Eu não consigo entender como, até hoje, ainda é possível que eu tenha problemas com coisas simples no Linux como, por exemplo, o c-cedilha.
Como já disse em posts anteriores, eu uso bastante Fedora com Gnome por questões profissionais e, até hoje, eu nunca consegui instalar um Fedora que viesse com o c-cedilha funcionando “corretamente” out-of-the-box no Gnome com as configurações de linguagem e teclado que eu uso (sistema em inglês e teclado US com deadkeys). Pelo menos não do Fedora 4 ao Fedora 10, que foram os que eu usei. Eu não me incomodava muito com isso porque, depois de um tempo, acabei me acostumando a editar na mão o arquivo /etc/gtk-2.0/i386-redhat-linux-gnu/gtk.immodules adicionando o trecho em vermelho na linha abaixo:
"/usr/lib/gtk-2.0/2.10.0/immodules/im-cedilla.so"
"cedilla" "Cedilla" "gtk20" "/usr/share/locale" "az:ca:co:fr:gv:oc:pt:sq:tr:wa:en"
como está “documentado” em vários fóruns na Internet. Eu vivia em paz com isso. A única coisa relativamente chata era ter que editar o arquivo toda vez que o gtk fosse atualizado. Como eu atualizo diariamente a minha máquina, isso acabava acontecendo vez ou outra. Mas, como eu disse, eu estava em paz com este overhead.
O único problema que eu tinha era o Skype. O Skype é feito em cima do Qt, que é uma biblioteca do KDE e, por isso, não obedece as configurações do Gnome. Lá, toda vez que eu digitava “acento-agudo-c” saia ‘ć’. Mas, tudo bem, eu nem falo com tanta gente via chat pelo Skype mesmo. Dava pra levar.
Até que, este ano, uma nova necessidade surgiu: eu precisei começar a escrever mais ativamente textos em Latex. Bom, acho que já exprimi meu descontentamento com soluções derivadas do Latex neste blog mas este não é o assunto deste post. Digamos que não havia muita escolha, então eu fui em frente. No entanto, depois de conversar com algumas pessoas, o melhor software para edição de arquivos .tex que me apareceu até agora foi o Kile. O problema é que o Kile também faz parte do KDE e, portanto, não segue a configuração de c-cedilha do Gnome. Mas, agora, isso passava a ser um problema ingerenciável. Afinal de contas, como escrever textos científicos, em português, sem c-cedilha?!
<flame>
Por favor, caso alguém saiba, ajude-me a esclarecer esta dúvida: Quem é que, por Deus, possui um ‘c’ com acento agudo em sua língua? ć?! Qual é o som disso?! Dúvido que mais povos usem ć do que ç para eles alterarem este comportamento no Linux. Antigamente (há uns 7 anos) não existia ‘ć’, porque agora existe? Me fala ai quem é que foi que alterou isso!
</flame>
Tentei resolver este “probleminha” de várias formas. No meio do caminho eu até descobri que <Alt+c> no Linux produz c-cedilha também. Quer dizer, apenas quando se usa o <Alt> direito (<Alt Gr> se não me engano), mas já é alguma coisa. Tá aí: até então eu nem sabia porque em alguns teclados os <Alt> tinham nomes ligeiramente diferentes. Afinal, porque nomes diferentes para a mesma tecla? Como eu era ingênuo…
Mas eu me recusava a me adaptar ao sistema. O sistema tinha que se adaptar a mim! Claro!
Bom, depois de ler vários fóruns, depois de tentar várias coisas, depois de perder a paciência inúmeras vezes… eu desisti. E passei a pensar que, se existem várias pessoas que adoram Mac OS e se submetem a utilizar seqüências exdrúxulas de caracteres para ter coisas como c-cedilha, eu também poderia me adaptar ao <Alt+c>. Não gosto de me nivelar por baixo, mas fazer o que? Ah, antes que alguém me jogue pedras… nivelar por baixo neste caso. Eu nem mesmo uso ou usei Mac OS, mas já li em alguns lugares no passado que esta limitação existia em teclados da Apple. E isso para mim era um ultraje para um sistema que todos diziam ser amigável.
Bom, o fato é que pouco mais de dois meses depois de me rebaixar a aceitar o <Alt+c> como solução para o c-cedilha eu nem mesmo percebo mais. Estou totalmente adaptado. Sem problemas. E sem ter que editar o arquivo de configuração do gtk toda vez que ele é atualizado.
Mas, apesar de já estar adaptado e de provavelmente não querer mais voltar atrás, eu ainda digo: no Windows eu nunca tive este problema.
Nota: Engraçado, nos últimos tempos eu ando falando mal do Linux em diversos posts. Antes que algumas pessoas achem que eu não goste do Linux, tenho que dizer que, muito pelo contrário, o Linux é o sistema operacional onde eu me sinto mais a vontade. Porém isso não quer dizer que eu não veja defeitos nele. Aliás, provavelmente eu vejo muito mais problemas nele do que em outros sistemas operacionais porque simplesmente eu passo quase que a totalidade do meu tempo na frente de computadores rodando Linux devido ao meu trabalho.
Oi,
também não entendo bem porque eles dão preferencia ao ć. Na verdade eu acho que é por ser o mais natural. Se você pensar bem, é muito estranho ganhar um ç quando você manda um ‘ pra um c. Além disso, algumas línguas eslavas usam ć ( Croata, Polonês e Bielorrusso, por exemplo).
Normalmente eu não escrevo em português, então minha configuração padrão é us. Mas eu deixo o keyboard switch ligado e quando vou escrever em português eu ponho pra us-intl. Daí só o cedilha mesmo faz falta. Então eu escrevo com c mesmo (porque na minha opinião não deveria existir cedilha, já que o contexto sempre te diz se é um c ou um ç) e o corretor ortográfico arruma.
Quanto ao Latex, não é boa prática usar acentos. Use \c{c} (da mesma forma que você deve usar \’{a}, etc). Eu sei que dá mais trabalho, mas você garante que o processador sempre vai entender o que você quer, evitando problemas de character set. Se você escreve muito em português, talvez seja melhor fazer uma macro, pois é realmente um pé no saco escrever desse jeito (eu normalmente só tenho problemas com nomes de autores, então é mais tranqüilo modificar na mão).
[]s Thiago
Link | May 17th, 2009 at 14:22
É Thiago… eu também já impliquei com algumas regras de línguas de forma geral. Não só do português. Mas com o tempo eu já consigo aceitar que a língua não é óbvia nem lógica e que minha eventual opinião sobre se devia ou não existir coisas como c-cedliha não importa mesmo, hehe. Aliás, sinceramente, hoje já acho que estas imperfeições é que dão graça a várias coisas.
Já em relação ao Latex, uso acentos sem problemas. É só ter certeza de que meu editor está corretamente configurado para UTF-8 e tudo funciona muito bem. Parece que o Kile lida corretamente com charsets. Aliás, este é o tópico de um próximo post meu que deve ir ao ar muito em breve. Pelo menos com isso eu posso dizer que não tive problemas com o Latex.
Link | May 17th, 2009 at 16:42
Então, eu uso Kile também, e nunca tive problemas quando edito meus próprios arquivos. Mas quando to escrevendo junto com outras pessoas, e elas usam Windows, já tive problemas de charset e, por incrível que pareca, de incompatibilidade de latex/bibtex. Por exemplo, o bibtex do Linux (não lembro exatamente o pacote) não aceita comentários no meio de uma entrada de bibtex, enquanto que o do Windows aceita. Então eu recebia uns arquivos bibtex que simplesmente não compilavam no Linux (e eu tinha que mover os comentários pra fora das entradas).
Quanto a charsets, realmente é um problema mais extenso, looking forward pelo seu post.
Alias, eu sou ranzinza as vezes com essas questões de língua, mas acho bem legal quando explico pra um estrangeiro que a gente usa um c estranho com uma perninha embaixo
Link | May 18th, 2009 at 16:47
Eu edito os mesmos arquivos Latex em Linux, Windows e Mac e atualmente em todos os ambientes os arquivos são compilados corretamente. Entretanto configurar os ambientes para conviverem deu trabalho. Mas esse não é o foco do comentário… tanto no Linux quanto no Mac eu utilizo o Kile. Mas no Mac estou tendo problemas não só com o cedilha mas também com acentos agudos. Não tenho a mínima ideia de onde arrumar isso
Link | May 19th, 2009 at 11:37
Um obs: no Ubuntu 9.04 está no arquivo /usr/lib/gtk-2.0/2.10.0/immodule-files.d/libgtk2.0-0.immodules .
att,
Link | September 24th, 2009 at 23:26
Para informação: No Ubuntu 9.04 e 9.10 usando KDE, eu resolvi o meu problema com o c-cedilha quando usando um teclado internacional e a língua padrão do sistema setada para enUS (LANG=enUS.utf8) simplesmente setando a variável de ambiente LCCTYPE para ptBR.UTF-8. Depois de reiniciar o servidor X tudo funcionou que era uma beleza, firefox, os aplicativos do KDE, openoffice, lyx (que eu uso quando vou trabalhar com o latex), e outros. Infelizmente não rodo aplicativos do Gnome neste computador e por isso não pude testar, mas acredito que funcione também. Espero que esta dica contribua com alguma coisa.
Link | January 25th, 2010 at 16:48