Archive for the 'Notícias' Category

E agora Android?

Eu estava quase passando despercebido por uma notícia da semana retrasada. Parecia até uma notícia não muito relevante, mas pensando bem, achei que valia a pena comentar, já que este foi um assunto já discutido antes aqui neste blog.

Fiquei sabendo pelo blog do Doug Schaefer, principal mantenedor do CDT, que a Nokia tinha adquirido controle total sobre a Symbian. Em princípio a notícia não é muito impactante porque a Nokia já era uma das principais acionistas da Symbian. E era obvio que a Nokia tinha interesse direto no Symbian, que é um dos sistemas operacionais muito usados em SmartPhones. So far, so good.

Mas, como está no anúncio da Nokia, o propósito não é apenas controlar a Symbian. O objetivo final é abrir o código-fonte do Symbian OS sob licença EPL (Eclipse Public License), criando a Symbian Foundation. Com isto, a Nokia, que é a maior fabricante de celulares e de plataformas móveis atualmente, faz frente ao anúncio do Android feito pelo Google e da Open Handset Alliance o ano passado.

O mais interessante, no entanto, é observar o que vai acontecer daqui para a frente. O Android, até onde eu sei, é apenas a descrição de um padrão. Ele pode ter várias implementações. E apesar de a Nokia não fazer parte da Open Handset Alliance, muitas das outras empresas que junto com ela estão promovendo a abertura do código do Symbian fazem. Para a Nokia, como detentora do posto de líder de mercado, o importante era fazer um movimento dizendo que ela não está a revelia dos últimos acontecimentos em relação à criação de padrões abertos no mercado de celulares. Resta saber o que ela e seus parceiros no Symbian OS vao querer fazer com o Symbian OS de código-aberto: continuar com ele  sendo algo separado do Android ou torná-lo um sistema compatível com o padrão da Open Handset Alliance.

ICANN libera criação de domínios de topo

A ICANN (Internet Corporatoin for Assigned Names and Numbers) deciciu recentemente levar a cabo uma idéia que vinha sendo estudada e maturada desde o fim da década passada: liberar o registro de domínios de topo na Internet.

Para quem não conhece, a ICANN, junto com a IANA (Internet Assigned Numbers Authority), são as entidades mundiais responsáveis por definir as regras de distribuição de números IP e registro de nomes na Internet. São eles por exemplo que definem que os endereços registrados no Brasil devem terminar em .br ou que endereços registrados  nos EUA podem terminar apenas em .com ou .edu sem ter um .us depois. Ou seja, eles são responsáveis pelo controle da última parte dos nomes de domínios da Internet: aquilo que vem depois do último ponto.

Esta última parte do domínio é conhecia como gTLD (generic top-level domain). Hoje existem relativamente poucos gTLDs oficialmente suportados. Com a proposta que eles aprovaram virtualmente qualquer pessoa ou empresa poderá registrar seu próprio gTLD. Por exemplo a IBM poderá registrar o .ibm. e assim seu site principal poderá responder apenas por “ibm” ou invés de “ibm.com” como é hoje. Se eu fosse uma pessoa muito egocêntrica (e rica) eu poderia registrar o .laggarcia e mudar meus esparsos posts neste blog para blog.laggarcia.

É claro que o registro não vai ser um processo fácil nem barato. Vi estimativas na Internet variando de US$ 50K a US$ 400K. Além disso eles impuseram uma série de regras para que não seja criado um mercado de gTLDs: ou seja, qualquer um registra o gTLD .ibm e depois tenta fazer a IBM pagar uma bagatela para ceder a ela o direito de uso deste gTLD.

Outra decisão interessante que eles tomaram foi liberar endereços com caracteres em chinês, árabe e outras línguas que não usam um alfabeto latino. Mas acho que isso pouco deve afetar a maior parte dos brasileiros que acessam a Internet…

Todas estas mudanças devem gerar, é claro, um grande impacto na escalabilidade do sistema. Todos as buscas por gTLDs na Internet toda são processados por não mais que duas dezenas de servidores. Não sou um especialista em redes, mas imagino que estas buscas não são tão constantes hoje em dia porque estes valores são bem fixos, mas tornando a coisa mais flexível o sistema também sofrerá uma sobrecarga muito provavelmente. Ai está outro ponto interessante: parece que eles também querem que haja competição entre as empresas que fornecem este tipo de serviço de resolução de gTLDs.

Minha primeira impressão disso tudo foi: que bagunça! Mas, pensando melhor, até que eu acho que a idéia não é tão ruim no sentido que ela vai ampliar o alcance da Internet, já que os endereços passarão a ser, em alguns casos, mais naturais para pessoas não sistemáticas como em geral computeiros são, além de estimular a competição entre os provedores deste tipo de serviço. Já com relação aos problemas técnicos, não saberia dizer quão complicado isso poderia ser, mas imagino que estas autoridades já devem ter pensado neste problema também (caso contrário o sistema de DNS entraria em colapso, o que seria sentido por todos que usam a Internet).

Flash entrando na onda de SEO

Adobe anuncia que Google e Yahoo irão começar a indexar conteúdo de páginas com Flash. Isto porque a empresa forneceu uma versão especial do Flash Player que permite que os buscadores indexem todo o conteúdo de um arquivo SWF. Segundo o blog do Ryan Stewart, evangelizador da Adobe,

“We are giving a special, search-engine optimized Flash Player to Yahoo and Google which is going to help them crawl through every bit of your SWF file”.

É interessante notar que inicialmente, o indexador do Google irá apenas analisar textos e URLs contidas no arquivo. Imagens e vídeos ficam de fora:

How does Google “see” the contents of a Flash file?
We’ve developed an algorithm that explores Flash files in the same way that a person would, by clicking buttons, entering input, and so on. Our algorithm remembers all of the text that it encounters along the way, and that content is then available to be indexed. We can’t tell you all of the proprietary details, but we can tell you that the algorithm’s effectiveness was improved by utilizing Adobe’s new Searchable SWF library.

Mais informações podem ser encontradas no blog para Webmasters do Google.

De volta.

Aos que estão morrendo de saudades das bobagens escrivinhadas por mim, peço paciência. Estou apenas no meio do processo de minha mudança para a Terra do Tio Sam. Já vim, Já vi, mas ainda não fiz a parte mais importante: arrumar o meu ambiente de desenvolvimento e trabalho no meu computador novo.

UpGuppy

Se eu quisesse transformar as minhas asneiras em meu ganha-pão, e dependesse do grande salário e extensos benefícios oferecidos pelo editor-chefe, eu teria morrido de inanição antes que eu conseguisse logar no Wordpress e apertar Write Post. Então, entre uma asneira que escrevo e uma resposta impensada que dou para “the-one-who-can’t-be-named”, eu sou obrigado a, tipassim, trabalhar um pouco e garantir a canjica-com-Guaraná-Dolly nossa de cada dia.

Aqueles que estão mais próximos de mim (i.e, aqueles que têm o meu handle do Gtalk) sabem que, quando eu deixei o cubículo no qual trabalhava, eu tinha como objetivo levar adiante um projeto meu: criar um produto que pudesse ter seu valor quantificado, buscar investidores, fazer a idéia crescer, aumentar a base de consumidores, passar meses a fio vivendo debaixo da mesa do computador comendo apenas pizzas amanhecidas e tomando coca-cola sem gás… enfim, fazer todas essas atividades associadas a um ser esquisito chamado empreendedor. Esse era meu trabalho até o fim do ano passado.

Mas, por razões que serão exploradas em momento mais oportuno, esse trabalho acabou sendo substituído por outro. Graças ao conhecimento acumulado e produzido durante a minha fase empreendedor-romântico, pude aceitar um trabalho como consultor em uma startup americana que já tinha uma versão do seu produto, mas precisava de outras pessoas que tivessem conhecimento em web.py e tivessem um bom conhecimento de todos os elementos de uma stack LLPP (Linux, Lighttpd, Python e PostgreSQL). Flexível e ansioso para receber em dólares que sou, aceitei a proposta.

Essa empresa é a UpGuppy. A idéia do site é simples e direta: permitir que as pessoas possam dar sua opinião e recomendação através da criação de listas (rankings) sobre assuntos diversos. Melhores livros, piores novelas mexicanas, cervejas, baladas para curtir em Boston depois das 3 da manhã, academias de ginásticas… qualquer coisa que possa ser listada pode virar um ranking. O propósito final do sistema é permitir que as pessoas possam obter recomendações a partir das listas de diversos usuários. Caso de uso: uma pessoa gostaria de saber os pontos turísticos mais interessantes em Nova Iorque, para passear com os seus pais que a estão visitando. Essa pessoa pode ter recomendações interessantes procurando no site por rankings sobre os pontos turísticos da Big Apple, e filtrar para visualizar apenas os rankings feitos por pessoas de mais de 50 anos.

Esse é o ideal do serviço que será oferecido. Mas o pessoal ainda está no começo, e o pessoal de lá andou fazendo tanta modificação nos requisitos e de posicionamento de produto, que boa parte do código anterior acabou sendo descartado. Então, o que estou fazendo por lá tem sido um trabalho de ver o que ainda pode ser aproveitado, desenvolver os componentes que faltam, atualizar o design, melhorar a parte de front-end e quetais. A parte mais significante do meu trabalho tem sido fazer aplicativo UpGuppy para o Facebook, que está sendo lançado agora.  Obviamente, você precisa ser usuário do Facebook para ter acesso à aplicação e poder brincar com o site. Nem preciso dizer que o feedback dos usuários é muito bem-vindo e que essa é uma aplicação que ainda deve possuir alguns bugs (eu sei de pelo menos uma meia-dúzia, mas tenho vergonha de contar :) ) e que será constantemente melhorado e incrementado com as funcionalidades que estão sendo desenvolvidas para o site principal.

Para quem gastar tempo de uma forma divertida, é uma aplicação interessante. E para quem quer desenvolver aplicações para o Facebook, é um exemplo de todas as coisas que podem ser feitas usando a plataforma do Facebook. Espero que em posts futuros eu possa vir a apresentar alguns dos macetes que eu tive que aprender para essa integração.

Links für mich, für dich und alles zusammen clicken…

Perdoe pelo crime que eu cometi à língua de Göethe no título do post. Foi apenas a forma que eu encontrei para mostrar que eu atualizei um pouco a nossa seção de artigos traduzidos. Aproveitei também para expor um pouco do raciocínio e dos motivos que nos levam a querer produzir um site em português - ou algo parecido - num mundo que parece estar acostumado a só falar inglês - ou algo parecido.

Aproveitando o embalo, os assinantes do RSS já devem ter percebido que estão recebendo uma coleção de links diariamente. Cortesia do Feedburner, agora todos os links que forem enviados ao nosso usuário do del.icio.us são adicionados ao nosso feed de RSS. A gente aqui acha que é melhor te passar os ponteiros dos textos originais do que ficar pautando toda a blogosfera. E isso também serve como via de mão-dupla: se você tiver links interessantes que gostaria de divulgar, é só fazer a recomendação do link (adicionando a tag for:log4dev na hora de salvar) do delicious, que teremos grande prazer em ler e colocar no nosso rol.

E lá, o link pode ser em qualquer língua, capisce?

Impressões da Discovery ‘08 - Parte 2

Um tempo atrás eu descrevi minhas impressões sobre a Discovery’08 e prometi continuar sobre mais uma palestra e o painel que assisti. Demorou um pouco mais do que esperado, mas felizmente eu consegui achar onde tinha deixado minhas anotações e lembrar dos pontos que queria comentar. Mas melhor do que isso, eu descobri que os organizadores fizeram podcasts de algumas palestras e discussões e colocaram à disposição no site. Então, quem quiser pegar o conteúdo na integra é só baixar os podcasts (estão em inglês).

Primeiro vamos à palestra do ministro da pesquisa e inovação de Ontario, Honorable John Wilkinson. Ele falou durante o almoço, o que não é muito agradável, mas a minha primeira impressão foi: como os políticos sabem falar bem! Não que os outros palestrantes não soubessem falar ou tivessem problemas no palco, mas o políticos são especialistas em falar as coisas de um jeito que parece até que eles realmente estão entendendo detalhes de todos os assuntos, mesmo que seja somente um texto escrito pelo assessor.

Mas falando do conteúdo, duas coisas me chamaram muito a atenção. Primeiro foi que o evento contava com enviados das embaixadas da China e da Índia. Nisso eu fiquei pensando: onde estaria o representante brasileiro? O governo brasileiro envia representantes para eventos os mais esdrúxulos possíveis, mas será que ninguém da embaixada em Ottawa ou do consulado em Toronto sabia desse evento e/ou se interessou por ele? Qual seria o motivo da missão brasileira no Canadá, somente dar suporte à cidadãos brasileiros, ou participar mais ativamente em parcerias que podem trazer benefícios enormes para o país? O Canadá não tem uma economia comparável, em tamanho, à dos EUA ou da Europa, mas é não é de se desprezar, como nossos concorrentes chineses e indianos sabem muito bem. Segundo o ministro, Ontario é o distrito do G8 (e possivelmente do mundo) com maior densidade de graduados em universidades (distritos seriam estados ou províncias, já que provavelmente existem focos menores com maior densidade). Isso significa um grande potencial de crescimento na região, já que conta com muita mão de obra qualificada (e um governo que, apesar de todos os problemas, tenta ajudar).

O segundo ponto interessante tem relação com os incentivos do governo provincial para a criação de novos negócios. Existem inúmeros projetos, mas dois chamam a atenção. Primeiro, o governo tem um projeto com um fundo de alguns bilhões de dólares pra investir em empresas de tecnologia. O interessante é que, se você tem um projeto e aplica para conseguir fundos, o governo garante que responde em 45 dias. Isso é realmente impressionante, pois avaliar um projeto desses sempre requer contatos com especialistas e outras milhões de burocracias atrapalhando. Segundo o ministro, o governo quer ser um “parceiro” que anda na “velocidade da nova economia”. Segundo, novas empresas que são baseadas em tecnologia própria tem 10 anos de isenção fiscal. Isso é o governo trabalhando pra ajudar as empresas, não pra chupar o sangue delas! Na minha última ida ao Brasil eu conversei com um amigo que abriu uma empresa de tecnologia. Ele me disse que cerca de 40% dos gastos da empresa eram impostos, desde taxas diretas da venda até encargos para os empregados. Se o governo cortasse esses impostos para empresas recém criadas, ele teria 40% mais investimento pra crescer! E depois o governo poderia reter 20% de impostos de um bolo muito maior. É claro que tem-se que tomar muito cuidado com essas medidas, senão vão surgir milhares de empresas se recriando a cada dois anos pra ficar sempre na categoria de “novas empresas”, mas eu imagino que algo bem pensado nessa direção seja muito proveitoso.

Bem, vamos ao painel então. O título era “Failures on the Road to Success” (literalmente, fracassos no caminho do sucesso). A proposta era basicamente discutir como fracassos fazem parte da busca por sucesso, principalmente em áreas muito imprevisíveis (veja no último texto sobre os Black Swans). Os palestrantes não entraram muito em conflito e todos eles defendiam a tese de que fracassos anteriores são considerados positivamente no vale do silício por analistas de investimento. Isto é, quando alguém vai analisar se vai pôr dinheiro na sua idéia, você ter feito uma besteira anterior é positivo, pois você ganhou experiência, talvez perdeu dinheiro (dos outros), mas tem mais chance de dar certo agora. Infelizmente, e isso eu achei o ponto fraco da discussão, nenhum dos palestrantes admitiu realmente ter fracassado feio. Somente um deles contou um caso em que o fracasso inicial no fim se transformou num sucesso (ele apostou na moeda errada, mas depois de alguns anos ela se tornou a certa). Ou seja, não sei até que ponto é só glamour essa idéia de glorificar o fracasso passado.

Mas outras duas mensagens curtas do painel também foram legais. Primeiro, eles pisaram e falaram mal de venture capitalists. Disseram que eles não estão nem aí para o seu negócio, tudo que querem é retorno do investimento, etc, tudo aquilo que a gente já sabe, mas é sempre bom repetir: no melhor dos mundos, cresça o quanto der, até sua empresa ter o máximo possível de valor de mercado antes de procurar investidores. Segundo, eles disseram nua e cruamente: cientistas da computação não sabem fazer negócios. Isso não significa que não existam computeiros que possam ser ótimos homens de negócios, mas simplesmente que o tipo de treinamento e skills necessários pra ser um bom manager, para negociar com clientes, etc, não é exatamente o que é ensinado em um curso de computação. A dica é, se você entende muito de tecnologia e sabe muito bem como desenvolver produtos, se concentre nessa área e se associe com uma pessoa que é especialista em vender a sua tecnologia e o seus produtos. Mais uma que a gente já sabia!

Filtro por Estado no Job4Dev

Mais uma funcionalidade muito requisitada por fãs do Job4Dev da minha rua: filtro por estado. Pedido atendido: agora é possível filtrar as vagas por estado e/ou por palavra chave.

O sistema foi feito de forma a minimizar o impacto no cadastro. Assim, o formulário continua o mesmo, apenas com um campo de localização: escreva a sigla do estado em algum lugar, e o Job4Dev se encarregará de fazer o resto.

Esta funcionalidade ainda não está no RSS ainda, mas seguindo a filosofia “Release Fast, Release Often”, deverá estar disponível em breve.

Nosso tráfego explodiu!!

O tráfego, o cabo de rede, as paredes do rack do computador… tudo foi parar nas alturas!

Infelizmente, não estou falando em sentido figurado. Houve uma explosão no datacenter do ThePlanet, por azar o datacenter que é usado pelo webfaction, que por azar é o serviço de hosting onde esse blog se encontra.

O esquisito da coisa é que os nossos outros sites (o Job4Dev e o Books4Dev) estão funcionando bem. Talvez seja um problema de propagação do DNS por parte das máquinas de redundância deles.

A ver.

Eu não falei? Não estamos sozinhos.

O editor-chefe adoooooora usar ditos populares como títulos de seus textos. Se eu adotasse esse estilo como forma de puxa-saquismo (imitation is the most sincere form of flattery, after all), o título desse post seria “Quem procura, acha.”

Aproveitei que as coisas deram uma acalmada pra tentar responder eu mesmo à minha última provocação. Há sim gente boa escrevendo no Brasil e buscando a comunidade dentro do próprio país. Nas minhas andanças, já encontrei e foram parar no meu RSS os seguintes:

Google Reader é seu amigo. Adicionem esse pessoal, participem, troquem idéias. E se encontraram mais gente interessante, dêem o toque.

Lullis em Brasília

Que o Raphael virou pop, a gente já sabe: emplacou 3 ótimos artigos no Webinsider. Mas agora ele está virando referência nacional, citado pelo MinC e pela Presidência da República.

Em breve, log4dev será rebatizado de lullis4dev, e o editor-chefe será enviado à Sibéria para cobrir a produção de software local. Com passagem só de ida…

:-(

Log4Dev no Twitter

Log4Dev ficou com ciúmes do Job4Dev e pediu uma conta no Twitter também. E ela existe!

http://twitter.com/log4dev

Confesso que estou gostando do conceito de microblog (ou uma espécie de chat aberto assíncrono) do Twitter.

Books4Dev - A família continua crescendo.

Há meses eu tenho discutido com o editor-chefe a respeito de criarmos um site que servisse como um ponto de referência para qualquer pessoa que estivesse buscando informações mais detalhadas sobre questões e dúvidas em programação. Muita coisa pode ser encontrada em blogs, mas as informações encontradas acabam por vezes sendo incompletas ou desatualizadas. O oráculo responde por muita coisa, mas não é infalível.

Os livros técnicos também têm problemas: são caros para estudantes novos, também ficam obsoletos, são muitas vezes terrivelmente traduzidos e nem sempre contém tudo que o usuário busca.

Eu realmente gosto de sistemas como o Safari Bookshelf, da O’Reilly. Paga-se uma mensalidade e em troca o usuário tem acesso a toda a biblioteca da O’Reilly em formato eletrônico. Há busca, indexação e todas as comodidades de um meio eletrônico.

Timing é fogo. Ontem mesmo eu estava falando do Google Doctype. Ou seja, essa necessidade de um ponto atualizado de informação é não só minha, mas de muitos outros. Mas como eu não sou O’Reilly, nem Larry nem Sergei, não tenho como contratar especialistas de determinadas áreas para escrever os tais livros, não posso me aventurar a criar uma concorrente para o Safari.

Entretanto, eu posso oferecer um espaço online para que as pessoas adicionem material livremente e tentem compilar uma biblioteca, e mantenham-na atualizada. É com esse princípio que nós estamos colocando no ar o Books4Dev. O nome é terrível, mas a intenção é das melhores. Não há quase nada de material lá, e começamos oficialmente ontem a escrever e editar algumas páginas.

Em termos de tecnologia: eu já falei do Infogami. É um wiki turbinado por algumas poucas outras features. Algo um pouco mais simples e direto do que um CMS completo. Acho que pode nos atender bem para esse projeto. Tempos atrás, chegamos a colocar o Plone para isso, mas a curva de aprendizado pareceu tão grande que se tornou um obstáculo para alguém que quer algo simples, para um projeto paralelo.

Esse é um projeto que vai precisar contar com a ajuda e o interesse de muita gente. Se você tiver trabalhando com alguma tecnologia que lhe seja nova, sinta-se livre para criar uma página e usar o wiki como um caderno de anotações. Outros usuários poderão ver, aprimorar, clarificar algumas passagens, melhorando ainda mais a biblioteca.

Passe a idéia adiante. Qualquer contribuição é válida e bem-vinda. Vou até pedir para que o “the-one-who-can’t-be-named” escreva sobre Java…

Novo amiguinho

O Job4Dev tem um novo colaborador! Falem oi para o Thiago “Bart” Bartolomei.

Bart, seja bem vindo. Por favor, não se esqueça de preencher os 4 formulários de inscrição, fazer os exames de corpo delito e mandar a certidão de ficha policial limpa. A pauta do blog é fechada todos os dias às 16h, todos os textos devem ser enviados imperativamente até às 20h e devem conter entre 500 e 502 palavras.

É muito divertido!

Impressões da Discovery ‘08

(Mais uma contribuição do Thiago “Bart” Bartolomei. O editor-chefe devia estar com sono e esqueceu de publicar…)

Nesta última segunda e terça eu participei de uma conferência chamada OCE Discovery. Antes de falar sobre o evento em si, é melhor descrever um pouco do contexto. OCE (Ontario Centres of Excelence) é uma iniciativa do governo de Ontario, que é a província mais populosa do Canadá. A idéia principal da OCE é buscar parcerias entre as universidades da província e empresas baseadas por aqui, além de fomentar a criação de novas empresas baseadas em produtos e serviços de alta tecnologia. A Discovery é uma conferência anual onde os vários projetos financiados pela OCE se apresentam. Como meu orientador participa de um desses projetos, eu apresentei um poster sobre a nossa pesquisa, mas, mais importante, pude participar da conferência.

A conferência não é exatamente o que os acadêmicos chamam de conferência. Como o intuito principal é comercializar a pesquisa, os estandes eram bem marqueteados e o galpão me lembrou uma mini fenasoft. Nas minhas passeadas eu vi uns projetos bem interessantes, como um projeto em conjunto com a policia sobre como criar equipamentos para auxiliar os animais policiais (como cães farejadores, etc), vários projetos sobre novos combustíveis e novas tecnologias “verdes” e vários estandes de Venture Capital, gente querendo investir nas suas idéias (e ganhar muito com isso, é claro). Mas o que eu acho mais interessante pra contar aqui foram os assuntos dos 3 keynote speakers e de um painel que participei (bem, eu estava na platéia). Como o post estava ficando grande demais, eu vou falar agora sobre duas palestras e deixar uma palestra e o painel pra um próximo post. Vamos às minhas impressões.

O primeiro keynote foi do Nassim Nicholas Taleb, autor de um livro chamado “The Black Swan: The Impact of the Highly Improbable”. Em suma, a teoria dele é de que os grande avanços da humanidade, tanto sociais, econômicos quanto científicos, se dão por eventos de grande impacto e extremamente improváveis e, portanto, imprevisíveis. Esses eventos ele chama de Black Swans. Um exemplo que ele deu foi, obviamente, o Google, mas outros eventos um pouco mais interessantes (pra teoria) foram a descoberta do viagra, da roda e a invenção da internet. Ele chama o viagra de descoberta, ao invés de invenção, porque o objetivo original da pesquisa do viagra era algo contra males do coração, se não me engano, e um efeito colateral do produto foi algo que revolucionou a vida sexual dos homens de meia idade. A roda é interessante porque, segundo ele, os maias construíram enormes pirâmides mas sem usar um carrinho de mão sequer. Eles tinham brinquedos com roda, mas ninguém na época teve a idéia de pegar aquelas rodas do brinquedo e montar um carrinho pra ajudar a carregar pedras. A invenção da internet é interessante por ser também um efeito colateral de uma aplicação militar, e ele cita que “algo que foi criado pra atacar os russos, acabou ajudando russas a casar com americanos pela internet”. Todas essas descobertas e invenções foram “meio que por acaso” e tiveram impactos enormes na vida dos homens de sua época. A solução que ele dá não é simplesmente ficar sentado pensando que não se deve fazer nada se as coisas ao acaso é que revolucionam o mundo. A solução é continuar com um plano, pois pequenos avancos são importantes, mas manter sempre os olhos bem abertos para os efeitos colaterais do que se está fazendo, pois muitas vezes basta olhar de um jeito diferente que se tem uma resposta pra um outro problema maior. Bem, quem quiser saber mais sobre a teoria, taí a dica do livro.

Eu vou pular agora pro terceiro keynote, que foi no fim da conferência. A palestra foi dada pelo Michael E. Raynor, que é um consultor especializado em análise de riscos e autor de um livro chamado “The Strategy Paradox”. A teoria dele é sobre que tipo de estratégia as empresas devem adotar pra se posicionar no mercado. Atualmente, os consultores dizem que as empresas tem que definir a sua identidade e seguir nesse caminho até o fim. Um exemplo. O Walmart é uma cadeia de supermercados e a sua identidade é “vende-se mais barato”. Essa é a identidade da rede e eles vão fazer de tudo pra vender o mais barato possível. A Daslu, ao contrário, vende somente produtos de extrema qualidade (OK, to exagerando um pouco, mas vocês entendem o exemplo). Essas empresas, que estão nos extremos da “linha da identidade”, são extremamente bem sucedidas, ganhando bilhões todos os anos. Agora imaginem empresas no meio termo. Ele cita a “Sears”, mas eu acho que poderia ser a C&A. Você entra numa dessas lojas e não sabe o que esperar. Você pode achar um produto de qualidade e preço bom, mas não é como ir ao Walmart, onde você sabe que o preço vai ser o melhor possível, em detrimento da qualidade, é claro. Os dados estatísticos catalogados pelos consultores mostram que empresas “no meio termo”, tem lucros bem menores do que empresas “nos extremos”. Conseqüentemente, eles falam que as empresas tem que apostar tudo em uma direção e esse vai ser o caminho pro sucesso.

A teoria do Michael é de que isso é um resultado furado, pois as estatísticas usadas se baseiam somente em empresas que sobreviveram. Ele fez então uma pesquisa usando uma base de dados que mostrava como atuavam as empresas que faliram. A surpresa dele foi que a grande maioria das empresas que estavam nos extremos faliu, enquanto que empresas no meio termo tinham uma probabilidade ínfima de falir. A teoria dele é então a seguinte. OK, se você quer ter os maiores lucros do mundo, você vai ter que lutar nos extremos. Infelizmente, somente uma empresa vence em cada extremo, enquanto as outras vão à falência. Agora se você quiser sobreviver com um lucro menor, tem que diversificar e ficar no meio termo. Ou seja, junto com a possibilidade de ganhar bilhões, aumenta a probabilidade de falir, isto é, aumenta o risco. Então ele divide a hierarquia das empresas em 3 grandes níveis. No topo fica o conselho, onde as decisões que devem ser tomadas devem visar manter opções abertas no futuro, de 5 a 20 anos (que eh incerto, como vimos na palestra anterior). Um exemplo desse tipo de atitude é a Microsoft, que desde o começo agiu sempre tentando manter as opções (como quando eles tinham o DOS pra interface de texto, produziam o Windows e o OS/2 em GUIs e ainda criavam o Office, tudo ao mesmo tempo, só pra ver o que é que vai pegar no futuro). No meio escalão estão os gerentes gerais, que devem pensar no prazo de 3 a 5 anos, sobre como posicionar certos produtos no mercado, que tecnologias adotar, etc. E no baixo escalão estariam os gerentes de produto, que devem pensar no imediato até 3 anos sobre um produto, tendo a identidade já bem definida, agindo como se fosse um dos “extremos”. Dessa forma, cada uma das instâncias da camada de baixo estaria agindo como um pequeno Walmart em um certo setor. Se um deles falhar, existe mais chance de um outro ganhar, e então a empresa tem opções de se posicionar da melhor forma possível.

Bom, achei as palestras bem interessantes e acho que ainda preciso de mais tempo pra remoer melhor os conceitos e as idéias apresentadas. Numa breve ocasião eu comento sobre o restante do evento.

[Bart é Eng. de Computação formado pela UNICAMP, ex ponta esquerda e central do glorioso time de Handball da Computação e atual doutorando da Universidade de Waterloo, do Canadá.]

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