Archive for the 'Pesquisa' Category

Cryptology ePrint Archive

Complementando um post do Alexandre sobre OpenSouce na Ciência tem um outro site muito interessante que disponibiliza artigos sobre criptografia que ainda não foram eventualmente aceitos em nenhum congresso: o Cryptology ePrint Archive.

A idéia é parecida com a que foi citada pelo Alexandre: hoje pode ser muito difícil ter acesso ao conhecimento científico publicado em revistas e congressos. Além disso em alguns campos do conhecimento como é o caso da criptografia existe um outro agravante: é necessário publicar idéias o mais rápido possível para evitar que outros a patenteiem antes. E, para completar, o site ainda funciona como um crivo não-oficial para idéias novas, isto porque não existem muitos requisitos para publicar no site: ou seja, se você tem uma idéia mas não sabe se ela é boa o suficiente você pode publicá-la (correndo é claro o risco de compartilhar sua idéia com outros antes de ela estar completa) e ver o retorno que a comunidade dá em relação a ela. Se for bom, com o tempo esta idéia pode amadurecer e virar um artigo em um congresso internacional.

O interessante é ver que na área de criptografia muitas coisas interessantes são publicadas no ePrint. Tem inclusive cientistas bons que estão defendendo abertamente a idéia de se publicar o conhecimento sem restrições sempre, como é o caso de Daniel Bernstein.

Já ouvi falar que existem portais parecidos para artigos em Física, além dos já citados pelo Alexandre. Enfim, um movimento muito interessante, que de certa forma força os pesquisadores a se importar mais com a qualidade e menos com a quantidade, já que seu artigo é “mais público” neste tipo de site. Algo que vai um pouco contra a “ditadura” de números que regem muitos institutos de pesquisa no mundo atualmente, onde é melhor quem publica mais e não necessariamente quem obtém melhores resultados.

P.S.: Editor-chefe, eu disse que eu postava algo este mês ainda! :)

Vamos dar uma espiadinha?

A frase do título foi imortalizada por Pedro Bial no horroroso Big Brother Brasil (que, confesso, assisti assiduamente nos primeiros anos).

Fato é que o ser humano é curioso, voyeur por natureza. O ser computeiro mais ainda. E a dúvida que bate na cabeça de muitos de nós é “Quanto ganha um engenheiro de SW numa empresa top como Google, Apple ou Microsoft?”

Bem, o site GlassDoor.com tem como proposta amenizar esta dúvida cruel, trazendo informações de funcionários anônimos das próprias empresas como salários por posição, opiniões sobre CEOs e nível de satisfação. Fico só imaginando o funcionário chegando no site, com sua voz de pato e a cara quadriculada… :-)

Ja é possível dar uma espiadinha em empresas como Google, M$ e Yahoo.

podcast!

No começo do mês o Miguel perguntou: podcast? Eu não venho aqui com a resposta pronta (apesar do título ser uma exclamação), mas esse post é um pouco pra reavivar a discussão.

Ultimamente tenho ido diariamente de bicicleta pro trabalho, o que leva em média uns 30 minutos, mais uns 10 minutos entre descer no elevador, destravar a bicicleta, travar de novo no trabalho e ir até o chuveiro. Isso faz com que eu tenha 80 minutos “livres” por dia, praticamente sem pensar em computação! Como bom computeiro, eu não podia deixar essa situação perdurar, então comecei a gravar podcasts no iPod e ir ouvindo no caminho. Por enquanto os assuntos não foram absorventes o suficiente pra me tirar a concentração no transito, e eu ainda não me matei…

Atualmente eu estou ouvindo as entrevistas do Markus Voelter na Software Engineering Radio (se-radio). Tem bastante coisa interessante por lá e eu to achando uma boa pra ter uma noção por cima de assuntos diversos. Eu acho que um podcast não é a mídia ideal pra passar os detalhes, mas você sempre pode correr atrás de saber mais sobre os assuntos que te interessaram mais.

A primeira pesquisa do post é : Que outros podcasts interessantes vocês conhecem, além do stackoverflow que foi mencionado no post anterior?

Naquele post foi discutida também a idéia de criar um podcast do log4dev (pod4dev ou cast4dev, quem sabe até podcast4dev). Eu particularmente acho que seria muuuito trabalho e acho que algumas características teriam que ser muito bem pensadas, como:

  • Assuntos: que tipo de assuntos seriam tratados no podcast? Se o intuito é somente dar a opinião sobre algum assunto, porque não usar o log4dev mesmo? Quero dizer, pra agregar valor, o podcast tem que aproveitar o seu diferencial, que é o som, então o conteúdo provavelmente tem que ser diferente do log4dev.
  • Duração: qual vai ser a duração média de uma transmissão? O Lucas comentou no post anterior que o ideal seria 25 minutos, pois não fica cansativo. Os podcasts da se-radio são entre 40 e 50 minutos, o que é OK pra mim, mas não funcionaria pra todos. Apesar das entrevistas dele não ficarem cansativas, eu acredito que se eu não tivesse tanto tempo “disponível”, eu não iria parar o meu trabalho pra ficar ouvindo (e olhando pra onde?). É claro que a duração também é muito influenciada pelo assunto: uma entrevista de 25 minutos é muito curta, principalmente quando o entrevistado é bem interessante, mas 50 minutos falando em monólogo sobre algum assunto qualquer fica maçante.
  • Equipamentos: que equipamentos teriam que ser adquiridos? Como o Evandro disse, não adianta fazer um podcast com um som porcaria, pois isso só iria irritar quem está tentando ouvir. Logo, alguns equipamentos de áudio teriam que ser adquiridos de alguma forma. Na se-radio, depois de um bom tempo com o som ruim, eles compraram um equipamento melhor, e depois conseguiram algumas doações e sponsors pra manter a radio funcionando, mas eu não acho que essa seja uma possibilidade realista.
  • Periodicidade: com qual periodicidade seria publicado o podcast? De novo, o se-radio garante que publica a cada 10 dias. Vale a pena o editor-chefe definir uma garantia dessas? Com certeza essas garantias agradam ao público, pois eles sabem o que esperar. O difícil é honrar o compromisso….

Esses são alguns pontos em que eu estive pensando e com certeza existem outros mais. A minha análise é obviamente muito baseada no se-radio que é o podcast com o qual eu tenho mais contato. Por isso mesmo a opinião de gente com mais experiência é muito importante.

podcast?

Recebi um email hoje de um leitor assíduo do blog, o Igor Cemim, sugerindo a criação de um podcast para o Log4Dev. Coincidência ou não, eu conversei sobre este tema com o Raphael na quarta, quando vínhamos de Campinas para São Paulo. O Raphael até achou que o email do Igor fosse algo que eu tivesse fomentado. Mas não foi.

E esta idéia de termos um podcast é algo que está martelando na minha cabeça há algum tempo. Não sei bem o formato ainda, e sei que daria bastante trabalho. Mas imagino que seria bem divertido (como diriam os americanos, lots of fun!!!).

Seguindo uma sugestão do Raphael, gostaria de abrir a discussão para a “comunidade” deste blog: o que vocês achariam de termos um podcast (cast4dev, ou pod4dev)? Comentários, sugestões e nomes serão bem vindos.

E aproveito a deixa para sugerir o novo podcast criado pelo Joel Spolsky, chamado stackoverflow.com, que discute temas interessantes de computação e de quebra ainda ajuda a aprimorar a compreensão do inglês.

Carreira e Pós-Graduação

Por Thiago “Bart” Bartolomei

Este post nasceu de um email que eu mandei para amigos esta semana. O objetivo é de abrir uma discussão sobre a validade de se fazer uma pós graduação em área técnica. O que eu vou escrever aqui é a minha percepção, e eu gostaria que vocês comentassem, já que depois da nossa graduação muitos de nós seguiram caminhos bem diferentes na carreira.

Existem basicamente 4 “opções de carreiras” pra quem se formou em Engenharia ou Ciência de Computação (sem contar mudar totalmente de área). Você pode entrar na área de consultoria não-técnica (financeira, management, etc): neste caso, acho que o que mais vale a pena eh fazer um MBA. Pelo que tenho visto, Stanford é a melhor opção, mas eu não tenho experiência pra comentar muito sobre isso.

A segunda opção seria você continuar na área da computação, mas partir pra algo mais gerencial. Nesse caso, o ideal talvez fosse fazer algum MBA mais voltado pra TI, talvez um mestrado em área técnica, desde que voltado pra gerência de processos, qualidade ou coisa assim.

A terceira opção seria ficar na área técnica mesmo. É claro que é bem difícil você ficar programando low-level a sua carreira inteira: alguma hora você vai ter que subir pra algo mais gerencial. Mas de qualquer forma, o foco seria tecnologia.

Finalmente, a quarta opção seria você fazer uma carreira “acadêmica”. Eu coloco entre aspas pois eu considero que hoje em dia ninguém vai ser professor de universidade e ficar num mundo paralelo, mas vai ter contatos com a indústria pra manter os pés no chão (e o dinheiro entrando). Eu também considero trabalhar em centros de pesquisa privados como carreira “acadêmica”.

Nesses dois últimos casos, eu vejo pós-graduação em área técnica como algo essencial. Eu tenho alguma experiência em universidades e empresas no Brasil, na Alemanha, no Canadá e conheço historias sobre EUA e outros países europeus. Na Europa praticamente todos saem da universidade com mestrado. O doutorado dura somente 3 anos e é bastante voltado pra indústria, que absorve essa mão de obra qualificada. No Canadá e nos EUA muitos fazem mestrado e os PhDs são muito bem vindos pela indústria. O diploma é essencial para entrar em grandes laboratórios de pesquisa (como IBM, Sun e Google), e inclusive já ouvi histórias de algumas empresas européias em que você simplesmente não sobe na carreira (mesmo em área gerencial) sem ter um PhD (nem que seja um PhD em Física ou Antropologia).

Em resumo, MSc e PhD são títulos muito bem vistos não somente por universidades, mas também por empresas.

Me parece que no Brasil as coisas não são bem assim: um profissional com doutorado é visto como alguém muito caro, que não vai trazer mais benefícios pra empresa do que um recém-graduado (que é muito mais barato). Por isso, a única opção pra doutores é tornar-se professor de universidades ou fundar a própria empresa (provavelmente uma consultoria técnica). Eu tenho a impressão que mestrado já não é mais visto como um problema, pois tenho visto bastante gente obtendo o título e depois indo para empresas.

Mas eu acredito que o mercado pra PhDs vai aumentar conforme o Brasil cresce e entra no mercado global em que o conhecimento e a tecnologia são as coisas mais importantes. Então as empresas vão aprender, como já o fazem as empresas indianas e chinesas, que um PhD pode trazer um conhecimento de ponta importantíssimo pra aumentar a competitividade da empresa.

Esta é a minha percepção. Vocês concordam com isso? Críticas? Sugestões?

[Bart é Eng. de Computação formado pela UNICAMP, ex ponta esquerda e central do glorioso time de Handball da Computação e atual doutorando da Universidade de Waterloo, do Canadá.]

OpenSource na ciência

Para quem trabalha com pesquisa e desenvolvimento, acompanhar as últimas publicações em sua área é de fundamental importância. No entanto isto pode ser custoso, dado que as assinaturas de revistas científicas têm preços muito altos, dificultando o acesso ao conhecimento científico, e em última instância, desacelerando a evolução da ciência.

O conceito de “código livre” já é bastante antigo entre nós computeiros, e é certamente um dos principais fatores que contribuiu para o acelerado desenvolvimento de nossa área. Se não fossem iniciativas como o Linux, Apache e Mozilla, dentre outros, estaríamos talvez num estágio de desenvolvimento tecnológico similar ao de cinco anos atrás. Com este tipo de visão, diversas iniciativas têm sido criadas na área de divulgação científica, para fazer frente ao domínio das editoras científicas, e permitir a ampla divulgação de conhecimento. BioMed Central e PLoS são exemplos de editoras eletrônicas OpenAccess bastante conhecidas (ao menos na área em que trabalho - bioinformática, biologia e afins). Esta já é uma realidade mundial, que certamente substituirá o modelo anterior.

Seguindo esta tendência, a Faculdade de Artes e Ciências da Universidade Harvard decidiu tornar público todos os artigos publicados por seus pesquisadores a partir de 12 de fevereiro de 2008. De acordo com matéria da Agência FAPESP, também a Escola Médica Harvard pretende utilizar o modelo OpenAccess aos artigos resultantes de pesquisas apoiadas pelos Institutos Nacionais de Saúde. Iniciativas como estas, de centros de pesquisa renomados como os de Harvard, atestam o sucesso deste novo modelo de divulgação científica, e uma preocupação cada vez maior no que diz respeito à disseminação de conhecimento.

Para quem tiver interesse, o DOAJ é um diretório de publicações OpenAccess, compreendendo as mais diversas áreas. Talvez lá você possa encontrar alguma publicação que te interesse, não só para acompanhar as pesquisas recentes em sua área, como também para divulgar sua pesquisa.

Portal Cell BE Brasil

Semana passada entrou no ar um portal pelo qual eu vinha batalhando há algum tempo: o Cell BE Brasil.

Para quem talvez ainda não saiba, durante os últimos dois anos boa parte do meu trabalho foi focado no desenvolvimento de aplicativos básicos para a plataforma de processadores Cell Broadband Engine, que equipam, entre outros, o PlayStation 3 da Sony. Especificamente no meu caso, trabalhei com o desenvolvimento de plug-ins para o Eclipse que adicionam funcionalidades a esta plataforma de desenvolvimento para tornar a vida de um programador desenvolvendo em C/C++ para processadores Cell BE mais fácil.

Junto com este trabalho veio também uma série de palestras e aulas sobre a arquitetura Cell BE por todo o Brasil. Hoje o Brasil é, provavelmente, o único país da América Latina em que existe uma comunidade acadêmica e científica aproveitando o alto poder de processamento fornecido pelo Cell BE em pesquisas.

Esta divulgação toda e a verdadeira comunidade que se formou no Brasil em torno desta nova plataforma de processadores trouxe novas necessidades de comunicação. E é para suprir esta necessidade que colocamos no ar o portal Cell BE Brasil.

O objetivo deste site é servir como um centro para discussões e postagem de material e artigos sobre a tecnologia Cell BE em português. Junto com ele foram criados também um fórum de discussão e um Wiki, todos em português. Além disso, a partir do portal já se tem acesso hoje a alguns outros sites e portais com bom material relativo a esta plataforma de desenvolvimento (muitos deles ainda só em inglês). Enfim, a idéia é agregar!

Se você tem interesse ou usa esta plataforma de desenvolvimento, entre e participe! Ajude-nos a fortalecer ainda mais a comunidade de Cell BE no Brasil.

multi-user electro-acoustic music instrument with a tabletop tangible user interface

Seguindo a linha do post anterior, queria falar sobre uma outra forma de interatividade que, de certa forma, é parecida com a anterior por usar alguns conceitos semelhantes mas na prática se mostra totalmente inovadora e diferente.

O Reactable, definido pelos próprios autores como uma “multi-user electro-acoustic music instrument with a tabletop tangible user interface” pode ser visto como um sintetizador modular (se olharmos para ele como um instrumento musical) ou até mesmo como uma linguagem de programação de controle de fluxo (se olharmos ele como um representante fiel de sistemas de controle movidos a sinais elétricos que dão origem a muito daquilo que conhecemos de robótica e computação).

Vou postar aqui alguns vídeos que na minha opinião valem serem assistidos para entender completamente o conceito sendo explorado. O sistema é simples. Basicamente uma câmera posicionada abaixo de uma mesa que captura os objetos que são colocados em cima da mesa e os movimentos que são feitos nos objetos. O resto dos efeitos e controles é feito por luzes e por um sistema computacional de controle. Depois de mostrar os vídeos tento comentar alguma coisa em cima do que pode ser visto neles, mas, como vocês vão ver, nada melhor mesmo que os vídeos para explicar o Reactable.

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Como se pode ver pelos vídeos, o Reactable é, antes de mais nada, um sintetizador musical, um instrumento musical. E desta forma, como se pode ver por uma simples busca na internet, já foi usado em algumas festas na Europra. Imagina um que um bom DJ não conseguiria fazer com uma interface destas? Além do show musical, certamente seria um show a parte as imagens da manipulação do Reactable.

Por outro lado, como também é possível ver pelos vídeos, o Reactable nada mais do que reproduz um sistema de controle, no qual você pode compor suas ondas geradoras, retroalimentações, filtros de freqüência e etc. de forma a montar um sistema de controle. E, neste sentido, ele não deixa de ser uma linguagem de programação. Só que com uma interface muito mais intuitiva e com uma capacidade de mostrar o resultado da atuação do sistema de uma forma que realmente dá para visualizar a resposta antes de, por exemplo, ter que implementar um sistema de controle com as mesmas características para controlar um braço mecânico de um robô de uma linha de montagem.

Olhando por outro lado, também consigo ver nele uma tremenda e inovadora ferramenta educacional. Há se meus professores de física, sistemas de controle e telecomunicações tivessem acesso e disposição para usar uma ferramenta dessas durante as aulas! Certamente os conteúdos que, em geral são complexos e difíceis de entender por envolverem o espaço de freqüências, convoluções e etc. poderiam ser muito melhor compreendidos pelos alunos em um tempo bem menor!

E, ainda assim, se esquecermos tudo isso e voltarmos ao tópico sobre o qual estávamos falando originalmente, o Reactable nos mostra, de forma contundente, uma nova forma de interação homem-máquina que dá maior poder de expressão e de visualização de resultados para as pessoas que estão interagindo com o computador. É claro que vocês podem estar pensando como uma coisa como o Reactable poderia se aplicar na vida de uma pessoa comum, que usa o computador para navegar na internet e ler e-mails. Neste sentido, talvez a utilidade do multi-touch screen seja mais fácil de se enxergar. Mas não podemos de forma alguma descartar coisas como o Reactable, já que conceitos como este podem tornar possível, por exemplo, a apresentação de um objeto físico real (que não seja um quadradinho de plástico com um símbolo desenhado como nos exemplos) a um computador. Vocês já imaginaram nas possibilidades que podem se abrir se um computador conseguir a efetivamente reconhecer objetos e/ou pessoas que são apresentados a eles?