sFTP e SCP no Mac

O Mac tem uma longa tradição de interfaces gráficas de alto nível. Mas como bom hacker e amante de Linux para trabalho, eu gosto muito de usar o Terminal para executar comandos como SSH, sFTP ou SCP. Apesar disso, confesso que as vezes um programa gráfico torna as coisas mais confortáveis.  O Fugu (http://rsug.itd.umich.edu/software/fugu/) é um ótimo frontend para estas aplicações. Existem versões compatíveis com Mac OS 10.2 até Mac OS 10.4

WebFaction

Sugestão para pessoas a procura de um bom servidor para hosting de aplicações web e sites: WebFaction.

Motivos? Vejamos:

  1. Suporte total a Python e Ruby.
  2. Acesso via SSH liberado.
  3. Shell com recursos UNIX liberado.
  4. Painel de controle extremamente eficiente, que permite criar aplicações web de forma muito fácil: defina uma porta local onde a aplicação estará escutando e defina uma URL para redirecionamento (subdomínio ou subdiretório). Pronto, sua aplicação está no ar! O painel oferece uma lista bem grande de pacotes conhecidos (Turbogears, Django, Rails, Wordpress, mod_python e CGI entre outros), e permite definir aplicativos próprios (custom).
  5. Velocidade de acesso e qualidade de link excelentes.
  6. Excelente taxa de transferência e espaço em disco.
  7. Suporte e documentação bem eficientes.
  8. Preços bem acessíveis (a partir de $7.5 por mês)
  9. Definição clara da quantidade de RAM permitida para cada pacote. Isso é algo que eu não vi até agora em nenhum outro provedor nesta faixa de preços! No plano que eu contratei por exemplo (shared 3) eu tenho direito a rodar processos que consomem até 120MB !!!! Além de ser uma quantidade excelente para executar qualquer site normal ou aplicação web média (blog, CRM, etc..), o sistema define bem as regras do jogo.

Tentei achar um décimo ítem para poder chamar este artigo de “10 coisas que eu gosto no Webfaction”, mas acho que estes 9 são amplamente suficientes para justificar a minha sugestão.

Joost

Há alguns dias recebi meu acesso ao Joost. Para quem ainda não ouviu falar, esta é a nova tacada de Niklas Zennstrøm and Janus Friis, os carinhas que criaram o KaZaA e o Skype. E assim como o KaZaA balançou a indústria fonográfica, e o Skype agitou a indústria de telefonia, a impressão que tenho é que o Joost vai mexer com a indústria de televisão.

O Joost é uma nova forma de ver televisão, através da Internet. Assim como a televisão convencional, possui diversos canais, com diferentes tipos de programas, comerciais, boa qualidade de imagem em full-screen … tudo aquilo que a gente já gosta na televisão. E como isso vai abalar a indústria televisiva. Bom, vamos por partes:

1. No Joost, os canais podem ser vistos como fontes de conteúdo - diferente da TV, se você quiser assistir a um programa você não precisa estar à frente do aparelho na hora que a emissora vai transmitir o programa. Basta ligar o computador, entrar no canal desejado, selecionar o programa e começar a assistir … muito mais cômodo;

2. Os custos para divulgar programas pela internet são muito menores do que manter uma estrutura de emissoras, além de possuir um alcance muito maior. Isto certamente resultará na criação de várias empresas produtoras de conteúdo, que veicularão seus programas para o mundo todo, através da internet, aumentando o leque de opções dos telespectadores;

3. A propaganda nesta nova mídia poderá ser muito mais barata e efetiva, permitindo que pequenos estabelecimentos possam divulgar propaganda para telespectadores de seu bairro, cidade, região. Além disto, através dos programas visualizados pelo telespectador, pode-se traçar um perfil mais exato deste, fazendo com que o anunciante atinja mais diretamente seu público alvo, e poupando-nos de ver uma porção de comerciais que não nos interessam nem um pouco;

4. A integração da TV com a internet permite a integração desta mídia com ferramentas como chats, IMs, buscas … isso potencializa a experiência de se assisitir televisão. Os fãs de um programa vão poder fazer comentários, interagir com outros fãs e procurar informações sobre o programa enquanto o assistem.

Estas são as vantagens que vejo mais claras nesta renovação desse tipo de mídia. E se esta inovação utilizar o modelo difundido pela Google de oferecer seu serviço de graça aos usuários, e focar na cobrança dos anúncios de propaganda, certamente sua difusão será bastante grande, e sua chance de sucesso será maior.

Sobre a ferramenta em si, aparentemente foi muito bem implementada. Em casa possuo uma conexão de 2Mbps, e consigo assistir à maior parte dos programas sem qualquer problema. Vez por outra, um programa é interrompido no meio, e tenho que voltar do começo. É certo que os programas mais longos que assisti foram de 15 minutos, então não sei como seria assistir um filme inteiro nessa ferramenta. Há uma boa variedade de canais, para os mais diferentes gostos - canal de futebol, Ministry of Sound, alguns canais da MTV, canais de ficção científica, desenho animado, documentários … e segundo o blog deles, eles irão começar a exibir conteúdos da Sony, NHL, entre outros… e ele ainda está na versão Beta.

Vale a pena conhecer … se os caras já acertaram com o KaZaA e o Skype, por que não dessa vez?

Powered by ScribeFire.

Modelo de segurança do laptop de $100

Confesso que não acreditei muito no projeto, quando a idéia foi lançada pelo Negroponte há alguns anos atrás.

Mas vendo  o site do XO (nome dado ao computador) e o wiki, percebi que o produto final é bastante interessante. Ele contém um pacote de programas bem completo (processador de textos, RSS, leitor de emails, chat, VoIP, shell, ambiente gráfico e de áudio, debugger),  é todo voltado para funcionamento em rede e usa Python, Javascript e Smalltalk como linguagens de base.

Mas um outro ponto que chama bastante atenção é o modelo de segurança adotado. Cada programa roda em uma máquina virtual separada, com um conjunto de permissões delimitadas.  Um exemplo é o fato que um programa de visualização de imagens não pode acessar a internet, impedindo que arquivos maliciosos executem ações de rede que possam trazer problemas. Além disso, programas maliciosos tem acesso limitado ao hardware. Assim, o funcionamento padrão do sistema impede  qualquer ataque de vírus ou spyware. Um software somente pode requisitar um conjunto diferente de permissões durante a instalação caso ele seja certificado por uma autoridade certificada, ou modificado manualmente pelo usuário. Tendo em vista que o público alvo são crianças que tem pouco ou nenhum conhecimento sobre computação, isto dificilmente vai acontecer.

VNC

Por Ricardo Capitanio

Uma bela manhã de sol de Janeiro, ligo o monitor do meu servidorzinho (um Pentium III 500MHz rodando Windows 2003 Server) e de repente: poof, já era. Há três anos estava dando sinais de que, mais cedo ou mais tarde, isso iria acontecer. Eis que fiquei com o servidorzinho sem monitor.

Qual era a melhor solução, sendo que não queria comprar um outro monitor? Instalar um linux? Compartilhar o monitor? Não. A solução se chama VNC (Valeu Lazarini!).

VNC, do inglês Virtual Network Computing, é um software que permite a interação e visualização remota de um computador (server), usando um simples programa (viewer) em outro computador através da rede (Internet/Intranet). Vale ressaltar que os sistemas operacionais podem ser dos mais variados (Linux, Mac OS, Windows, etc).

“Ah não mais isso é muito complicado, instalação dificil, cheia de configurações. Sou usuário Windows e não que me estressar com arquivos de configuração, portas, senhas, protocolos.” Dificil nada! Com o realVNC (www.realVNC.com) é possível instalar sem traumas e com poucos cliques (Windows style: next next next next) tanto o aplicativo servidor como o aplicativo cliente. O cliente é até dispensável pois é possível acessar o seu micro tranquilamente pelo seu navegador preferido, através de um applet Java que funciona muito bem via uma conexão http.

Licença? GPL.

Além de resolver o problema, o VNC ainda se mostrou como uma sendo uma boa forma de economizar energia e espaço sem mais um monitor pela casa.

[Ricardo Capitanio é Engenheiro de Computação formado pela UNICAMP. Atualmente está fazendo mestrado em Engenharia de Computação na Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da UNICAMP e é presidente da AIESEC Campinas]

Redes e o futuro da computação

Por Leonardo Garcia

Sou usuário da Internet desde os idos de 1995, se não me engano. Antes
disso, ainda, existiam também as BBSs (pequenas redes comunitárias que
conectavam poucos computadores através de linha telefônica). Naquela
época, a Internet ainda era incipiente no Brasil, bem pequena e estava
em testes para o público em geral. Mesmo assim, o mundo que se abria
lentamente através dos primeiros sites web (sim, naquela época a web
era minúscula e usávamos o Mosaic, o primeiro navegador, e, depois, o
Netscape 1.0 para acessá-la!), dos e-mails, dos newsgroups (que
acabaram praticamente desaparecendo com as listas de distribuição por
e-mail) e do Gopher (este, coitado, foi praticamente extinto pelo
web… nem sei se ainda existem sites Gopher…). Fui um usuário de
teste do primeiro provedor do interior de Minas Gerais, se não me
engano.

Nesta época, a minha velocidade de conexão eram incríveis 4800 bps,
isto porque eu tinha um computador com o modem comercial mais rápido
existente na época. Alias, não era simplesmente um modem. Era um
fax/modem, que também passava fax do computador a incrívies 9600 bps!
Hoje em dia os modems de linha discada também enviam e recebem faxes,
mas esta funcionalidade quase perdeu sentido numa era de e-mails com
vídeos e voz.

Não dava pra ver quase nada a esta velocidade, até porque a qualidade
da infra-estrutura de Internet era muito ruim no Brasil ainda. Pelo
menos esta era a percepção de usuário que eu tinha.

O tempo foi passando e as minhas velocidade de conexão foram
aumentado: 14400 bps, 33600 bps, 56 kbps… mas sempre através de
linha discada.

Depois disso passei a conviver com redes maiores. Na Unicamp, por
exemplo, eram comuns redes Ethernet ou de cabo coaxial (estas nem
existem mais praticamente…). As coaxiais, sinceramente, não sei qual
era a velocidade delas, mas acho que o máximo era 10 Mbps. As
Ethernets que eu usei tinham 10 Mbps ou 100 Mbps. Como a universidade
tinha um bom acesso aos troncos de infra-estrutura de Internet no
Brasil, a velocidade de conexão lá era muito boa. Algumas vezes, é
verdade, tínhamos problema de velocidade, mas quase sempre por
problemas de configuração da rede do que por problemas de banda
disponível.

Quando comecei a trabalhar, eram comuns links de 256 kbps em empresas
pequenas, seja por ADSL ou por microondas.

Hoje já estamos em um patamar acima deste: eu, por exemplo, uso acesso
à Internet através do cabo da TV à cabo e tenho conexões que podem
chegar a 2 Mbps na minha casa! Isso é cerca de 500 vezes mais rápido
que o meu primeiro acesso à Internet!

Em dez anos, um crescimento de 500 vezes é impressionante. Mas o
crescimento não pára por ai. Hoje, por exemplo, muitos lugares já
possuem redes internas de fibra-óptica, com velocidades de conexão
interna da rede muito superiores a 1 Gbps. As universidades
brasileiras já tem acesso à chamada Internet 2, uma versão paralela da
Internet que se comunica com a Internet “comum” só que através de
velocidades muito maiores que aquelas às quais os usuários comuns
estão acostumados.

Mas, para onde vamos daqui pra frente? Existe motivo para crescer mais
ainda a banda de conexão disponível?

Eu particularmente acho que sim. Se, hoje em dia, não conseguimos
imaginar aplicações para redes de 100 Gbps, por exemplo, é porque,
dentre outras coisas, não temos esta banda disponível. Tenho certeza
que assim que estas velocidades estiverem disponíveis serão criadas
aplicações para ocupá-las.

Neste sentido, temos um projeto muito interessante sendo desenvolvido
no Brasil: o projeto TIDIA, da Fapesp (Fundação de Amaparo à Pesquisa
do Estado de São Paulo, a maior fundação deste tipo no Brasil). O
projeto TIDIA se propõe a algumas coisas, dentre elas, criar
infra-estrutura de rede de computadores ultra-rápidas e aplicações que
façam uso desta infra-estrutura super poderosa para educação a
distância. Não sei como o projeto está hoje, mas lembro-me de ter lido
que uma das coisas a serem desenvolvidas neste projeto era uma placa
de rede óptica capaz de transmitir dados entre computadores a até 400
Gbps!!! Velocidade para ninguem botar defeito!

Saindo do laboratório e indo para a vida real, várias empresas já
estão lançando servidores que suportam as redes com arquitetura
InfiniBand. Não sei maiores detalhes a respeito desta rede, mas elas
podem chegar a 96 Gbps!

Viajando um pouco mais nesta idéia de redes ultra-rápidas, há algum
tempo atrás li um artigo sobre fotón-gêmeos. Fótons-gêmeos são
partículas físicas que possuem características muito especiais. Vou
tentar explicar a propriedade especial que estes fótons-gêmeos possuem
e que, na minha cabeça, poderiam produzir velocidades de transmissão
de dados praticamente infinitas.

Os físicos descobriram que, se você isolar um fóton (uma particula de
luz, como as geradas por uma lâmpada acesa), e conseguir fazer este
fóton atravessar um prisma com propriedades especiais, do outro lado
do prisma sairão dois fótons. O interessante, neste caso, é que estes
dois fótons foram originados de um único fóton original e, como tudo
na natureza, eles buscam o equilíbrio de forças entre si. Em outras
palavras, se você executa uma ação sobre um dos fótons (por exemplo,
colocando-o para girar no sentido horário), o outro fóton executará a
mesma ação no sentido contrário, sem que nada aja diretamente sobre
ele (no nosso exemplo, ele giraria no sentido anti-horário).
Obviamente isto é uma simplificação grotesca do que realmente
acontece, mas é suficiente para tentar explicar o que vem em seguida.
Imaginando que poderiamos, num computador servidor, produzir um fóton,
isolá-lo, passá-lo por um prisma para termos dois fótons-gêmeos e que
conseguíssemos “trancar” um destes fótons no servidor e enviar o outro
fóton-gêmeo através de fibra óptica a um outro computador cliente,
onde este outro fóton seria trancado também. Imaginando também que
poderíamos fazer isto não só com um fóton, mas com centenas de milhões
de fótons, podemos pensar que, para transmitirmos dados entre os
computadores, precisaríamos apenas alterar as propriedades dos fótons
no servidor e estas propriedades seriam modificadas instantaneamente
nos fótons-gêmeos do computador cliente. Ou seja, a velocidade de
transmissão de dados, neste caso, seria tão grande quanto fosse nossa
capacidade de ler as propriedades físicas dos fótons alteradas!

Na prática, isto poderia nos levar a redes de computadores com
velocidades extremamente grandes, não sei nem dizer de qual ordem de
grandeza.

Para finalizar, só tenho a dizer que o que eu vi até agora no
desenvolvimento das redes de computadores nos últimos anos e o que vem
sendo dito no mercado de tecnologia me deixa na espectativa e
empolgado com o que deve vir por ai no futuro próximo. Mas, apesar de
todo o avanço, sempre é bom lembrar do que Tanenbaum disse num dos
livros clássicos sobre redes de computadores: “Never underestimate the
bandwith of a station wagon full of [storage] hurtling down the
highway.”. Numa tradução livre, algo como “Nunca subestime a banda de
um vagão de trem cheio de fitas com dados em uma estrada.”. Isso era
verdade na década de 80 quando esta frase foi escrita provavelmente
pela primeira vez e continua sendo verdade até hoje, afinal, não são
só as infra-estruturas de rede que evoluem, mas também a tecnologia de
storage. Mas isso é uma conversa para outro artigo.

[NDA: Leonardo Garcia é Engenheiro de Computação, e foi meu colega de graduação na UNICAMP. Já trabalhou em diversos projetos relacionados a software livre (inclusive já tendo construído sua própria mini distro de linux :-) ) e em diversas empresas e atualmente está no Linux Technology Center da IBM ]