamos deixar de papo-furado e partir pra primeira de uma série de agressões verbais não-solicitadas: a culpa é sua se o Brasil é um lugar tão difícil para fazer novos negócios, imbecil.

É isso que eu estava pensando quando eu vi o post no Pythonologia, sobre a falta de inovação na web do Brasil. Não, a culpa não é do Osvaldo, longe disso. É sua mesmo, leitor, que está sentado no seu cubículo, reclamando da falta de oportunidades e do tanto que a empresa faz você trabalhar para garantir o seu salário “suado” do mês.

Armchair entrepreneur, é isso que você é. Bundão.

Sim, o governo é irresponsável e gasta erradamente as toneladas de recursos que arrecada através dos impostos. Sim, há muita burocracia. Sim, há pouco incentivo para querer trabalhar duro em um negócio próprio num país em que impera a Lei de Gérson. Sim, os custos de infra-estrutura no Brasil são absurdos. Sim, o ensino (básico e superior) no Brasil é uma lástima.

Mas vou te contar uma coisinha: nada disso importa mais, para quem não tem medo de arregaçar as mangas e mostrar sua capacidade para trabalhar e produzir riquezas. Pior de tudo; não é a primeira vez que eu digo isso.

Todas os problemas citados pelo Osvaldo existem realmente, mas podem muito bem ser evitados ou postergados. Na “web 2.0″, podemos deixar a papelada de abertura da empresa pra depois que você tiver um fluxo de caixa significativo. Podemos contratar um datacenter no exterior (é o que nós fizemos)  e fugir dos planos ridículos aqui oferecidos.

Dependendo da idade e da situação da pessoa que quer trabalhar em um projeto novo, podemos até reduzir nosso custo de vida para não precisar tirar dinheiro do próprio bolso durante a fase embrionária do projeto. Bastaria chegar para seus pais e falar: “Pai, Mãe, posso pegar o meu quarto de volta e morar com vocês enquanto o projeto que estou desenvolvendo não gera renda?”. Na verdade, já que fazemos parte da geração-canguru, há uma boa chance que você já esteja morando com os velhos mesmo, não é?

Sabe qual é a única coisa que não podemos contornar, o único recurso que nos falta? Pessoas dispostas a correr riscos. Pessoas que entendem que perder algumas batalhas é do jogo. Pessoas que fazem os sacrifícios necessários para alcançar um objetivo maior.

E como você não é esse tipo de pessoa que faz tanta falta no Brasil, podemos concluir que você é parte do problema e não da solução, malandro.

Ah, nem pense em dar a desculpa do “eu tenho família e filhos para sustentar, não posso correr riscos”. Toda pessoa que trabalha com investimento sabe que a exposição ao risco é algo calculado. Nem pense em dar essa desculpa patética, enquanto você fica medindo com seus amigos o quanto de retorno você está tendo na sua carteira de ações.

Mesmo quem não pode largar o seu emprego e montar a sua própria empresa pode assumir uma postura que promova o empreendedorismo e a inovação. Você não precisa largar o seu emprego para financiar um projeto Open Source, ou para se tornar um Angel Investor. Ou para juntar-se com um grupo de outros colegas da sua empresa e investir dinheiro em pessoas mais novas que tenham projetos ousados. Risco e recompensa são sempre proporcionais; você pode pensar em diminuir um pouco a sua quantidade de papéis da Petrobrás (que não precisa do seu dinheiro, anyway) e passe a investir em algo muito mais arriscado: startups. Quem sabe você não está diante do próximo Google?

Não quer colocar dinheiro? Torne-se mentor de um garoto na faculdade onde você estudou. Compartilhe com ele a sua experiência, a sua visão do mercado, a sua opinião a respeito das mudanças na sociedade que a tecnologia traz, etc. Em um mundo onde o custo operacional é nulo, essa ação pode ser ainda mais valiosa do que hard cash.

Pra encerrar, deixo as palavras do grande filósofo Ben Parker: “com grande poder, vem grande responsabilidade”. Qualquer pessoa que tenha conhecimento e técnica em mãos tem grande poder. Esse é o nosso caso. Cabe a nós, agora, saber usar esse poder de forma correta e responsável.

De volta.

Aos que estão morrendo de saudades das bobagens escrivinhadas por mim, peço paciência. Estou apenas no meio do processo de minha mudança para a Terra do Tio Sam. Já vim, Já vi, mas ainda não fiz a parte mais importante: arrumar o meu ambiente de desenvolvimento e trabalho no meu computador novo.

Vamos dar uma espiadinha?

A frase do título foi imortalizada por Pedro Bial no horroroso Big Brother Brasil (que, confesso, assisti assiduamente nos primeiros anos).

Fato é que o ser humano é curioso, voyeur por natureza. O ser computeiro mais ainda. E a dúvida que bate na cabeça de muitos de nós é “Quanto ganha um engenheiro de SW numa empresa top como Google, Apple ou Microsoft?”

Bem, o site GlassDoor.com tem como proposta amenizar esta dúvida cruel, trazendo informações de funcionários anônimos das próprias empresas como salários por posição, opiniões sobre CEOs e nível de satisfação. Fico só imaginando o funcionário chegando no site, com sua voz de pato e a cara quadriculada… :-)

Ja é possível dar uma espiadinha em empresas como Google, M$ e Yahoo.

O porquê de querer um blog escrito em Português

N.A: Esse texto já tinha sido escrito para a página de traduções. Mas acho que o raciocínio ficou muito grande e além do escopo para aquela seção. Por isso estou publicando como um post regular.

É verdade que a língua dominante na Internet é o Inglês. Isso não se dá só pelo domínio cultural norte-americano, mas também por uma necessidade que surgiu com a globalização e com o avanço de tecnologia de telecomunicações: pessoas de pontos extremos do mundo precisam de uma linguagem comum se quiserem se comunicar e colaborar de forma eficiente. Alemães, indianos, chilenos, russos… não importando o idioma local, o inglês é necessário.

Mas isso não significa, entretanto, que é razoável abandonar a nossa língua-materna e passar a usar um idioma estrangeiro como forma exclusiva de produção de conteúdo. Nem por nacionalismo irracional e cego, como o dos franceses que não aceitam termos estrangeiros, mas por uma questão mais básica: a Ciência mostra que nossa capacidade de expressão está ligada ao domínio da linguagem que usamos para transmitir nossas idéias, sentimentos e conceitos abstratos; ao usarmos uma língua que não temos pleno domínio, a nossa capacidade de comunicação e expressão fica prejudicada. Tente imaginar um esquimó tendo que explicar a um morador do sertão nordestino as diferenças entre os (mais de 30) tipos de neve, usando inglês. Difícil, né?

É verdade que o propósito de blogs e microblogs é o de dar voz-própria para cada indivíduo, sem que dependam de canais previamente estabelecidos que atuem como editores do conteúdo produzido. Também é verdade que o fluxo aparentemente caótico de informação que corre nos blogs podem produzir ferramentas interessantes. Por exemplo, podemos analisar a massa de blogs de muitos usuários da internet que escrevem sobre as suas impressões sobre os produtos ou serviços que são lançados, para ter um feedback coletivo e usar como um termômetro para medir a repercussão e aceitação de uma campanha de marketing.

Sendo assim, falar em “formas adequadas para se escrever” parece uma coisa antiga, retrógrada. Na maior parte do tempo, atuamos mais como filtros e repetidores de sinal do que produtores de novas unidades de informação. Mas, se atuamos como filtros, é porque há muito ruído no rio de informação que passa por nós todos os dias. E se há muito ruído, poderíamos muito bem fazer um pouco de auto-análise e vermos se nossa atuação é sinal (conteúdo que dá novas informações, claro, preciso, eficaz) ou se é ruído (repetição, inócuo, redundante, que apenas toma tempo do receptor).

O idioma escolhido acaba sendo parte dessa auto-análise. Os blogueiros brasileiros que buscam acabam escrevendo em Inglês podem muito bem perguntar: “Será que aquilo que eu quero falar é relevante para essas pessoas que já fazem parte da conversa global, ou estou apenas usando um idioma com maior número de receptores para ter a sensação de que terei maior alcance?”

Ao passar por essa auto-análise, podemos muito bem perceber que a maior parte do conteúdo não teria razão para ser escrito em inglês. Muito do que discutimos ou apresentamos no blog são informações que já são conhecidas, ou podem ser facilmente encontradas, entre pessoas que trabalham com tecnologia e falam em inglês. E querer ficar falando ou escrevendo para quem já tem meios de ouvir a informação da fonte original é uma ação, no fundo, vaidosa e sem propósito. É apenas uma forma moderna e high-tech de querer ouvir a si mesmo. O produtor do conteúdo não se beneficia (além da auto-massagem no ego) e os consumidores potenciais não se beneficiam, pois já possuem a informação - de melhor qualidade - em outro lugar.

É por conta de tudo isso que fazemos questão de escrever em Português. Há muita gente por aí que até gostaria de buscar formação e informação para trabalhar com tecnologia mas que esbarra no problema de falta de material que não seja em inglês. Espero que, ao fornecer um pilar de material na língua nativa, o caminho para essa formação seja mais fácil e menos desencorajador.

UpGuppy

Se eu quisesse transformar as minhas asneiras em meu ganha-pão, e dependesse do grande salário e extensos benefícios oferecidos pelo editor-chefe, eu teria morrido de inanição antes que eu conseguisse logar no Wordpress e apertar Write Post. Então, entre uma asneira que escrevo e uma resposta impensada que dou para “the-one-who-can’t-be-named”, eu sou obrigado a, tipassim, trabalhar um pouco e garantir a canjica-com-Guaraná-Dolly nossa de cada dia.

Aqueles que estão mais próximos de mim (i.e, aqueles que têm o meu handle do Gtalk) sabem que, quando eu deixei o cubículo no qual trabalhava, eu tinha como objetivo levar adiante um projeto meu: criar um produto que pudesse ter seu valor quantificado, buscar investidores, fazer a idéia crescer, aumentar a base de consumidores, passar meses a fio vivendo debaixo da mesa do computador comendo apenas pizzas amanhecidas e tomando coca-cola sem gás… enfim, fazer todas essas atividades associadas a um ser esquisito chamado empreendedor. Esse era meu trabalho até o fim do ano passado.

Mas, por razões que serão exploradas em momento mais oportuno, esse trabalho acabou sendo substituído por outro. Graças ao conhecimento acumulado e produzido durante a minha fase empreendedor-romântico, pude aceitar um trabalho como consultor em uma startup americana que já tinha uma versão do seu produto, mas precisava de outras pessoas que tivessem conhecimento em web.py e tivessem um bom conhecimento de todos os elementos de uma stack LLPP (Linux, Lighttpd, Python e PostgreSQL). Flexível e ansioso para receber em dólares que sou, aceitei a proposta.

Essa empresa é a UpGuppy. A idéia do site é simples e direta: permitir que as pessoas possam dar sua opinião e recomendação através da criação de listas (rankings) sobre assuntos diversos. Melhores livros, piores novelas mexicanas, cervejas, baladas para curtir em Boston depois das 3 da manhã, academias de ginásticas… qualquer coisa que possa ser listada pode virar um ranking. O propósito final do sistema é permitir que as pessoas possam obter recomendações a partir das listas de diversos usuários. Caso de uso: uma pessoa gostaria de saber os pontos turísticos mais interessantes em Nova Iorque, para passear com os seus pais que a estão visitando. Essa pessoa pode ter recomendações interessantes procurando no site por rankings sobre os pontos turísticos da Big Apple, e filtrar para visualizar apenas os rankings feitos por pessoas de mais de 50 anos.

Esse é o ideal do serviço que será oferecido. Mas o pessoal ainda está no começo, e o pessoal de lá andou fazendo tanta modificação nos requisitos e de posicionamento de produto, que boa parte do código anterior acabou sendo descartado. Então, o que estou fazendo por lá tem sido um trabalho de ver o que ainda pode ser aproveitado, desenvolver os componentes que faltam, atualizar o design, melhorar a parte de front-end e quetais. A parte mais significante do meu trabalho tem sido fazer aplicativo UpGuppy para o Facebook, que está sendo lançado agora.  Obviamente, você precisa ser usuário do Facebook para ter acesso à aplicação e poder brincar com o site. Nem preciso dizer que o feedback dos usuários é muito bem-vindo e que essa é uma aplicação que ainda deve possuir alguns bugs (eu sei de pelo menos uma meia-dúzia, mas tenho vergonha de contar :) ) e que será constantemente melhorado e incrementado com as funcionalidades que estão sendo desenvolvidas para o site principal.

Para quem gastar tempo de uma forma divertida, é uma aplicação interessante. E para quem quer desenvolver aplicações para o Facebook, é um exemplo de todas as coisas que podem ser feitas usando a plataforma do Facebook. Espero que em posts futuros eu possa vir a apresentar alguns dos macetes que eu tive que aprender para essa integração.

Links für mich, für dich und alles zusammen clicken…

Perdoe pelo crime que eu cometi à língua de Göethe no título do post. Foi apenas a forma que eu encontrei para mostrar que eu atualizei um pouco a nossa seção de artigos traduzidos. Aproveitei também para expor um pouco do raciocínio e dos motivos que nos levam a querer produzir um site em português - ou algo parecido - num mundo que parece estar acostumado a só falar inglês - ou algo parecido.

Aproveitando o embalo, os assinantes do RSS já devem ter percebido que estão recebendo uma coleção de links diariamente. Cortesia do Feedburner, agora todos os links que forem enviados ao nosso usuário do del.icio.us são adicionados ao nosso feed de RSS. A gente aqui acha que é melhor te passar os ponteiros dos textos originais do que ficar pautando toda a blogosfera. E isso também serve como via de mão-dupla: se você tiver links interessantes que gostaria de divulgar, é só fazer a recomendação do link (adicionando a tag for:log4dev na hora de salvar) do delicious, que teremos grande prazer em ler e colocar no nosso rol.

E lá, o link pode ser em qualquer língua, capisce?

Gerenciamento pessoal

A idéia deste artigo é tentar capturar dicas, conselhos e experiências dos leitores deste blog, para benefício próprio - e quem sabe de outros que talvez tenham o mesmo problema.

Há pouco tive uma conversinha rápida com o Miguel no GTalk, acabamos falando de planos futuros, projetos pessoais, etc e tals. E ele estava descrevendo que estava bastante contente com a concretização de alguns projetos pessoais, como aprender Python, Job4Dev, SigaSeuTime, fotografia, entre outros. Neste instante, comentei que admirava a sua disciplina, pois apesar de ter alguns planos, não conseguia me dedicar à execução dos mesmos se não tivesse alguma obrigação embutida.

Para tornar mais claro, vou dar dois exemplos pessoais que ilustram bem este problema:

  1. Estava com o firme propósito de aprender Lisp para fazer desenvolvimento web (curiosidade pessoal gente, não atirem pedras, por favor). Comecei a estudar, brincar um pouco, e “puff”. O plano empacou. Não consegui me dedicar mais ao mesmo
  2. decidi que era o momento de aprender estatística - me inscrevi como aluno especial em uma matéria sobre o tema na Esalq, e voilá … estou aprendendo.

Outro problema que sinto também, é balancear vida pessoal com estes objetivos de “desenvolvimento técnico-profissional“. Apesar de gostar muito do que faço, dificilmente troco uma cerveja com os amigos por algumas horas de programação em Lisp; ou então um treino/jogo de handebol pela leitura do artigo sobre MapReduce.

Exposto o problema, fica aqui o pedido de socorro aos leitores:

  • O que vocês fazem para desenvolver a disciplina necessária para execução de projetos pessoais de “desenvolvimento técnico-profissional“?
  • Como vocês fazem para determinar o equilíbrio entre as vidas pessoal e profissional?

Sintam-se à vontade de contribuir. Espero podermos reunir um bom material, e depois escrever um outro artigo a respeito (se não rolar nenhum churrasco no dia :-D)

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