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Como Produzir Riquezas

Meu último texto foi recebido como um bebê de fraldas sujas pelos leitores. A maior parte olhou com cuidado, disse “que bonitinho” e depois ficou sem saber o que fazer.

Afirmar algo como “agora você pode tomar as rédeas da sua vida produtiva” pode causar isso. A reação natural é se perguntar “Ok. Mas como é que o meu computador e minha conexão com a internet vão me ajudar a pagar o meu aluguel e meu aparelho ortodôntico?”.

Qualquer pessoa que te falar que tem uma receita infalível para ganhar dinheiro ou é louca, ou é vigarista.

O difícil é conseguir explicar de uma forma direta que riqueza e dinheiro não são a mesma coisa. E, levando em conta que eu tenho passado a maior parte do meu tempo trabalhando nos meus projetinhos (por enquanto) secretos, não vou tentar explicar isso melhor.

Vou usar um artigo de Paul Graham para isso.

Vendendo o peixe

Outro dia contei aqui a história do Carlinhos, um ótimo exemplo de como a questão de seleção de profissionais de tecnologia no Brasil é precária. Hoje vou mostrar outro exemplo, bastante ilustrativo.

Como todo bom geek, eu sou adepto e viciado em RSS. Meu reader tem umas 50 fontes de feeds, que eu leio religiosamente todo dia. Alguns várias vezes por dia. No meio destes, eu tenho 3 feeds de empregos: dois americanos e um brasileiro. Não que eu esteja forçosamente procurando emprego. Não estou. Mas nunca se sabe o amanhã. E sempre é bom saber como anda o mercado, tendências, o que as empresas procuram, etc. Outro dia parei pra prestar a atenção no estilo dos anúncios e é inevitável não perceber a diferença.

Eis por exemplo um exemplo de anuncio de uma empresa americana:

“Job Description:

Join the online shipping revolution! We’re looking for exceptional professionals who thrive in an exciting, fast paced environment, and want to help build the next great consumer internet company.

ACME.com is seeking one individual to join our team as a full time Senior Web Developer. This individual will work directly with the Director of Development and the executive team to build and grow the ACME website/marketplace. If you are a motivated, smart, and driven individual who wants to work in an energetic, entrepreneurial environment with outstanding career and growth opportunities, then this is the career for you!

About ACME:
ACME is the world’s largest peer-to-peer marketplace for shipping and moving services – think, “The eBay for Shipping”. Members of the ACME online community can list shipments in several categories, including General Goods, Household & Office Moves, Vehicles & Boats, Special Care Items, Commercial Freight, Pets & Livestock, and Plants & Agriculture. Members then receive bids from among thousands of feedback-rated shipping and moving service providers. Because carriers can more efficiently fill extra cargo space, many offer discounts of up to 80% off their traditional prices. ACME empowers consumers by giving them access to a wider marketplace of service providers and the ability to leave feedback for carriers. ACME empowers smaller, independent carriers by providing the marketing scale, logistics technology, and reputation they need to compete with large corporate van lines.

We are looking for individuals who:
- Are comfortable working in a small but very fast paced, start-up environment
- Enjoy solving varied and ambiguous problems
- Are extraordinarily detail oriented
- Deliver results on time, every time
- Enjoy the downtown Austin atmosphere and wearing shorts and flip-flops to work.

Job Responsibilities:
- Developing web applications using VB.NET, ASP.NET, JavaScript, XML and HTML
- Program and implement new functionality within the site in accordance with project deadlines and through effective interaction with the Product Development team
- Modify existing software to fix bugs on the website or to improve performance
- Analyze, specify, design, test, and check quality prior to implementation
- Troubleshoot errors on the website as discovered and identify and implement the optimal solutions

Job Requirements include a proven history of working with a team and all of the following skills:
- Bachelor’s degree in computer science or related discipline from a top school
- VB.NET / ASP.NET 2.0
- SQL Server 2005 (scripting SQL, stored procedures)
- Visual Studio 2005
- HTML / XHTML / CSS

Our Ideal Candidate would also have:
- Master’s degree in computer science or related discipline from a top school
- Experience with Source Control (Subversion) / Coding in a team environment
- Experience with Windows Servers
- Experience Designing / Architecting Applications
- GIS experience (a major plus but not required)”

Bom…agora vamos a um exemplo de anúncio brasileiro:

” Empresa de médio porte,
segmento de comércio eletrônico, localizada na região do CENTRO DE SP SELECIONA:

Analista Programador .NET PLENO, com experiência em linguagens asp.net e c ,
banco de dados SQL Server. Desejável conhecimentos em AJAX.

Projeto grande, período indeterminado, contratação PJ.”

A diferença ficou clara? Deve ter ficado. Mas como minha função é escrever artigos no meu blog, vou detalhar alguns pontos que me parecem relevantes.

Pra começar: 99.9% dos anúncios do site brasileiro não colocam o nome da empresa. E isso é regra em outros sites. Motivo? A maioria dos anúncios são feitos por consultorias em TI, que não querem abrir o nome da empresa pra não perder o candidato. Afinal, se eu souber o nome da empresa porque eu passaria por uma consultoria? Nos anúncios americanos dos sites que eu acesso, não só o nome da empresa aparece, como em geral existe um texto falando sobre a empresa, o que ela faz, porque ela é interessante. Ou seja: existe uma preocupação em interessar as pessoas que por ventura estiverem procurando trabalho.

Outro ponto interessante: ambos os anúncios listam algumas palavras-chaves. Não temos como escapar disso infelizmente. Mas o anúncio da ACME adiciona alguns requisitos:

Our Ideal Candidate would also have:
- Master’s degree in computer science or related discipline from a top school
- Experience with Source Control (Subversion) / Coding in a team environment
- Experience with Windows Servers
- Experience Designing / Architecting Applications
- GIS experience (a major plus but not required)

e

We are looking for individuals who:
- Are comfortable working in a small but very fast paced, start-up environment
- Enjoy solving varied and ambiguous problems
- Are extraordinarily detail oriented
- Deliver results on time, every time
- Enjoy the downtown Austin atmosphere and wearing shorts and flip-flops to work.

Isto me chama a atenção porque quando a seleção se limita às palavras-chaves, a pasteurização é inevitável: todos aqueles que sabem EJB e Java são iguais. E isto não é verdade. Aliás é um absurdo. Existem mutas outras qualidades que devem ser levadas em conta, como estilo de trabalho e experiências prévias.

Finalmente, um ponto essencial: nos anúncios brasileiros é praticamente impossível encontrar informações sobre o que o contratado irá fazer na empresa, qual tipo de projeto. Afinal, who cares certo? É apenas mais um programador para programar. Programação/Desenvolvimento é tudo igual! Não? Claro que não!!! No anúncio da ACME temos uma descrição:

This individual will work directly with the Director of Development and the executive team to build and grow the ACME website/marketplace.

Simples, direto, objetivo.

No fundo, a diferenças nos anúncios pode ser resumida da seguinte forma: os anúncios de cá oferecem apenas um emprego, enquanto que os anúncios de lá oferecem a possibilidade de você trabalhar em algo sensacional, que vai te fazer feliz e vai te motivar (If you are a motivated, smart, and driven individual who wants to work in an energetic, entrepreneurial environment with outstanding career and growth opportunities, then this is the career for you! ). Além disso, os textos tentam mexer com o ego do candidato.

É claro que sempre existe a possibilidade de que isto seja apenas a versão demo, e que a versão real world seja um saco e que no fundo eles querem alguns code monkeys para escrever linhas e mais linhas de um sistema CRUD pentelho. Mas o fato é que eles, pelo menos no anúncio, sabem vender o peixe!

O Governo da Alemanha quer competir com o Google. E daí?

A Alemanha está anunciando com muita fanfarra que está investindo 165 milhões de Euros, com aprovação pela União Européia, num novo sistema de tecnologia de busca. O projeto ambiciona ser o melhor sistema de busca multimídia da Internet.

Eu já até imagino algum alemão de cerveja na mão e umas três Wiener Würstchen espetadas no garfo, gritando “Ja, wir werden unsere selbe Suchtechnologie haben! Europe über alles!” com tanto orgulho que até eriça fios do bigode.

Enquanto alguns podem até ficar impressionados com o valor do investimento (165 milhões de euros, Dude!!!), eu fico impressionado que os governos - especialmente na Europa - ainda não aprenderam nenhuma lição com os fracassos anteriores.

Projetos de tecnologia têm uma natureza diferente, a qual praticamente impede que o governo possa tomar qualquer iniciativa para correr atrás, ou tentar competir com os líderes do mercado.

Aqui vai uma lição importante: dinheiro não é uma solução para resolver problemas em tecnologia. O fato da Europa ser rica o suficiente para poder destinar verbas consideráveis em ventures não é de serventia nenhuma.

Já se foram dois anos desde que a França anunciou um plano similar, O Quaero. Qual foi o impacto dessa iniciativa? Zero! E não precisa ser vidente para dizer que o impacto será o mesmo nos próximos dois anos, ou vinte.

Quanto maiores os avanços em tecnologia (algo que não tem ocorrido graças a esses “projetos” públicos) mais acessíveis são os produtos que dela resultam, e mais rápidos são os ciclos de desenvolvimento. Essa tendência é incompatível com a forma de trabalho de uma organização como o Governo. Esses mesmos projetos públicos são notoriamente conhecidos por sua lentidão, pela burocracia e pelo excesso de partes envolvidas querendo ditar o rumo do trabalho.

Projetos governamentais, pela sua própria natureza, sofrem da síndrome do design por comitê. Isso pode servir quando queremos ter um projeto que envolva tecnologias já consolidadas (como a Engenharia Aeronáutica e a Airbus, ou o padrão GSM de telefonia celular) e onde o interessante é ter um produto seguro e eficiente, mas jamais servirá para competir num ramo onde o que importa é ser o primeiro, ou ser o melhor.

Um conto moderno de RH

Carlinhos é um programador mediano, morador da cidade de Sampa. Se formou em uma universidade longe de estar na lista das melhores do país, estado ou da cidade. Foi contratado pela empresa ACME.com como trainee. No começo, seus superiores o achavam bastante fraco, com muitas falhas de formação e pouca prática de desenvolvimento de software. Com o tempo, e graças a uma boa ajuda dos colegas e muita boa vontade e esforço, Carlinhos foi evoluindo e se tornando importante para o projeto.

Após um ano de empresa, Carlinhos queria mudar de cargo, afinal tinha 26 anos e ainda era trainee. O RH aceitou a requisição e Carlinhos foi promovido a Analista Júnior. Mas o salário continuou o mesmo, extremamente defasado diga-se de passagem. Depois de mais alguns meses, foi pleitear um aumento. A oferta do RH? 100 reais. Bastante contrariado, avisou que iria sair de férias e procurar emprego. Começou a enviar CVs para varias consultorias. Alguns dias depois, recebeu uma ligação, recebendo uma proposta para trabalhar na empresa ACME.com! Por um salário bastante superior ao anterior!! Esta história é real apesar dos nomes fictícios. Ouvi de uma fonte confiável.

Alguns pontos merecem destaque nesta história. Na pressa de conseguir enviar nomes para a empresa, a consultoria nem ao menos se deu o trabalho de ler de fato o CV do Carlinhos, onde com certeza estava escrito que ele trabalhava na empresa ACME.com. E daí pergunto: se nem isso eles olharam, será que eles olharam de fato o CV do Carlinhos?

Hoje em dia, o mundo da computação vive a ditadura das palavras chaves: EJB, J2EE, JBOSS, C, C++, PHP, ASP, e muitos outros. Boa parte da seleção de profissionais hoje em dia se faz apenas e tão somente a partir destas palavras, sem levar em conta outros aspectos extremamente importantes como experiência, conhecimento de fundamentos de computação, arquitetura, facilidade de aprendizado de novas tecnologias, interesse, comprometimento. Estes requisitos em geral são completamente desprezados. E isto piora quando se sabe que em geral as pessoas que recrutam nestas consultorias não são profissionais de tecnologia e não fazem idéia do que estão falando.

Há alguns meses atrás, recebi dois telefonemas de consultorias oferencedo emprego. Na primeira, a pessoa me perguntou se eu tinha experiência em Java e VB. Respondi que era muito experiente em Java, mas que VB tinha apenas brincado, mas que isso não era problema porque aprenderia fácil. A moça respondeu que tinha que ser extremamente experiente em ambos e me descartou. Não que eu tivesse interesse no trabalho afinal já estava trabalhando e feliz, mas um papo de 15 minutos não deveria ser eliminatório. No segundo telefonema, a moça me fez algumas perguntas sobre conhecimentos em tecnologias específicas: basicamente, uma coleção de palavras chaves que eu tinha que simplesmente dizer se conhecia ou não. A dita cuja tinha dificuldade pra pronunciar algumas das palavras, como middleware por exemplo. Claramente não era a primeira vez que lia a lista. Nunca mais me ligaram.

Quando se sabe o quão criterioso e focado em conhecimentos de teoria, segurança, arquitetura e outros conceitos vitais são os processos seletivos de empresas como Google ou Microsoft ou Apple, eu fico um tanto quanto desanimado quando eu vejo a forma como os processos são nivelados por baixo no Brasil. O profissional de tecnologia é muitas vezes considerado como sendo a peça mais substituível em um processo de desenvolvimento de software, e a qualidade do produto final fica a cargo de camadas e mais camadas de gerenciamento e metodologias que muitas vezes garantem qualidade apenas no papel. Aliás, em geral qualidade é algo que serve apenas para vender, ficar bonito na foto.

Qual é o seu papel na inovação tecnológica de sua empresa?

De todas as empresas de tecnologia que você conhece e admira, quantas surgiram da cabeça de um executivo que fez uma extensa pesquisa de mercado? Quantos produtos que causaram revoluções em uma indústria são resultado de anos de pesquisa e aprimoramento de um processo de manufatura?

Pode procurar, eu espero.

Achou algum? Eu sou capaz de apostar que não. E não é por culpa do seu mecanismo de busca favorito. A resposta é mais simples: produtos e idéias que revolucionam mercados (e que no processo deixam seus autores ricos) são desenvolvidos à margem dos objetivos e planos daqueles que fazem parte do establishment.

O iPod, o Ford T, o algoritmo do Google… todos eles surgiram da cabeça de alguém que estava buscando um meio diferente de resolver um problema. Em muitos casos, tudo partiu de um conceito simples, desenvolvido por alguém que apenas observou a forma que as pessoas trabalhavam e intuiram que uma solução melhor era possível.

Tente fazer isso para a sua empresa. Leve uma proposta de uma nova idéia para o seu chefe e veja a sua reação. Mesmo se for uma boa idéia, seu chefe não vai se entusiasmar em implementar algo que pode custar a cabeça dele se der errado. Antes de fundar a Apple, Steve Wozniak pediu a seu chefe para desenvolver o computador dentro da HP, que era seu empregador. Só depois que a HP abriu mão da idéia é que Woz se juntou a Jobs rumo a seu projeto bilionário.

Ainda hoje, grandes empresas se mostram eficientes em gerenciar e manter negócios já existentes, mas péssimas na criação de valor e novas riquezas.

Antes que você se pergunte “E eu com isso?” e volte para o seu jogo de WoW (ou Winning Eleven se você for menos geek do que gostaria de admitir), tente refletir um pouco sobre o seguinte: como trabalhar em uma grande empresa de tecnologia hoje, se a inovação contínua é algo que não costuma ser bem feita dentro da empresa?

Tom Peters é um cara que já pensou bastante no assunto.

Para o leitor que prefere ler toda a API do Java a ler algo sobre o mundo corporativo: Tom Peters é tido como um dos gênios de administração e negócios. Parte dos seus princípios está justamente em explicar porque grandes empresas não devem ter medo de derrubar seus próprios negócios estabelecidos. É o que é chamado Destruição Criativa.

Transcrevo uma de suas pílulas de sua sabedoria: Contrate os Freaks.

Never hire a human being who had a 4.0 (NT: 4.0 é a nota máxima na faculdade americana) in college. If they had a perfect GPA, it means they bought the act and never screwed around. Now a 2.0 is probably not so good. But the ones who had 3.0, yeah! Those are the freaks you want!

Fica mais bonito quando as palavras são dele, não? Além do mais, ele te cobraria milhares de dólares por palestra, enquanto meu texto sai mais barato que um dogão no Pacaembu. Mas a mensagem é a mesma: as empresas que quiserem continuar relevantes no seu mercado de atuação precisam dar espaço para pessoas com pensamento criativo, fora do lugar comum.

Como eu estou começando a escrever agora e preciso mostrar serviço, eu vou dar uma dica bônus: se você for um dos “freaks”, objetos de desejo de Peters, você é muito mais importante para a empresa do que vice-versa. Use isso a seu favor!

A lógica é simples: uma Grande Empresa ™ já tem um negócio estabelecido, e tem que gastar muita energia (pessoal, recursos, departamento judiciário, lobby, marketing) na manutenção desse negócio. Além disso, eles precisam de você se quiserem pensar o Futuro. Em troca, eles lhe prometem um salário e um crachá. Lucro e Risco provenientes do seu trabalho são diluídos, já que seu trabalho vai ser composto com o trabalho de todos os outros, do Diretor até o Office-Boy.

Mas, sendo o “freak” que é, você só tem a ganhar se trabalhar sozinho ou com um número reduzido de pessoas, preferencialmente “freaks” como você. O risco aumenta, mas as chances de lucro aumentam ainda mais.

Considere que o “risco” em questão em casos de empresas que tem custo baixo de operação, como um negócio online, é apenas a possibilidade de ficar sem o salário da empresa. Diante de uma lógica dessas, aceitar o salário da empresa (por melhor que seja) parece-me um roubo!

Pode levar tempo para que mais pessoas percebam isso. E mais tempo ainda para que as pessoas façam essa transição na forma de encarar a sua vida profissional. Mas esse é um processo que já está em curso, e aqueles que agirem mais rápido vão ser mais beneficiados.

Agora, cabe uma pergunta: quem você quer ser? O Diretor da Empresa que não vai encontrar talentos que aceitem trabalhar (a não ser em troca de um gordo salário e benefícios) na sua empresa, ou o freak que aprendeu muito mais que as respostas para as provas da faculdade e entregou todos os projetos no prazo?

Carreiras? Para onde nós vamos, não precisamos de carreiras.

Então, você está aí, feliz no seu emprego. Ao invés de passar seus sábados no posto de gasolina tomando coca-cola com vodca barata, você já conversa com seus amigos pelo msn ou pelo celular sobre o “Happy Hour”. Ao invés de fingir que estuda no laboratório da faculdade, você passa seus dias envolvido com sua atividade profissional. E todos sabemos qual é o dia-a-dia de um profissional: programar 20 linhas de código enquanto descansa após 6 horas de vídeos do YouTube. Isso que é vida!

Ou então, a empresa que você trabalha bloqueou o acesso aos seus passatempos favoritos, e você acabou caindo no log4dev. Quem sabe aqui (você espera) tenha algum post que possa te ajudar a resolver aquele bug idiota que só acontece quando o usuário está logado usando a versão 6.6.6 do IE, num teclado DVORAK acentuado. Você sabe que esse bug não vai melhorar o produto em absolutamente nada, mas seu chefe falou que é muito importante para que o produto esteja de acordo com as normas de acessibilidade do Curdistão, então é bom você, ao menos, encontrar informação suficiente que te permita ter uma justificativa para fugir do bug e marcar como WONT_FIX sem correr o risco de ir para a rua.

Ou então, você é um adolescente metido a esperto que fica buscando textos na internet que possa copiar para o seu site, na tentativa de aumentar em R$2,20 a sua renda mensal com a tonelada de AdSense que recheia o seu “blog”.

Dá trabalho, não?

Vale a pena? Gastar todo o seu empenho e seu conhecimento em um sistema de contabilidade que usa WebServices para a emissão de notas fiscais do açougue do seu tio? Ficar caçando o último rootkit para plantar um backdoor no computador do cara chato da sua escola só porque ele te deu um humilhante “Pedala, Robinho” seguido de um cuecão, quando você finalmente tomou coragem para falar com a Jéssica-aquela-menina-bonitinha-da-sua-turma. Vale a pena?

Talvez não seja o que você queria fazer. Talvez a necessidade de pagar a pensão para a filhinha que você teve aos 18 anos de idade seja maior que as suas paixões pelo seu projeto de computador foto-iônico. Talvez seu emprego seja apenas uma forma de garantir que você tenha dinheiro para financiar seus outros sonhos: sua banda de rock, sua TV de plasma de 183 polegadas, seu Dodge Dart 1981 original. Talvez a sua única ambição quando se interessou por tecnologia era encontrar uma forma de espiar o cara chato da sua turma e poder divulgar no meio da sala de aula o vídeo em que ele faz caras e bocas enquanto dubla uma banda Emo. Talvez o dinheiro do seu salário seja o que você precise para comprar o amor da Jéssica, que agora está trabalhando numa casa que usa neon vermelho para compensar a péssima iluminação natural.

Não importando o seu motivo, o que importa é que você está aqui e agora lendo esse texto.

Mas, se você se importa com o seu trabalho e com aquilo que você produz, será que a melhor alternativa é procurar e aceitar o primeiro emprego que te oferecerem?

Se você acredita na proposta da empresa que pretende trabalhar, tudo que posso dizer é “Vá com fé, irmão computeiro”. Desenvolva todo o seu potencial, coloque todo o conhecimento acumulado e mostre ao mundo o produto do seu suor. E não esqueça de comentar o código.

Mas se você está apenas trabalhando na esperança de receber o cheque no fim do mês, ou esperando a promoção para tentar fazer alguma mudança na empresa e impor a sua marca, há muito mais que pode ser dito.

Por exemplo, há de ser dito que um jovem recém-formado pode, hoje - a um custo muito baixo ou próximo de zero - montar a sua própria empresa e desenvolver produtos que o tornem mais rico que qualquer profissional de carreira.

Podemos dizer que não há mais, na prática, falta de recursos para que uma pessoa possa sozinha trabalhar na sua idéia.

Podemos dizer que um avanço rápido na forma de interação entre as pessoas e a forma de se fazer negócios está em curso, graças ao open source e as tecnologias distribuídas. E, mais importante, o acesso a essas ferramentas é universal. Qualquer um pode mudar o mundo, se quiser.

Mas, hoje, a única coisa que vou dizer é que há muitos que já estão antevendo o resultado dessas mudanças, e estão trabalhando para colocar essas novas propostas em curso. Um destes é Paul Graham, que fez sua fortuna através de sua própria startup, e agora trabalha investindo em novos talentos, sendo um facilitador de novos projetos. Contratar é Obsoleto é uma tradução de um de seus textos, no qual ele explica porque pode ser melhor para uma pessoa jovem que ele monte a sua empresa, ao invés de seguir a idéia tradicional que um recém-formado precisa entrar para uma corporação.

Sempre que eu precisar fazer um intervalo dos meus planos de dominação mundial através da minha startup, pretendo trazer algo para cá.

Até mais, e não se esqueça de comentar o seu código: é um saco ter que desvendar o que você quis fazer naquela função de 2739 linhas.

WebFaction

Sugestão para pessoas a procura de um bom servidor para hosting de aplicações web e sites: WebFaction.

Motivos? Vejamos:

  1. Suporte total a Python e Ruby.
  2. Acesso via SSH liberado.
  3. Shell com recursos UNIX liberado.
  4. Painel de controle extremamente eficiente, que permite criar aplicações web de forma muito fácil: defina uma porta local onde a aplicação estará escutando e defina uma URL para redirecionamento (subdomínio ou subdiretório). Pronto, sua aplicação está no ar! O painel oferece uma lista bem grande de pacotes conhecidos (Turbogears, Django, Rails, Wordpress, mod_python e CGI entre outros), e permite definir aplicativos próprios (custom).
  5. Velocidade de acesso e qualidade de link excelentes.
  6. Excelente taxa de transferência e espaço em disco.
  7. Suporte e documentação bem eficientes.
  8. Preços bem acessíveis (a partir de $7.5 por mês)
  9. Definição clara da quantidade de RAM permitida para cada pacote. Isso é algo que eu não vi até agora em nenhum outro provedor nesta faixa de preços! No plano que eu contratei por exemplo (shared 3) eu tenho direito a rodar processos que consomem até 120MB !!!! Além de ser uma quantidade excelente para executar qualquer site normal ou aplicação web média (blog, CRM, etc..), o sistema define bem as regras do jogo.

Tentei achar um décimo ítem para poder chamar este artigo de “10 coisas que eu gosto no Webfaction”, mas acho que estes 9 são amplamente suficientes para justificar a minha sugestão.

Gerenciamento de Equipes

Há um bom tempo não publico aqui nenhum texto mais pessoal, com opiniões realmente minhas. Falta de tempo. Preguiça…assumo. Não que eu ache que não publicar minhas idéias seja uma grande perda para o mundo. Mas tendo um blog, me parece algo importante pelo menos para manter as aparências….

Esse preâmbulo não significa que hoje eu vá publicar algo meu. É só para justificar :-) Vou reciclar idéias alheias.

Acho que já citei várias vezes textos do Joel Spolsky. Ele é um computeiro que escreve bem, e que sabe vender seu peixe. Coisa não muito fácil de se encontrar hoje em dia.

Os três últimos artigos dele (The Econ 101 Management Method, The Command and Control management Method e The identity Method) falam sobre diversas técnicas de gerenciamento de projetos e equipes, e discute como conseguir que uma equipe de pessoas trabalhem para alcançar um mesmo objetivo (no jargão gerencial, que eu acho ridículo, o termo seria alinhamento). São fáceis e agradáveis de serem lidos, e passam bem claramente as idéias.

Aproveito para citar um caso de problema de comunicação intrínseco de computeiros. Ontem fui à minha incursão semanal à FNAC, e acabei dando uma passada na sessão de livros de informática. Dei uma folheada num livro sobre Ruby, escrito por um brasileiro, e devo dizer que raramente vi algo tão mal escrito. O ponto culminante do texto foi na frase onde ele dizia que a linguagem Ruby é menos verbosa que outras (ou algo do gênero)..guardei o livro e fui ao cinema

Voltando das férias

Após 3 semanas de férias, ainda não entrei no ritmo de trabalho e meu lado geek tá meio fraco e enferrujado :-) Mas só pra retomar o hábito de escrever aqui, segue o link de um artigo que eu achei interessante do Joel Spolsky sobre o problema de precificar softwares. Ele trás bons elementos para pensar no problema. Provavelmente quem já fez um curso de economia, mercado e coisas correlatas irá achar inútil. Mas eu não fiz nenhum curso desses….ou melhor, fiz, mas não de uma forma que pudesse render frutos mais tarde. If you know what I mean.Para ler o artigo, clique aqui

Think Different

Lendo alguns artigos sobre os novos Macs, caí num artigo falando sobre spots comerciais da Apple. Graças às maravilhas do Hipertexto (também conhecido como link em uma webpage), descobri um site com muito material sobre a Apple…posteres (ou será posters ?), objetos, fotos, e vídeos. (os vídeos podem ser encontratos em The Apple Collection Quicktime Movies @ The Apple CollectionEntre os vídeo, dois me chamaram a atenção: um da campanha Think Different, e um lançado em 1984, sobre os novos Macs. Vale a pena dar uma olhada.

Mac com Intel

Revendo meus posts neste blog, percebi que não tem nada sobre Macs. Quem lê nem percebe que sou um macmaníaco de carteirinha, sempre tive macs em casa (um SE, um Performa, um iMac, um Powerbook 5300 e em breve um G4..ou intel…who knows !), e a idéia de ter um computador pessoal rodando algo que não seja Mac OS (sobretudo depois do X) me é totalmente desagradável.Mas antes tarde do que nunca. Eis o primeiro post….Depois da notícia da troca dos processadores IBM G5 por processadores Intel, a Apple acaba de lançar os primeiros iMacs com processadores Intel. Alguns sites relacionados:

Apple - iMac
Jobs: New Intel Macs are ’screamers’ | Tech News on ZDNet
Apple lança primeiro iMac com processador Intel - 10/01/2006

Além disso, os novos laptops mudaram de nome…se chamarão MacBooks. (Mac Rumors: Intel Transition, MacBook Name, and Windows on Mac?, Apple - MacBook Pro )

Nesse momento, acabo de decidir que irei esperar mais um tempo antes de comprar meu laptop.

Filosofia de trabalho - Aprendendo com Open Source

O texto What Business Can Learn from Open Source discute como é possível que projetos Open Source, desenvolvidos por programadores do mundo todo (em geral trabalhando de graça), podem competir em pé de igualdade com programas desenvolvidos por multinacionais (que investem milhões), e como isso pode ser utilizado como filosofia de trabalho para empresas e pessoas em geral.

Stallman, Linux e Politica

A ZNet publicou uma entrevista muito interessante com Richard Stallman, onde ele fala sobre o movimento Software Livre, sobre o sistema Linux (ou melhor, GNU/Linux) e sobre política. Longo, mas bastante interessante. Vale ressaltar a explicação entre as diferenças dos movimentos de Open Source e Free Software, e a menção à UNIVATES e ao SAGU.

Clique aqui para ler o artigo.

PS: Agradeço ao Danilo, que me indicou o texto.

Página de 1 milhão de dólares

O interessante da internet é que todos podem desenvolver suas idéias, por mais loucas que sejam. E melhor ainda: sempre se pode encontrar alguém disposto a bancar as ditas cujas.

A 1 million dollar home page é um exemplo disso. Um estudante americano resolveu criar uma página para vender pixels. Ou melhor , blocos de 10×10 pixels a 1 dolar cada pixel (ou seja, 100 dolares cada bloquinho). Em cada bloco comprado, o comprador ganha um link para sua homepage, e pode colocar um logo, desenho, símbolo, ou qualquer outro elemento gráfico que caiba no espaço contratado. Qual a vantage para o comprador ? Link para sua página. E um link para uma página, na lógica da internet dominada pelo sistema de busca do google, é extremamente importante. (Quer saber porque ? Leia o artigo sobre o google rank aqui)

Resultado: o cara vendeu 800.000 dólares.

Um dia ainda vou ter uma idéia dessas.

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