Novidades do Google

November 12, 2008

Duas notícias interessantes relacionadas ao Google.

A primeira, noticiada pelo Blog oficial do GMail é para aficcionados por comunicação instantânea (eu por exemplo):  será possível fazer chat de áudio e vídeo dentro da interface web do sistema de emails. Basta instalar um plugin, e se divertir. Se funcionar corretamente, irá transformar o GMail numa central de comunicação completa.

A segunda notícia é mais intrigante. O Google.org, braço filantrópico do Google, está lançando uma ferramenta de detecção de epidemias de gripe nos Estados Unidos. O mecanismo de detecção é de uma simplicidade incrível, e ao mesmo tempo um tanto quanto preocupante: o próprio sistema de buscas da empresa. A premissa básica é que atualmente, quando pessoas sentem sintomas de alguma doença, procuram na Internet informações a respeito dos sintomas. Como hoje em dia, busca na Internet é sinônimo de busca no Google, então “basta” eles analisarem e georeferenciarem a ocorrência de termos específicos (coisa que a ferramenta Google Trends faz de graça),  para obter uma boa estimativa de regiões onde poderiam estar começando epidemias. Nada de registros médicos, apenas buscas simples na interface do Google.

Expandindo a idéia, como hoje em dia a fonte básica de pesquisas é a internet, e boa parte dela passa pelos servidores do Larry e do Sergei, e que ferramentas como o Google Analytics mostraram que a questão do georeferenciamento de IPs já foi resolvida, então podemos assumir que eles se tornaram a maior empresas de análises estatísticas do mundo. Que aliás eles utilizaram para analisar buscas feitas durante a campanha eleitoral.

Big Brother?

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posted in Notícias by Miguel Galves

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  • http://www.anand.com.br Daniel Anand

    O Big Brother já rola faz tempo, desde que todas as nossas informações pessoais e e-mails estão lá nos servidores do Google.

    Agora essa funcionalidade nova do GMail é fantástica. Eu já testei o Webchat com câmera e funciona impressionantemente bem. Fica até fullscreen! O melhor de tudo: agora uso o GTalk, com voz, inclusive no meu Mac. Muito legal.

  • http://books4dev.com Raphael

    Cara, como eu odeio fazer comparações do Google ao Big Brother. Parece que é coisa de quem não leu 1984 ou não entende a diferença entre “monopólio” e “domínio de mercado”.

    Google não é Big Brother, coisa nenhuma. Ninguém te obriga a usar o Google, nem nenhum dos produtos. As pessoas usam porque elas o consideram melhor. Só isso. Eu sou livre para mudar a caixa de busca do Google para qualquer outro engine: yahoo, msn, whatever.

    Google não é Big Brother, coisa nenhuma. A ferramenta de análise poderia ser feita usando-se as buscas de qualquer outro sistema. Usa-se a do Google porque (a) dã, é o Google.org que tá fazendo, (b) por ser o que tem mais buscas sendo feitas, é o que tem maior confiança estatística.

    Se o domínio do Google incomoda tanto a vocês, parem de agir como mulher de malandro e mudem de produto. Que eu saiba, vocês são livres para isso e não precisam pedir permissão a ninguém.

  • Rubens

    Raphael, mais um aficionado pelo google, vá por mim, o google não e bonzinho e garanto que essa lavagem cerebral que você sofreu outros também sofreram, isso de ”uso o Google por causa da confiança de que tem a melhor estatística para achar o que eu quero” é justamente o que eles querem que você pense. Não se enganem, o google ainda vai dominar você… se já não dominou.

  • Miguel

    O que uma frase boba não gera….

    Raphael, você tem razão: eu não li 1984, e talvez minha menção ao Big Brother seja mais relacionada à versão global do que à literária. “Vamos dar uma espiadinha?”

    Não me sinto incomodado, e se eu uso uma grande parte dos produtos delesé simplesmente porquê eu os acho fenomenais.

    Rubens, o Raphael é menos um aficcionado do Google e mais do livre mercado e do livre arbitrio, mas aí eu deixo vocês discutirem. Eu sou um big fã do google, o que não me impede de as vezes querer refletir sobre o quanto eles andam presentes no cotidiano das pessoas. Mas não me sinto com o cerebro lavado por isso, nem pressionado a exercer meu livre arbitrio….

  • http://books4dev.com Raphael

    Rubens, posso te recomendar um psiquiatra? Paranóia não é comigo, não.

    Olha só: ontem, por razões que eu não soube até agora, todos os serviços do Google ficaram fora do ar (pelo menos aqui do meu computador, não consegui acessar nem o google, nem orkut, nem gmail, nem o reader) por uns bons 20 minutos. Percebi isso quando fui fazer uma busca e o Firefox não conseguiu conexão.

    Provavelmente foi algum pau na propagação de DNS, ou seja, nem foi algo que foi “culpa” do Google, mas do ISP. Mas sabe o que eu fiz? Mudei o search engine para o Yahoo!, e segui a minha vida.

    O Gmail é bom? É, mas eu posso viver sem ele. Se a qualidade do serviço cair e aparecer um concorrente melhor, eu vou mudar sem pensar duas vezes.

    O Reader é bom? É, mas eu posso viver sem ele. Se a qualidade do serviço cair e aparecer um concorrente melhor, eu vou mudar sem pensar duas vezes.

    O sistema de busca do Google é bom? É, mas eu posso viver sem ele. Se a qualidade do serviço cair e aparecer um concorrente melhor, eu vou mudar sem pensar duas vezes.

    Entendeu ou quer que desenhe?

  • Rubens

    Raphael, me desculpe se ofendi você, não era a minha intenção.

    Porém o que eu vi aqui foi o mesmo que vi uns dias atrás em outro blog, em que foi publicado uma noticia de que o google tinha sido responsável por uma queda milhionária nas ações da bolsa de uma grande companhia, justamente pelo motivo de quando colocava o nome da companhia no google, ele mostrava como primeiro link uma matéria falando que as ações dessa companhia estavam caindo, o problema é que essa matéria estava um pouco obsoleta, tinha apenas mais de 2 anos.

    Sabe qual foi a reação das pessoas que comentaram nesse blog? Protegeram o google até o final, todos, falaram tudo menos que a culpa era do google.

    Tá, você pode está se perguntando.. ”O que eu tenho haver com isso?”

    Vamos simbolizar aqui uma historinha:

    “Sou um Diretor de uma escola com 100 alunos, durante um mês, 70 desses alunos vêem até a minha pessoa perguntar sobra educação sexual..” -Por causa dessa minha estatística, posso afirmar que 70% deles está tendo relações sexuais?

    Acho que não, e pelo que eu intendi, é mais ou menos isso a idéia do google, fazer uma coleta das informações pesquisadas por regiões e ter a audácia de relacionar isso a epidemias.

    Beleza, você vai me dizer que eu não sou obrigado a ver as estatísticas do Google.org, agora pensa um pouco sobre a primeira história que eu contei, o que você acha que poderia acontecer se o Google, uma empresa de nome e respeitada falar através de ”estatísticas” que está ocorrendo uma epidemia de gripe em uma tal região?

    Falar ”você pode trocar o google por outra ferramenta.. por exemplo yahoo..” é parecido com ”troca o windows por linux…” para quem é usuário windows, 5% iria utilizar linux e os outros 95% continuariam no windows.

    A verdade é que o Google Criou e Dominou um mercado que há 10 anos não existia.

    Eu li em uma matéria a respeito dos 10 anos do google em que a missão deles era “Organizar todas as informações do mundo em 300 anos.”

    Não sei se era brincadeira, porém não me pareceu nada demais para o google, agora vamos pensar, o que aconteceria com o livre arbítrio se uma empresa deter todas as informações do Mundo?

    Você trocou o google por outras ferramentas tranqüilamente, porque você deve fazer parte daqueles 5% que trocariam o windows por linux.

    O Google entrou como um dos “bonzinhos”.. só que a cada momento que passa está indo para o lado dos “bandidos”…

  • http://books4dev.com Raphael

    Rubens,

    um detalhe: você está confundindo “deter informação” com “organizar informação”.

    Não vejo “culpa” do Google no caso que você contou da empresa cujos papéis cairam. Vejo “culpa” dos agentes do mercado (as pessoas) que não souberam interpretar a informação e passaram a ter comportamento de manada.

    Se houvesse algum caso onde os resultados de busca fossem manipulados para deliberadamente favorecer ou prejudicar alguém, aí eu te daria plena razão.

    Outro problema no teu argumento: é mais fácil manipular a wikipedia do que o Google. Lá sim há histórias de políticos que editam suas próprias páginas para remover assuntos “delicados”, ou empresas que editam suas próprias páginas para parecer em situação melhor do que estão.

    Qual é a sua solução para o problema? Falar que os editores do Wikipedia são todos maus, e os usuários “sofreram lavagem cerebral”? Bobagem. O correto é conscientizar-se que toda fonte de informação precisa ser verificada, ou não pode ser considerada correta ou confiável.

    Outra coisa: o seu Diretor da Escolinha precisa estudar estatística. Lição rápida:

    • Existe uma coisa chamada coeficiente de correlação entre duas variáveis que desejam ser observadas.

    • “Pessoas estudando na escola” e “Pessoas em idade de buscar informação sobre educação sexual” são variáveis altamente correlacionadas. Logo, o surgimento de uma costuma estar casado com o surgimento da outra.

    • “Pessoas capazes de usar o Google” e “Pessoas que precisam de informação para combater uma gripe” são variáveis pouco correlacionadas. Logo, se uma pessoa faz uma busca sobre esse tópico, é um fenômeno interessante.

    Em suma: não tem nada de audacioso ou maligno na idéia do Google. Se tudo que eles fizessem é falar “ó, a gente é capaz de identificar epidemia de gripe”, qualquer neguinho com meio cérebro ia pedir prova científica, e obviamente seriam desprezados caso não tivessem dados para provar as afirmações. Acontece que eles têm esses dados: os resultados que eles obtiveram batem com os relatórios do CDC.

    Pra encerrar, uma crítica aos blogs, inclusive esse aqui: um das coisas que eu acho sacais no mundo dos blogs é essa mania de querer reportar e repercurtir (aarrrgh!) toda e qualquer notícia de temas que “dão audiência”. Quando os artigos ao menos fazem uma análise profunda dos anúncios e acrescentam informação relevante, tudo bem. O porre é fazer o mesmo “resumo” e deixar a informação incompleta e diluída.

  • http://log4dev.com Leonardo

    Rapahel e Rubens,

    Seus últimos dois comentários acabaram me lembrando de uma história que eu escutei recentemente e que fala exatamente de pontos que ambos levantaram.

    Recentemente vários pesquisadores do comportamento humano, estudiosos, intelectuais e pseudo-intelectuais estão travando debates sobre o quanto a Internet (e o Google especificamente) está deixando as pessoas… burras. Simplesmente porque elas tomam qualquer resultado dado pelo Google como verdadeiro sem nem ao menos pensar em cima do que estão lendo (como o Raphael bem disse “toda fonte de informação precisa ser verificada, ou não pode ser considerada correta ou confiável.”) e, interessante também, as pessoas estão cada vez mais se satisfazendo com pequenas partes de conhecimento, muitas vezes superficial, a chamada “snack culture”. Enfim, não vou me alongar muito nisso porque acho que este assunto não tem relação com o post original e talvez eu mesmo não tenha competência para falar mais do que isso sobre ele, mas, para quem quiser saber mais um bom ponto de partida seria o livro que originou toda esta discussão (pelo menos mais recentemente): The Dumbest Generation (www.dumbestgeneration.com).

  • Miguel

    Raphael,

    uma das coisas que mais me animam no log4dev é o fato de ele ter deixado de ser um veículo do Miguel, para ser um veículo do Miguel, do Raphael, do Leo, do Alexandre e do Thiago. Isto faz com que visões de mundo diferentes sejam compartilhadas, enriquecendo o material oferecido. É de se esperar que surjam discordâncias entre os autores, o que também é um plus.

    Agora, seria interessantes que os autores percebecem que existem estilos diferentes dentro do grupo. No meu caso, o motivo que me levou a criar este blog foi justamente a minha vontade de comunicar com a comunidade dos nerds around the world. Tem épocas que meu espírito crítico está mais aguçado, e tem épocas que eu tenho mais vontade de noticias fatos que me atraem a atenção. Os leitores podem ou não gostar disso. Mas de uma coisa você pode ter certeza: o que me motiva a escrever aqui não é fazer marola nem escrever coisas da moda apenas pela audiência.

    Gosto sim de audiência, mas de qualidade, e não de audiência besta apenas por resultados de busca das palavras chaves da moda.

    Mesmo porque este blog não tem nada de propaganda, e não ganha um puto com as besteiras que escrevemos. Dito isso, podem continuar a degladiar sobre o poder maléfico do Google.

  • http://www.flickr.com/photos/multiplicidades/ Ana Letícia

    Olá Miguel,

    Lendo o seu post fiquei muito empolgada com o uso do Google como ferramenta de detecção de epidemias de gripe nos Estados Unidos. Estudando SIG – Sistema de Informação Georeferenciada – como ferramenta de planejamento urbano, pude observar em vários trabalhos que o que demanda mais esforço e impasses ao procedimento é a atualização dos dados. Em arquitetura a realização de mapas possibilita a espacialização da cidade; com suas simbologias, especificidades, características culturais, econômicas, sociais e outros. Com a inserção de softwares, hardwares e dados geográficos ao processo é possível simular intervenções urbanas e criar cenários futuros virtuais dentro de parâmetros reais avaliados. Temáticas como saúde, educação, condições financeiras, qualidade de vida e acessibilidade, por exemplo, são relacionados através do sistema overlayer. Desta maneira as potencialidades, fragilidades e conflitos existentes no tecido urbano são diagnosticados e servem de norteadores para um planejamento adequado. A possibilidade de ter a ferramenta de pesquisa Google como um indicador de possíveis focos de epidemia auxiliaria em ações de levantamento de campo, intervenções de saneamento, deslocamento de equipes médicas, abertura de novos pontos voltados para a saúde (sendo estes capazes de atender a demanda de pacientes) e assim por diante. …Uma rede interligada ao desenvolvimento da cidade. Descobrir novas funções do Google é sempre muito bom!

  • http://lsattestprep.org LSAT Test Prep

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