Eu já escrevi uma boa quantidade de linhas de código na minha vida. Talvez 100k, talvez mais. Não faço idéia. Com certeza este número diminuiu muito depois de eu ter começado a programar em Python
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E quando releio alguns destes códigos, considero que na média a qualidade é boa (e pelos feedbacks de colegas, outras pessoas devem concordar com isso). Mas se me perguntarem o que me incomoda no meu estilo de codificar (sim, porque codificar é muito parecido com escrever livros: requer prática, cultura geral, leitura de outros textos, etc…) eu responderei na lata: a minha total falta de padronização da língua utilizada na nomenclatura de classes, métodos, atributos. Até hoje eu não me decido por escrever 100% em inglês, ou 100% em português. E faço isso sem perceber.
Em tempos de internet, globalização, software livre e colaboração, me agrada a idéia de existir uma língua universal para desenvolvimento de código. Facilita o intercâmbio de informações com pessoas de outros países, permite que se entre em mundos diferentes, quebrando a barreira da língua.
E inglês é a língua ideal para isso, simplesmente porque ela é a lingua internacional de fato (talvez um dia tenhamos que codificar em mandarin, mas isso é tema pra outra conversa). Além disso, boa parte das linguagens hoje (perto de 100% eu diria) utilizam primitivas e bibliotecas em inglês, para não se falar dos padrões e codificação. Por exemplo, em Java é padrão usar getters e setters para se ter acesso à informações internas a um objeto. Fica razoavelmente ridículo escrever getMinhaVariavel…mas ainda assim, eu faço isso com certa frequência.
Isto porque, pior do que ter um código não universal (escrito em português por exemplo) é ter um código escrito em inglês errado. Eu com certeza já escrevi vários métodos que soariam ridículos para um falante nativo, e já li uma tonelada que soavam ridículo até pra mim. O problema é que, apesar de ler constantemente textos de computação em inglês e me virar bastante bem na língua do Tio Sam, na hora do cansaço ou da necessidade de termos mais rebuscados, as vezes o cérebro pede arrego. E aí vai em português mesmo. Já tive casos de precisar codificar conceitos ligados ao plantio de eucaliptos para produçao de papel, e fui atrás de termos em inglês para colheita, plantio, talhão, gleba….o resultado foi bom, mas tomou um bom tempo.
Ou seja: tenho que aprimorar meu inglês.
Em tempo: recentemente dei uma folheada em um livro sobre SCRUM, escrito em português por um brasileiro, e desisti de comprar o dito cujo quando vi um “printar” no meio de uma frase. Parece que do mesmo jeito que as vezes eu tenho preguiça de procurar termos em inglês, certas pessoas tem preguiça de escrever direito em português.
Last, but not least: a questão de escrever em inglês entrou em pauta várias vezes no Log4Dev. Temos pelo menos um expert no assunto, Lullis, tradutor nas horas vagas. Com certeza, mudar de língua tornaria nosso blog internacional, e fama e riqueza bateriam às nossas portas. Mas, por modéstia, vontade de manter uma vida calma e anônima, e falta de proficiência absoluta, decidimos manter os textos em português. Antes uma idéia bem transmitida para poucos do que mal escritas para a humanidade.
Também acho complicado codificar apenas em inglês por falta de vocabulário.
E realmente fica ridículo quando faço getMinhaVariável. rss
Link | November 27th, 2009 at 11:06
Cabia aqui o link para a página do professor que coleciona as traduções apropriadas para termos da computação.
Link | November 27th, 2009 at 18:45