Archive for the 'Negocios' Category

A grama do vizinho

Eu ando meio ausente deste blog. Percebo que a atividade de escrever requer tempo, e sobretudo, ócio criativo. Raramente consigo escrever um texto entre uma atividade e outra, menos quando são textos com notícias breves, como este sobre o Job4Dev no UOL. E o leitor há de se perguntar: “o que toma tanto o tempo deste pobre rapaz?”.

Respondo: o SigaSeuTime, startup que vem crescendo de forma animadora e que me tem tomado todo o tempo livre fora do horário comercial (sim, porque no horário comercial eu brinco de desenvolver sistemas de controle de tráfego aéreo, que ainda é a minha fonte de renda principal…e única).

Mas, acreditem, não passa um dia sequer sem que eu pense que deveria me dedicar mais a este espaço. E não passa um dia sequer sem que eu leve sermão do Raphael por não meter mais a mão no Job4Dev (assumi o papel de captador de vagas…). Mas isto é assunto pra outro dia.

Vou aproveitar o momento de inspiração para relatar uma experiência que tive recentemente trabalhando com o SigaSeuTime, que me parece interessante.

O ditado “A grama do vizinho é sempre mais verde” se aplica a quase todas as áreas do comportamento humano: nós temos uma tendência a achar que o que os outros têm é melhor. Em termos de linguagem de programação, o fanatismo de certos grupos tende a contrariar este ditado: é muito raro algum fã de uma linguagem admitir falhas, e ver outras opções como sendo mais eficientes, modernas, seguras…

Eu já comentei em algum outro texto que o conjunto Python/Django funcionou como um catalizador da minha capacidade produtiva/criativa. Sempre tive várias idéias (não forçosamente boas) mas tinha uma grande dificuldade de colocá-las em prática em Java (que é a minha linguagem de atuação profissional), e Python me permitiu concretizar algumas de forma rápida e eficiente.

Hoje, depois de uma boa quantidade de linhas de código escritas nesta linguagem, das quais a grande maioria em produção de forma estável  no SigaSeuTime e no Job4Dev, me pego pensando em algumas características presentes em linguagens como Java que eu sinto falta. Na verdade, existe uma principal: tipagem de parâmetros de funções e métodos. Apesar dos amantes de Python me dizerem por meio de comentários que eu preciso mudar minha forma de pensar, ainda acho que tipagem de parâmetros facilita a leitura de códigos alheios, e que sobrecarga de métodos é um recurso bastante elegante e útil.

Por vários motivos, incorporei um subsistema em Java dentro do SigaSeuTime, que implementa uma das plataformas. Este subsistema foi desenvolvido por um programador freelancer, e recentemente tive que mexer no código para fazer algumas adaptações. E foi um ótimo estudo comparativo de ambientes: Java/Eclipse vs Python/Emacs (já testei Python/Eclipse, e não vi grandes vantagens…). Cheguei à conclusão de que, no quadro da minha startup, entre a rede de proteção gigantesca oferecida por Java e a rapidez de desenvolvimento oferecida por Python, eu ainda prefiro a segunda opção.

Não trabalhei em projetos com muitos desenvolvedores em Python (no máximo, eu e mais um ou dois), e tenho certeza de que a rede de proteção de Java evita muitos problemas potenciais de gente mexendo onde não devia, chamadas erradas, etc… Mas como eu sempre trabalhei com pessoas de alto nível no SigaSeuTime e no Job4Dev, a eficiência do ciclo de desenvolvimento/deploy do Python (e das linguagens de script dinâmicas em geral) me parece ser muito vantajosa em um projeto onde o importante é desenvolver rápido para colocar em produção rápido.

E quando eu digo rápido, significa eventualmente resolver um bug no código em produção, através de um Vi ou Emacs rodando em um terminal SSH. Sim, eu já fiz isso mais de uma vez, para o desespero de muitos dos leitores deste blog e defensores de CMMIs da vida.

Grandes empresas precisam implementar processos e mecanismos de controle para organizar o crescimento (muitas vezes desordenado) de pessoas, muitas vezes acompanhado pela redução da qualidade média dos desenvolvedores.

Em ambientes pequenos de startup, onde é possível imaginar uma equipe apenas composta por boas pessoas, os controles e processos são desnecessários e muitas vezes indesejáveis. Neste contexto, todas aquelas preocupações enterprise padrões devem ser deixadas de lado, e os participantes do projeto devem focar suas energias em apenas duas coisas: tornar o projeto uma realidade e trabalhar para que ele seja viável economicamente. O resto é resto…

.net.br liberado

Email recebido do Registro.br

Em 2008 o DPN .com.br tornou-se um DPN “genérico”, passando a aceitar registro tanto de pessoas jurídicas como de pessoas físicas. O mesmo foi decidido pelo Comitê Gestor quanto ao domínio .net.br. Assim, esses dois DPNs, o .com.br e o .net.br, aceitarão registros tanto de pessoas jurídicas como de pessoas físicas.

Em 6 de abril de 2009 inicia-se a operação do .net.br como DPN genérico.

Para que se garanta um início suave de operação e se preservem direitos, durante os primeiros seis meses (“sunrise period”), os domínios existentes no .com.br, que tenham sido registrados antes de 6 de abril estarão reservados no .net.br, a espera de manifestação de seus detentores no .com.br. Ou seja, os detentores de domínios no .com.br terão seis meses, a partir de 6 de abril e até 6 de outubro para, manifestando seu interesse, registrar o mesmo nome sob o .net.br.

Findo o período de “sunrise”, a partir de 27 de outubro, os domínios para os quais seu detentor no .com.br optou por não registrá-los no .net.br estarão disponíveis para registro a todos.

iPhone: preços definidos.

A Folha confirmou: Vivo e Claro lançam no dia 26 (vulgo amanhã).

Preços: de 1000 a 3000 na Claro, e de 899 a 2199 na Vivo.

Acho que não será agora que terei meu iPhone. Muito caro!

JS, e a batalha pelo controle da tecnologia web

Há algum tempo atrás, eu escrevi aqui sobre a nova especificação do Javascript, oficialmente conhecida como ECMAScript 4.0. Esta versão pretendia modernizar a linguagem, que estava congelada desde 1999 na versão 3.0 (também conhecida como Javascript 1.5). Na semana passada, esta versão foi oficialmente abandonada: o motivo foi uma longa batalha, que colocou em campos opostos alguns grandes players da internet mundial.

Entre as empresas que apoiavam a versão 4.0, estavam Google, Mozilla (que inclusive criou o projeto Tamarin, cujo objetivo foi criar uma implementação de um engine JS 100% compatível com esta nova especificação), e Adobe. Esta última tinha um interesse especial nesta nova especificação, já que internamente, seus engenheiros chamavam a nova versão de ActionScript 3.0.

ActionScript é, como todos sabem, a linguagem utilizada para desenvolver programas em Flash, tecnologia amplamente adotada na Internet. A Adobe tinha como planos fazer com que a nova especificação de Javascript fosse compatível com a sua própria linguagem de script. Conseguiria assim dois feitos: primeiro, rebateria as críticas daqueles que a acusavam de querer tornar a web um mundo proprietário. Segundo (e talvez o feito mais importante), unificaria as duas mais populares tecnologias  das duas tecnologias da Internet moderna: Flash e a linguagem que se tornou o pilar básico do AJAX e por consequência da tão falada Web 2.0.

Do outro lado desta batalha, estava nada menos do que a poderosa Microsoft, que luta para se firmar como uma empresa com um real poder de fogo e de influência sobre a grande rede mundial. Oficialmente, o argumento é de que a nova especificação representa uma evolução muito radical em relação à versão anterior, e que o melhor seria focar em desenvolver uma versão 3.1 inicialmente, e depois trabalhar em uma versão mais modesta da especificação 4.0. Devo dizer que concordo com a opinião de que a nova especificação era muito complexa, introduzindo uma quantidade bastante grande de conceitos e palavras chaves.

Mas a realidade é que a Microsoft, representada por Allen Wirfs-Brock, não quer ver uma outra empresa impor sua tecnologia como standard da Internet. E por enquanto conseguiu, como mostra o este trecho do comunicado oficial de Breidan Eich, membro do comitê executivo para definição da ECMAScript:

1. Focus work on ES3.1 with full collaboration of all parties, and target two interoperable implementations by early next year. 2. Collaborate on the next step beyond ES3.1, which will include syntactic extensions but which will be more modest than ES4 in both semantic and syntactic innovation. 3. Some ES4 proposals have been deemed unsound for the Web, and are off the table for good: packages, namespaces and early binding. This conclusion is key to Harmony. 4. Other goals and ideas from ES4 are being rephrased to keep consensus in the committee; these include a notion of classes based on existing ES3 concepts combined with proposed ES3.1 extensions.

It’s the people, stupid

Agora que eu estou morando bem longe do eixo São Paulo-Campinas, acho que posso ficar mais à vontade para ser um pouco mais incisivo nos meus comentários. Mesmo que as besteiras que eu fale aqui acabem sendo muito in your face e irritem demais algum dos meus 4 leitores a ponto de deixá-los com vontade de partir pra porrada, me sinto mais seguro.

Por quê? Primeiro, as 9 horas de vôo vão fazer com que o sujeito esfrie um pouco a cabeça. Segundo, ao chegar aqui o sujeito provavelmente vai querer aproveitar pra passar numa loja de eletrônicos e comprar um iPhone 3G baratinho, baratinho. Terceiro e mais importante: nerd bravinho e partindo pra briga é a coisa mais ridícula do mundo, and I can take you all.

Mas vamos deixar de papo-furado e partir pra primeira de uma série de agressões verbais não-solicitadas: a culpa é sua se o Brasil é um lugar tão difícil para fazer novos negócios, imbecil.

É isso que eu estava pensando quando eu vi o post no Pythonologia, sobre a falta de inovação na web do Brasil. Não, a culpa não é do Osvaldo, longe disso. É sua mesmo, leitor, que está sentado no seu cubículo, reclamando da falta de oportunidades e do tanto que a empresa faz você trabalhar para garantir o seu salário “suado” do mês.

Armchair entrepreneur, é isso que você é. Bundão.

Sim, o governo é irresponsável e gasta erradamente as toneladas de recursos que arrecada através dos impostos. Sim, há muita burocracia. Sim, há pouco incentivo para querer trabalhar duro em um negócio próprio num país em que impera a Lei de Gérson. Sim, os custos de infra-estrutura no Brasil são absurdos. Sim, o ensino (básico e superior) no Brasil é uma lástima.

Mas vou te contar uma coisinha: nada disso importa mais, para quem não tem medo de arregaçar as mangas e mostrar sua capacidade para trabalhar e produzir riquezas. Pior de tudo; não é a primeira vez que eu digo isso.

Todas os problemas citados pelo Osvaldo existem realmente, mas podem muito bem ser evitados ou postergados. Na “web 2.0″, podemos deixar a papelada de abertura da empresa pra depois que você tiver um fluxo de caixa significativo. Podemos contratar um datacenter no exterior (é o que nós fizemos)  e fugir dos planos ridículos aqui oferecidos.

Dependendo da idade e da situação da pessoa que quer trabalhar em um projeto novo, podemos até reduzir nosso custo de vida para não precisar tirar dinheiro do próprio bolso durante a fase embrionária do projeto. Bastaria chegar para seus pais e falar: “Pai, Mãe, posso pegar o meu quarto de volta e morar com vocês enquanto o projeto que estou desenvolvendo não gera renda?”. Na verdade, já que fazemos parte da geração-canguru, há uma boa chance que você já esteja morando com os velhos mesmo, não é?

Sabe qual é a única coisa que não podemos contornar, o único recurso que nos falta? Pessoas dispostas a correr riscos. Pessoas que entendem que perder algumas batalhas é do jogo. Pessoas que fazem os sacrifícios necessários para alcançar um objetivo maior.

E como você não é esse tipo de pessoa que faz tanta falta no Brasil, podemos concluir que você é parte do problema e não da solução, malandro.

Ah, nem pense em dar a desculpa do “eu tenho família e filhos para sustentar, não posso correr riscos”. Toda pessoa que trabalha com investimento sabe que a exposição ao risco é algo calculado. Nem pense em dar essa desculpa patética, enquanto você fica medindo com seus amigos o quanto de retorno você está tendo na sua carteira de ações.

Mesmo quem não pode largar o seu emprego e montar a sua própria empresa pode assumir uma postura que promova o empreendedorismo e a inovação. Você não precisa largar o seu emprego para financiar um projeto Open Source, ou para se tornar um Angel Investor. Ou para juntar-se com um grupo de outros colegas da sua empresa e investir dinheiro em pessoas mais novas que tenham projetos ousados. Risco e recompensa são sempre proporcionais; você pode pensar em diminuir um pouco a sua quantidade de papéis da Petrobrás (que não precisa do seu dinheiro, anyway) e passe a investir em algo muito mais arriscado: startups. Quem sabe você não está diante do próximo Google?

Não quer colocar dinheiro? Torne-se mentor de um garoto na faculdade onde você estudou. Compartilhe com ele a sua experiência, a sua visão do mercado, a sua opinião a respeito das mudanças na sociedade que a tecnologia traz, etc. Em um mundo onde o custo operacional é nulo, essa ação pode ser ainda mais valiosa do que hard cash.

Pra encerrar, deixo as palavras do grande filósofo Ben Parker: “com grande poder, vem grande responsabilidade”. Qualquer pessoa que tenha conhecimento e técnica em mãos tem grande poder. Esse é o nosso caso. Cabe a nós, agora, saber usar esse poder de forma correta e responsável.

Vamos dar uma espiadinha?

A frase do título foi imortalizada por Pedro Bial no horroroso Big Brother Brasil (que, confesso, assisti assiduamente nos primeiros anos).

Fato é que o ser humano é curioso, voyeur por natureza. O ser computeiro mais ainda. E a dúvida que bate na cabeça de muitos de nós é “Quanto ganha um engenheiro de SW numa empresa top como Google, Apple ou Microsoft?”

Bem, o site GlassDoor.com tem como proposta amenizar esta dúvida cruel, trazendo informações de funcionários anônimos das próprias empresas como salários por posição, opiniões sobre CEOs e nível de satisfação. Fico só imaginando o funcionário chegando no site, com sua voz de pato e a cara quadriculada… :-)

Ja é possível dar uma espiadinha em empresas como Google, M$ e Yahoo.

Impressões da Discovery ‘08 – Parte 2

Um tempo atrás eu descrevi minhas impressões sobre a Discovery’08 e prometi continuar sobre mais uma palestra e o painel que assisti. Demorou um pouco mais do que esperado, mas felizmente eu consegui achar onde tinha deixado minhas anotações e lembrar dos pontos que queria comentar. Mas melhor do que isso, eu descobri que os organizadores fizeram podcasts de algumas palestras e discussões e colocaram à disposição no site. Então, quem quiser pegar o conteúdo na integra é só baixar os podcasts (estão em inglês).

Primeiro vamos à palestra do ministro da pesquisa e inovação de Ontario, Honorable John Wilkinson. Ele falou durante o almoço, o que não é muito agradável, mas a minha primeira impressão foi: como os políticos sabem falar bem! Não que os outros palestrantes não soubessem falar ou tivessem problemas no palco, mas o políticos são especialistas em falar as coisas de um jeito que parece até que eles realmente estão entendendo detalhes de todos os assuntos, mesmo que seja somente um texto escrito pelo assessor.

Mas falando do conteúdo, duas coisas me chamaram muito a atenção. Primeiro foi que o evento contava com enviados das embaixadas da China e da Índia. Nisso eu fiquei pensando: onde estaria o representante brasileiro? O governo brasileiro envia representantes para eventos os mais esdrúxulos possíveis, mas será que ninguém da embaixada em Ottawa ou do consulado em Toronto sabia desse evento e/ou se interessou por ele? Qual seria o motivo da missão brasileira no Canadá, somente dar suporte à cidadãos brasileiros, ou participar mais ativamente em parcerias que podem trazer benefícios enormes para o país? O Canadá não tem uma economia comparável, em tamanho, à dos EUA ou da Europa, mas é não é de se desprezar, como nossos concorrentes chineses e indianos sabem muito bem. Segundo o ministro, Ontario é o distrito do G8 (e possivelmente do mundo) com maior densidade de graduados em universidades (distritos seriam estados ou províncias, já que provavelmente existem focos menores com maior densidade). Isso significa um grande potencial de crescimento na região, já que conta com muita mão de obra qualificada (e um governo que, apesar de todos os problemas, tenta ajudar).

O segundo ponto interessante tem relação com os incentivos do governo provincial para a criação de novos negócios. Existem inúmeros projetos, mas dois chamam a atenção. Primeiro, o governo tem um projeto com um fundo de alguns bilhões de dólares pra investir em empresas de tecnologia. O interessante é que, se você tem um projeto e aplica para conseguir fundos, o governo garante que responde em 45 dias. Isso é realmente impressionante, pois avaliar um projeto desses sempre requer contatos com especialistas e outras milhões de burocracias atrapalhando. Segundo o ministro, o governo quer ser um “parceiro” que anda na “velocidade da nova economia”. Segundo, novas empresas que são baseadas em tecnologia própria tem 10 anos de isenção fiscal. Isso é o governo trabalhando pra ajudar as empresas, não pra chupar o sangue delas! Na minha última ida ao Brasil eu conversei com um amigo que abriu uma empresa de tecnologia. Ele me disse que cerca de 40% dos gastos da empresa eram impostos, desde taxas diretas da venda até encargos para os empregados. Se o governo cortasse esses impostos para empresas recém criadas, ele teria 40% mais investimento pra crescer! E depois o governo poderia reter 20% de impostos de um bolo muito maior. É claro que tem-se que tomar muito cuidado com essas medidas, senão vão surgir milhares de empresas se recriando a cada dois anos pra ficar sempre na categoria de “novas empresas”, mas eu imagino que algo bem pensado nessa direção seja muito proveitoso.

Bem, vamos ao painel então. O título era “Failures on the Road to Success” (literalmente, fracassos no caminho do sucesso). A proposta era basicamente discutir como fracassos fazem parte da busca por sucesso, principalmente em áreas muito imprevisíveis (veja no último texto sobre os Black Swans). Os palestrantes não entraram muito em conflito e todos eles defendiam a tese de que fracassos anteriores são considerados positivamente no vale do silício por analistas de investimento. Isto é, quando alguém vai analisar se vai pôr dinheiro na sua idéia, você ter feito uma besteira anterior é positivo, pois você ganhou experiência, talvez perdeu dinheiro (dos outros), mas tem mais chance de dar certo agora. Infelizmente, e isso eu achei o ponto fraco da discussão, nenhum dos palestrantes admitiu realmente ter fracassado feio. Somente um deles contou um caso em que o fracasso inicial no fim se transformou num sucesso (ele apostou na moeda errada, mas depois de alguns anos ela se tornou a certa). Ou seja, não sei até que ponto é só glamour essa idéia de glorificar o fracasso passado.

Mas outras duas mensagens curtas do painel também foram legais. Primeiro, eles pisaram e falaram mal de venture capitalists. Disseram que eles não estão nem aí para o seu negócio, tudo que querem é retorno do investimento, etc, tudo aquilo que a gente já sabe, mas é sempre bom repetir: no melhor dos mundos, cresça o quanto der, até sua empresa ter o máximo possível de valor de mercado antes de procurar investidores. Segundo, eles disseram nua e cruamente: cientistas da computação não sabem fazer negócios. Isso não significa que não existam computeiros que possam ser ótimos homens de negócios, mas simplesmente que o tipo de treinamento e skills necessários pra ser um bom manager, para negociar com clientes, etc, não é exatamente o que é ensinado em um curso de computação. A dica é, se você entende muito de tecnologia e sabe muito bem como desenvolver produtos, se concentre nessa área e se associe com uma pessoa que é especialista em vender a sua tecnologia e o seus produtos. Mais uma que a gente já sabia!

Google Doctype. Don’t Be Evil. Be Geniously Diabolical.

Ok. Tem coisas que a gente tem que tirar o chapéu: o Google lançou um site que contém material de referência para todas as tecnologias usadas por desenvolvedores web. Tudo que você pode vir a precisar saber sobre (X)HTML, CSS e Javascript foi juntado no Google Doctype, lavado, passado, engomado e posto em uma bela forma de apresentação e navegação. Não basta isso, eles liberaram o próprio código de Javascript que eles usam para sites como Gmail e Google Maps. Pouca coisa, né?

Mas, por favor, não seja um geek-cheerleader da empresa que aparenta ser boa-moça. Você vai ver por aí um monte de gente falando sobre o quanto eles são legais, dão coisas de graça, entregam presentes no Natal… Não caia nessa. Uma jogada assim não é altruísta. É estratégia.

Empresas inteligentes comoditizam produtos complementares aos seus.

Há um artigo de Joel Spolsky que ele mostra brilhantemente o porquê do interesse das grandes empresas pelo Open Source. Não é por benevolência ou por caridade. É estratégia, pura e simples. Consiste em fazer com que você torne produtos complementares ao seu em commodities, para que o custo de aquisição dele seja baixo, o menor possível. Quando o custo de um produto complementar ao seu é baixo, você está indiretamente tornando mais fácil a aquisição do seu produto principal.

É uma explicação para termos empresas que colocam pesadas somas em investimento em software aberto. Tomando um exemplo do artigo: a IBM é – atualmente – uma empresa que vende serviços de consultoria e desenvolvimento em TI, certo? Se você quiser contratar alguém para desenvolver uma aplicação para você, você vai ter que custear parte da infraestrutura: pessoal, máquinas, servidores, licenças de software/pacotes de desenvolvimento… tudo que seria necessário para que o produto se torne uma realidade.

Pergunta: se um cliente potencial tem um orçamento X para esse contrato, e que você sabe que esse valor terá que ser dividido entre pessoal, máquinas, servidores, IDE’s e estoque de café Pilão para os programadores, não seria melhor que o grosso desse dinheiro fosse gasto onde você tenha a maior margem de lucro possível?

Acontece que pó de café, máquinas e servidores já são commodities. Um cliente pode trocar de fornecedor sem ter grande prejuízo. Não há muito que pode ser feito aqui.

Também podemos comoditizar pessoal, sabia? Muitas das empresas de consultoria estão apenas buscando profissionais certificados justamente para que possam pensar nos desenvolvedores como peças intercambiáveis. Ao oferecer e buscar pessoas que possuam cursos e certificações, elas estão comoditizando o mercado de profissionais.

O que restaria? Diminuir o custo de aquisição de licenças de software. Ao investir em soluções Open Source, uma empresa que presta serviços de consultoria está comoditizando um produto complementar. Dessa forma, seus clientes passam a alocar mais de seus recursos naquilo que lhes interessa. Genial, não é mesmo?

Voltando ao Google…

Tudo que o pessoal do Google deseja é dominar a web como plataforma de desenvolvimento. Para isso, o que eles precisam é de mindshare. Quanto mais gente desenvolvido aplicações para web, mais o Google fica próximo do seu sonho do Cloud Computing. Quanto mais desenvolvedores trabalhando com web, mais barato fica o custo de desenvolvimento de aplicações web. Quanto mais baratos os serviços oferecidos pela web, mais o Google pode obter de faturamento em produtos como o AdWords e AdSense.

Uma empresa como a Google oferecer de graça informação que facilita o desenvolvimento de aplicações web é a mesma coisa que uma empresa como a IBM investir no Linux e oferecer ferramentas gratuitas como o Eclipse.

Estilo Microsoft de ser…

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Uma palavra apenas: ridículo….

Receitas de sucesso.

Se você perguntar qual é a melhor fórmula de sucesso a um produtor de cinema, ele certamente vai te falar sobre como arrumar os nomes dos atores, sobre quanto custa para ter um nome de peso na direção, sobre a importância de uma equipe de pré e pós-produção, do quanto vai te custar para ter uma equipe de ponta de efeitos especiais, de todos os mecanismos que devem ser evitados para evitar rejeição do público (linguagem inapropriada, temas controversos) e de elementos que podem e devem ser utlizados (você pode colocar a Jéssica Alba numa roupinha apertada e dizer que é “uniforme de super-herói”: vai agradar as crianças e aos adultos) para garantir a atenção do público.

Enquanto ele se finge de ocupado e vai em direção ao seu carro conversível, o executivo vai te contar que um bom filme, hoje em dia, não sai por menos de 100 milhões de dólares e fatura, quando muito, de 2 a 5 vezes esse valor. Nada mal, não é mesmo?

Pois bem. Ontem eu consegui fugir da frente do computador e me enfiei na frente de outra tela, desta vez para assistir Juno. Uma história simples, com personagens que resgatam meus fiapos de esperança na humanidade. Não foi nenhuma surpresa que o filme tenha recebido o Oscar de melhor roteiro, escrito pela talentosa Diablo Cody. O que realmente surpreendeu é que o filme foi feito com um orçamento de apenas US$ 2,5 milhões, e já tenha faturado mais de US$ 130 milhões. Um retorno de 5500% sobre o investimento. É o tipo de coisa que deve fazer com que o executivo ponha em xeque a sua própria fórmula de sucesso: “por que é que eu não consigo fazer algo tão bem sucedido?”

A resposta é simples: em qualquer área de negócio, compram-se todos os especialistas da indústria, mas não se compra talento. Não há como botar preço num roteiro como o que foi escrito por Diablo Cody.

Encontre e desenvolva seu talento. Expertise é secundária.

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