Software Livre e inovação
Tem uma coisa que o Raphael vira e mexe fala que me dá arrepios: “FOSS não funciona como estímulo para a inovação”. A última vez que eu me lembro que ele falou isso foi aqui. E pelo jeito não sou o único que tem estes arrepios como se pode ver pelo comentário do Carlos Costa neste mesmo post do Raphael.
E eu não sinto arrepios porque sou um defensor inveterado do software livre. Na verdade eu acho que existem coisas boas tanto do lado do software livre como do lado do software proprietário e acho que tem espaço para todo mundo. Sinto arrepios porque realmente acho que software livre tem muita inovação de verdade. O problema é que eu ainda não consegui achar um contra-exemplo cabal para você, Raphael. Pelo menos não para o sentido de inovação que eu acho que você quer dar à sua frase.
De certa forma eu concordo parcialmente que os conceitos implementados em software livre já foram testados no mercado. Isso é verdade muitas vezes. Mas eu acho que este ponto de vista é limitado. No fundo eu acho que os conceitos implementados em software livres são maduros o suficiente, tendo sido ou não implementados pelo mercado. Isto porque quando você se envolve em uma comunidade de pessoas, em geral a tendência é aceitar apenas coisas que já estejam maduras o suficiente e que portanto, irão muito provavelmente gerar código de qualidade.
Não me entendam mal: não acho que software livre não tenha inovação por completo. Se olharmos de perto o GCC, ou o Eclipse ou vários outros projetos open source veremos que eles tem sim uma grande dose de inovação. Mas eu diria que, na visão macro, eles são mais inovadores na forma de fazerem coisas que já existem do que na forma de criarem coisas novas. O que não impede, é claro, que muitos testes e invenções estejam sendo feitas na visão micro destes softwares. Eu diria que eles são mais parecidos com o que a Apple anda fazendo nos últimos anos(copiando conceitos já existentes e dando uma roupagem diferente a eles, inventando uma coisinha aqui e outra ali) do que com o que a Intel ou a IBM fazem no campo de processadores por exemplo (efetivamente pesquisando novas tecnologias e tentando aplicá-las no mundo real).
Aonde eu quero chegar com isso? Para mim o principal problema na frase do Raphael é o mal uso da palavra inovação.
O que é inovação? Quando eu vejo alguma coisa como “FOSS não funciona como estímulo à inovação” eu interpreto mais como “FOSS não funciona como estímulo para a invenção”. Até pouco tempo atrás eu achava muito sútil e muitas vezes inexistente a diferença entre invenção e inovação. Mas a cada dia eu venho me atentando mais para a diferença entre estas palavras. Invenção é realmente inventar coisas novas, fazer algo que nunca foi feito antes. Inovar não é necessariamente inventar: inovar é muitas vezes pegar algo que já existe e, com uma roupagem nova, criar algo que tenha um apelo ou uma utilidade ainda maior do que aquilo que existia antes. Ainda que eu não goste muito da frase, como diria Jean Paul Jacob, “Inovação é o enlace entre invenção e a visão do valor desta invenção”. É exatamente isto que a Apple anda fazendo muito bem nos últimos anos: efetivamente não inventando nada de novo, mas habilmente dando um novo valor e uma nova visão a produtos que já existiam.
Sob esta ótica eu acho que software livre é extremamente inovador. Inovador no modelo de desenvolvimento. Inovador nas idéias implementadas. E, algumas vezes, inovador ao inventar novas coisas e novos conceitos também. Como eu disse antes, ainda não achei um exemplo cabal de um produto completo de software livre que seja totalmente novo (e talvez aí esteja a falha na minha argumentação contra a frase do Raphael… alguém pode me ajudar?). E acho até que isto é apenas um reflexo da economia de mercado: se você inventou algo que acha bom, porque não ganhar dinheiro com isso? Software livre é muito usado em partes já comoditizadas de sistemas (o que não exclui inovação) e a parte de maior valor agregado tende a ser proprietária justamente para gerar mais lucro. Mesmo assim eu poderia citar diversas funcionalidades que foram implementadas antes em software livre (algumas até mesmo no projeto em que eu trabalho) e que nunca tinham sido feitas antes por nenhum outro software. Quer um exemplo? Suporte em sistema operacional, compiladores e debuggers a plataformas híbridas: processadores que possuem núcleos de diferenças arquiteturas no mesmo chip. Isso é totalmente novo. E apareceu primeiro em plataformas de código aberto. Se isto não é inovação, o que é então?

Não entendi muito bem por que o modelo de negócios é assim fundamental para a invenção. Dá a impressão de que simplesmente não se inventava nada antes de se fazerem negócios no mundo.
No meio da confusão está a impossibilidade de se determinar quem são os pais de uma idéia ou produto. Tudo o que é inventado é de fato um resultado derivativo de uma série de influências, diretas ou remotas. Tentar achar luz distinguindo “inovação”, “invenção”, “originalidade”, soa como beco sem saída.
Log4Dev » Software Livre e inovação…
ÏOSS não funciona como estímulo para a inovação%D. Esta frase faz sentido para você? Para Leonardo Garcia, não!…
Oi Leo, obrigado por me chamar na conversa
Eu gosto muito desse blog… para mim é leitura diária obrigatória, uma destacada ilha no arquipélago da blogosfera brasileira.
Mas vamos ao que interessa. Definitivamente “inovação” não é “invenção”. Este verbete da wikipedia [1] demonstra a diferença entre os dois conceitos, mas para ser claro e direto vou trazer para a nossa conversa uma citação:
“The term innovation may refer to both radical and incremental changes in thinking, in things, in processes or in services (Mckeown, 2008)”
No caso de FOSS é possível identificar uma série de mudanças incrementais que destacam a quatidade de inovação de projetos desenvolvidos por comunidades. Esses incrementos são observados sempre que um novo release ocorre, e de acordo com a citação podem ser percebidos tanto em correções de bugs como em novas features. Mas não existem diferenças entre os modelos de desenvolvimento aberto e o proprietário, ambos entregam inovação para os usuários seguindo essas premissas de mudanças incrementais. E o que difere um modelo do outro? justamente os processos envolvidos no desenvolvimento (aberto ou fechado) e os serviços que podem ser agregados… essa é a ótica de inovação que devemos procurar quando buscamos distinguir um modelo do outro.
O que o Raphael levantou foi a questão de que o modelo aberto não se sustenta pois depende muito mais de serviços do que do valor do produto. não é bem assim, concordo que a Ciência dos Serviços [2] ainda engatinha - mas não devemos ignorar os gigantes que apostam no modelo aberto e no lucro que os serviços geram (IBM, redhat, mysql e Sun, dentre outros). Tem muita estrada a ser percorrida e não dá para afirmar se o modelo aberto se sustenta ou não =)
Voltando ao ponto de início, o que nos cega é que teimamos em procurar invenção onde existe somente inovação. Mas é preciso esclarecer que software nada mais é que tecnologia, seja o software proprietário ou público, ele sempre será tecnologia. O que nos leva a terceira [3] citação:
“Tecnologia é um termo que envolve o conhecimento técnico e científico e as ferramentas, processos e materiais criados e/ou utilizados a partir de tal conhecimento… A tecnologia é, de uma forma geral, o encontro entre ciência e engenharia.”
Agora eu pergunto: quem realmente inventa e quem propriamente inova? para mim está clara a distinção entre os dois personagens dessa história: A ciência inventa, a engenharia inova. E o software (aberto ou fechado) é resultado das engenharias, que consequentemente vem dos avanços científicos.
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Carlos.
Referências:
[1] http://en.wikipedia.org/wiki/Innovation
[2] http://www.research.ibm.com/ssme/
[3] http://pt.wikipedia.org/wiki/Tecnologia
Léo, não sei se estamos diante de uma questão semântica ou se é mesmo uma perspectiva em relação a “inovação”.
Ao que me parece, as inovações que você menciona estão muito mais ligadas ao “aprimoramento de processos” ou “evoluções” de conceitos já conhecidos e assimilados pela indústria do que “soluções inéditas para problemas conhecidos”.
Sistemas Operacionais? Banco de Dados? Software para Infra-estrutura? Sistemas embarcados? Claro, a tecnologia usada é uma tecnologia bastante avançada e não há motivos para que não seja state of the art.
Mas tudo isso acima não resolve os problemas das pessoas, nem torna-as mais ou menos felizes - a não ser, claro, que você seja um desenvolvedor de software. É aí que eu acho que falta “inovação”.
Creio que parte da nossa discordância está no ponto que você diz : “ainda não achei um exemplo cabal de um produto completo de software livre que seja totalmente novo (…) acho até que isto é apenas um reflexo da economia de mercado: e você inventou algo que acha bom, porque não ganhar dinheiro com isso?”.
Explico: acho que o caminho lógico é invertido. Creio que a pessoa primeiro procura por uma oportunidade para ganhar dinheiro, depois ela desenvolve o produto que é necessário para atender o mercado. Só universidades e centros de pesquisa podem se dar ao luxo de trabalhar em algo sem buscar uma motivação financeira. Às vezes, nem esses.
E justamente por isso, aqueles que estão trabalhando em algo com o objetivo de ganhar dinheiro e/ou share em um determinado mercado vão acabar usando qualquer vantagem competitiva que puderem dispor, i.e, software fechado.
O Raphael definitivamente teima em procurar invenção onde existe somente inovação!! Seja software proprietário ou público, os Sistemas Operacionais, Banco de Dados, Software para Infra-estrutura ou Sistemas embarcados são somente inovação… fruto de extensas pesquisas aplicadas na forma de tecnologia que chega na nossas casas ou empresas.
Mesmo o produto “Cabal” (proprietário ou público) não será definitivamente uma grande invenção, e sim uma inovação na forma, na roupagem, na aplicabilidade e/ou etc…
Esse é o ponto importante: software jamais será uma invenção revolucionária nunca antes vista, pelo contrário, ele sempre terá algo que já foi dito, escrito ou pesquisado.
Então, toda a discussão é por questão semântica? Negócio chato, pô. You say po-ta-to…
Chamem como quiser. O importante é que ninguém conseguiu encontrar um exemplo de idéia/produto que fosse nova e que o dono da idéia usasse o modelo FOSS desde o princípio como base para ganhar dinheiro.
Certo, concordo com você que achar algo “realmente novo” é difícil, segundo os seus critério de “novo” enquanto “nova invenção”. Mas se considerarmos os critérios de inovação que eu trouxe para a nossa conversa - e que fazem mais sentido - você verá que tem muita gente/empresas ganhando uma boa grana com FOSS. Para mim redhat é o primeiro exemplo disso.
Agora tem um exemplo pouco lembrado mas bastante difundido: Os caras do wordpress.org! um modelo de negócio que usa a LAMP stack para oferecer serviços de hospedagem e customização dos blogs… eles receberam um auxílio financeiro de alguns milhões para crescer… ainda ouviremos falar deles. Detalhe que o código do wordpress é GPL, criticada como viral e impossibilitadora de se ter lucro usando-a.
Outros exemplos são as fundações FOSS. Todas ganham dinheiro com seus softwares, todas inovam, e todas tem um braço comercial que fatura em cima de marca, royalties, serviços e Licençiamento de marca/produto.
O Google é exemplo de inovação, e muito do que eles fazem nasce de publicações e idéias acadêmicas. Eles tornam público alguns de seus softwares por meio de licenças FOSS como a do Apache ou BSD like.
Mas nenhum dos meus exemplos faturou ou faturará o mesmo que a Microsoft. A MS é a maior inovadora de todos os tempos, mas ela não inventou ou inventa software. Seus produtos ou já existiram, ou foram discutidos e partiram de premissas acadêmicas ou são melhorias de idéias consolidadas. Os outros grande playes do mercado de software também são inovadores, mas não inventaram nada!
Software é, para mim, consolidação de idéias, materialização de conceitos, aplicação prática das coisas discutidas nas academias… ou seja: inovação. Se você quiser contra-argumentar com uma lista de softwares que você considera “inovação enquanto invenção” mas que não sejam FOSS, pergunte-se primeiramente se:
- o software não é a aplicação de um conceito publicado em artigos científicos ou nascido de pesquisas acadêmicas em laboratórios do mundo todo;
- se o software não é a materialização de metodologias adotadas para resolver processos que antes eram processados de maneira manual;
- se aquele software não existia antes de uma maneira ou de outra, mas que foi inovado e ganhou nova roupagem, uma interface gráfica ou mais recursos;
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Carlos.
Carlos, definitivamente você e o Léo estão falando de coisas diferentes do que eu, quando refiro a “inovação”.
Quando eu digo que o “modelo FOSS não serve para a inovação”, eu quero dizer “não tem ninguém que olhe para o FOSS como um meio de obter uma recompensa financeira grande ao desenvolver uma idéia original e arriscada”.
Wordpress, pra mim, é “apenas um blog engine”. Apache é um “servidor web”. BSD é uma implementação do padrão Unix que foi desenvolvido pela Bell Labs. Repito: não há nenhum conceito novo em nada disso. Não há originalidade e risco em nenhuma das idéias. Os conceitos já foram testados anteriormente.
O exemplo do Google acaba sendo contrário ao argumento. O Google tem milhares de produtos, é verdade. Eles produzem muita coisa nova, é verdade. Mas o único produto deles que realmente gera o cash flow que os tornou bilionários e que permitiu que eles tivessem os recursos para financiar a produção de outros produtos (open source ou não) é o AdSense e o AdWords, apoiados na tecnologia de busca. E todos esses são fechados.
Como assim não tem ninguém que olhe para o FOSS como um meio de obter uma recompensa financeira? e a redhat, Novel, Sun, IBM, etc… eles não apostam nisso? e a mozilla.com (e a fundação mozilla tb), Trolltech, Canonical, MySQL AB, Zend, Zope Corporation, EnterpriseDB, Nokia, Google, Oracle e muitos outros (pequenos ou grandes) que estão fazendo dinheiro com FOSS e olhando para o FOSS como um meio de obter uma recompensa financeira, direta ou indiretamente… vc realmente acredita que eles não estão inovando? que eles não estão arriscando? que eles não são ou estão sendo originais?
Talvez esteja ai a diferença entre nós (Léo e eu) e você: nós já entendemos o que é Inovação e sabemos que inovação não é invenção. Enquanto você vê o Wordpress como “apenas mais um blog engine”, nós vemos uma marca consolidada, apoiada por tecnologia 100% FOSS, que inovou (e inova) a cada novo release. Nós vemos originalidade no wordpress, nós vemos o risco de investidores que injetam dinheiro para que o wordpress se consolide e inove ainda mais, e vemos alguém fazendo dinheiro com isso.
Quer mais exemplo? visite: http://www.openbravo.com/
“Investidores injetam US$ 12 milhões em ERP de código aberto”
Publicado em 20/05/2008 às 19:46
http://www.linuxnewmedia.com.br/noticia/investidores_injetam_us_12_milhoes_em_erp_de_codigo_aberto
Mas ai você vai me dizer: “O conceito de ERP não é novidade”, ou “não tem nada de inovador em mais um ERP, eles não inventaram isso” ou ainda “é apenas um ERP engine”. Diz isso pros investidores (Oracle e SAP) que arriscaram 12 milhões no openbravo que eles estão apostando em algo “não inovador” ehehehe
E acredite quando eu digo que não existe “idéia original” em tecnologias de software… ninguém inventa a roda nesta área. Tecnologia é um processo continuo de melhoramento, solidificado por anos de pesquisas científicas e gradualmente consolidado a cada novo release. Tire essa idéia da sua cabeça! software 100% original não existe.
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Carlos.
Carlos, depois de ler toda esta argumentação e concordar com seus pontos, inclusive aplaudindo a busca pela correta definição semântica dos termos afinal:
eu preciso dizer que seu blog está no meu Google Reader
Carlos, você tá bravo comigo assim só pq eu não fiz a distinção entre “inovação” e “invenção”?
Desculpa, mas eu não vejo risco no investimento de grandes empresas. Falar que grandes empresas estão correndo riscos ao investir em ERP é o mesmo que falar um banco está correndo risco ao investir em títulos do governo. Tanto grandes empresas quanto bancos estão, na verdade, escapando do risco ao fazer esse tipo de investimento.
Outra: ganhar dinheiro com FOSS não quer dizer apostar a empresa/produto no FOSS. Você poderia fazer um esforço e entender o porquê da estratégia das empresas que você citou em usar FOSS. Ninguém da diretoria pensa “vamos fazer o melhor SO free do mundo, ponto final”. A frase geralmente é “vamos fazer um SO free para que possamos ganhar mais dinheiro em X, Y, Z.”
Para elas, FOSS é um meio, não um fim.
Pra você pode não fazer diferença, mas eu vejo uma grande diferença entre alguém que está motivado em fazer uma coisa boa (e.g, pesquisar e controlar métodos de fusão nuclear) e alguém que quer fazer uma coisa potencialmente boa como meio para uma ação de fim duvidoso (pesquisar fusão nuclear para construir uma bomba H).
Só pra encerrar, eu sei muito bem que nada é 100% original. Seria loucura da minha parte afirmar isso. Eu estou buscando um bom exemplo para ilustrar o meu conceito de inovação (ou invenção, se preferir) e o que me vêm a cabeça é usar os videogames atuais para mostrar o caso.
Aproveitando pra responder a pergunta final do Léo no texto dele. Eu não vejo inovação (ou invenção, se preferir) no PS3. Eu vejo muita inovação (ou invenção, se preferir) no Wii. Para mim, o PS3 é apenas mais-do-mesmo. Processador mais rápido, mais memória de vídeo, mais espaço no disco, etc, etc, etc. O Wii não tem nada disso, mas trouxe algo realmente novo para o mercado. No meu entender, a única empresa que inovou foi a Nintendo, ainda que tenha desenvolvido menos tecnologia para isso.
Ae Raphael, eu não estou brabo com você, pelo contrário: foi uma das conversas mais bacanas que eu tive. Pena que não foi tomando um chopp
Mas cara, vc disse:
“Quando eu digo que o “modelo FOSS não serve para a inovação”, eu quero dizer “não tem ninguém que olhe para o FOSS como um meio de obter uma recompensa financeira grande ao desenvolver uma idéia original e arriscada”.”
E eu te passei uma lista de empresas inovadoras desenvolvendo idéias originais e arriscadas, com grandes recompensas/retornos financeiros por trás… e nenhuma delas aposta em FOSS porque FOSS é legal, faz um mundo melhor e blablabla. Eu listei elas porque FOSS é o caminho delas para LUCRO (ou X, Y e Z caso você prefira). Para todas as que citei FOSS é o meio para o objetivo final: LUCRO!
E você me diz que não tem risco no negócio daquelas empresas listadas? tsc, tsc, tsc… você é quem não sabe o que queria ler/ouvir.
Eu percorrir novamente toda a nossa conversa aqui, cada um dos meu comentários, e não vi em momento algum eu dizer que não faz diferença se uma pesquisa é/foi usada para fins duvidosos. Não sei de onde você tirou isso… simplesmente viajou
E o Nintendo Wii?! Exemplo claro de inovação (e não invenção, como você acredita). Partindo do seu argumento de que, com o Wii, a Nintendo não seguiu o caminho do “mais-do-mesmo” que a Sony seguiu no PS3… os caras da Nintendo realmente Inovaram. O controle do Wii [1] é seu exemplo de inovação, simplesmente sensacional! Mas para conseguir isso a Nintendo não “inventou”, ela simplesmente juntou tecnologias já exploradas em outras áreas, como p.exe. wireless para transmitir e receber sinal, sensores de movimento (deve ter um semelhante na garagem do seu prédio ou de um amigo seu), um acelerômetro (o thinkpad de onde digito tem um acelerômetro para proteger o HD em quedas) combinado com um sensor de imagens (sensor óptico parecido com um de scanner) para detectar movimento na tela.
Eles realmente inovaram juntando tudo isso. Mas eles NÃO inventaram nada disso. Portanto, como eu disse antes: “Mesmo o produto “Cabal” (proprietário ou público) não será definitivamente uma grande invenção, e sim uma inovação na forma, na roupagem, na aplicabilidade e/ou etc…”.
Viu só? definitivamente inovação não é invenção.
A propósito, Videogame vs. FOSS? você realmente não sabia o que queria discutir. Para mim você queimou essa conversa
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Carlos.
[1] http://en.wikipedia.org/wiki/Wii_Remote
P.S.: Bruno, um forte abraço e obrigado por trazer um pouco de Confúcio para a nossa conversa
Carlos, não adianta. Eu estou com sérias dificuldades para ver algo original e arriscado nas coisas feitas por Red Hat, Nokia, Trolltech, IBM, Sun e todas as empresas que você citou. Vá ver a origem da maior parte dos projetos das empresas: poucos (eu não consigo lembrar de nenhum) começaram (a) já open source e (b) dentro da empresa que diz “investir”. Embrace and extend não é correr risco.
Se você me mostrar alguma empresa que queira investir no Hurd ou no Plan9, ao invés do Linux, aí sim você vai me convencer que as empresas tomam atitudes arriscadas.
Talvez a nossa confusão na conversa seja falta de foco no ponto central do argumento do artigo. O Léo está mostrando que há avanço tecnológico genuino feito no mundo FOSS. Eu, sinceramente, estou pouco preocupado com isso.
Citei o exemplo do Wii e do PS3 pq videogames é um mercado onde muito dinheiro é gasto no desenvolvimento de tecnologia, e pelo fato de estar ligado à computação.
E, olha só, eu acho que eu deixei claro o ponto do meu argumento: você diz que a Nintendo “inovou”, mas não “inventou”. Eu digo que o FOSS não serve para a inovação, certo? O meu argumento é não, não inova. Seria mais fácil para uma empresa apoiada no FOSS desenvolver um produto evolucionário como o PS3 do que um produto revolucionário como o Wii. Você, sem perceber, está convergindo para o meu ponto de raciocínio que levou a toda essa discussão.
Cara, acredite, se você não vê riscos, é porque sua visão limita-se a “apenas um blog engine” ou que Linux é apenas outro kernel Unix e etc… muito micro, muito local! por isso seu exemplo do Hurd
Você disse:
“Talvez a nossa confusão na conversa seja falta de foco no ponto central do argumento do artigo. O Léo está mostrando que há avanço tecnológico genuino feito no mundo FOSS. Eu, sinceramente, estou pouco preocupado com isso.”
Quando você realmente quiser falar de software, tecnologia, negócios com FOSS, FOSS versus a indústria de software comercial, inovação, tecnologias: esteja realmente interessado em discutir isso e conte comigo… teria sido mais fácil você dizer que não tem interesse em discutir isso lá no começo, no primeiro comentário, do que chegar nesta altura do campeonato e dizer “Eu, sinceramente, estou pouco preocupado com isso”.
-> Em tempo: eu não disse, escrevi ou mencionei os adjetivos “evolucionário” e “revolucionário”… novamente você afirma que eu falei algo que não falei, tsc, tsc, tsc! Mas já que você tá levando para esse lado do evolucionário enquanto incremental e revolucionário enquanto ruptura conceitual, saiba que eu já tinha lhe mostrado que o conceito de *inovação* abrange isso:
“The term innovation may refer to both radical and incremental changes in thinking, in things, in processes or in services (Mckeown, 2008)”.
Acredite velho, só você ainda não entendeu o que é inovação… e agora quem está “pouco preocupado com isso” sou eu! ehehehehe
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Carlos.
Pô, cara… você tá mais preocupado em fazer que eu adote a sua terminologia do que em perceber a qualidade que falta ao modelo FOSS no artigo que eu escrevi antes.
Vamos jogar um jogo: eu te passo uma pergunta, e você dá o termo mais adequado.
Pergunta: Tanto Linux quanto o Hurd são núcleos de sistemas operacionais, ambos FOSS. Considerando que o Hurd tem uma arquitetura conceitualmente mais avançada (microkernel, mais potencial para sistemas multi-processados e distribuídos, etc) pq as empresas investem no Linux, mas não no Hurd?
Humberto,
Eu não entendi porque você ficou achando que eu disse que o modelo de negócios é fundamental para a invenção. Confesso que não quis passar esta idéia e relendo o meu texto não consegui identificar de onde posso ter dado esta idéia. Até porque, concordo com você: invenções podem acontecer independente de se ter valor comercial ou não para o que esteja sendo feito. Muitas vezes até se inventam coisas que em princípio não tem valor comercial nenhum até que se descobre um real valor para aquilo.
No entanto, apesar de eu não ter explorado esta idéia no meu texto, eu acho que software livre é inovador em relação ao modelo de negócio sim. Muitos modelos de negócio que surgiram nos últimos anos em grandes e pequenas empresas só são viáveis porque estão apoiados em produtos livres.
Quanto a achar que distinguir “inovação”, “invenção” e “originalidade” é tentar achar subterfúgios para algo sem solução., de certa forma eu tendo a concordar com você. Também não gosto muito destas “definições” ligeiramente diferentes para o que no fundo é apenas resultado de um processo de criação (que, como você disse, inexoravelmente terá influências externas). No entatno, principalmente quando você está tentando setar patamares ou comparações, estas definições mais detalhadas precisam ser usadas, caso contrário poderíamos estar colocando no mesmo saco coisas que, efetivamente, são diferentes (o processo de inventar pode ser bem diferente do processo de inovar) e que, no fim das contas, se olharmos pelo lado comercial da coisa, podem gerar valor de mercado muito diferentes e envolver custos muito diferentes também.
Raphael,
Primeiro, gostei dos argumentos que você e o Carlos colocaram na discussão do meu artigo. O meu propósito era exatamente este: queria ver mais opiniões.
E te digo uma coisa: eu não consigo concordar com seu ponto de vista. E talvez o motivo mais básico é que você tem bons argumentos (sem sombra de dúvidas), mas na maior parte das vezes não consigo ver embasamentos sólidos neles. Por exemplo: você não acha que empresas grandes se arriscam. Tudo bem, você tem este direito (apesar de isto não estar relacionado com o meu post, consigo ver que a discussão caminhou para este lado em um determinado momento então vou usar este fato como exemplo). Mas você baseia isso em alguma coisa ou simplesmente em uma idéia subjetiva sua? Nada contra as idéias suas: sempre é bom ter alguém que pensa diferente nem que seja para trazer-nos um pouco de lucidez quando não conseguimos enxergar o mundo direito, mas algum tipo de referência seria interessante se você tivesse.
Mas, no caso específico deste assunto (e tentando me ater nele), você diz que software livre não traz inovação porque “não resolve os problemas das pessoas, nem torna-as mais ou menos felizes”. Fiquei curioso: que software proprietário que você conhece fez isso e porque ele fez isso? Ou você tem apenas um ideal do que seria um software inovador mas também não consegue identificar um realmente inovador?
E, por fim, cara, para de achar que todo está bravo com você!
Você é um cara legal! Mas se as pessoas não concordam com você e tentam rebater seus argumentos, isso pode ser até bacana! Viva a multiplicidade! 
Um abraço,
Leonardo Garcia
Léo,
- Considerando que eu passei uma semana tentando colocar o wi-fi pra funcionar no Ubuntu;
- Considerando que eu tive que ir na Best Buy duas vezes para arrumar uma placa que ao menos fosse detectada pelo sistema, mesmo com ndiswrapper;
- Considerando que nenhuma configuração que eu encontrei fosse capaz de completar a conexão com o roteador, e;
- Considerando que eu desisti e instalei o Win XP e acessei a internet em menos de 10 minutos.
eu acho que eu sou mais feliz usando o Windows XP do que Ubuntu. Também acho, por exemplo, que o Miguel (e outros tantos milhões de tontos ;)) é mais feliz usando Mac OS do que usando Windows XP ou Ubuntu.
O contra-exemplo existe, claro: sou muito mais feliz usando Emacs do que usando Visual Studio. E não há quantidade de features que seja adicionada no VS que me vá fazer querer trocar pelo Emacs. O fato do Emacs ter uma VM e ser programável é o que me deixa feliz. É aí que ele inovou (ou inventou, se for de melhor agrado do Carlos).
Acontece que o Emacs foi desenvolvido pelo Richard Stallman, que é O cara que defende Free Software. Ele tem uma motivação interna para querer desenvolver software livre e de qualidade. Ele se arriscou a fazer o que fez sem pensar na grana. Ele investiu o tempo dele e os recursos dele (ok, e os recursos do MIT) no GNU.
Mas isso não é verdade para a imensa maioria dos desenvolvedores. Essa outra imensa maioria precisa de uma outra motivação. No seu caso e o pessoal do LTC, obviamente, é um salário e uma carreira promissora na IBM.
E é aí que eu digo que o “FOSS não é um modelo adequado para a inovação”. Você e o Richard Stallman trabalham em FOSS, mas a motivação do Stallman é completamente diferente da sua. E essa motivação do Stallman não se multiplica. Isso é fato.
Investimento e produtos surgem através do modelo FOSS. Isso eu nunca disputei. O que eu disputo é a eficiência desse modelo para a inovação e para a produção de riquezas.
Por exemplo, a IBM investe bilhões no Linux, mas esse dinheiro poderia trazer muito mais riquezas se fosse aplicado em outros lugares. Um mundo onde a IBM investe bilhões de dólares em saneamento básico na África é um mundo muito mais rico do que o atual, onde ela investe bilhões no Linux, no Eclipse e no Cell.
E aí, uso o gancho como fecho para argumentar com o Carlos: é óbvio que a IBM não vai investir na África. Os acionistas da IBM compram papéis da Big Blue com a esperança de que o investimento traga retorno financeiro, não para fazer do mundo um lugar mais rico. E a IBM, por agir de acordo com a vontade dos acionistas, não pode arriscar. O campo de ação da empresa é severamente limitado. Não há nenhuma ação que seja tomada que possua risco. E, como consequência, não há nenhum produto que realmente seja revolucionário.
Ps.:
Léo, eu falei que o Carlos tá bravo em tom de brincadeira. Mas no fundo, eu sei que as minhas idéias incomodam, “provocam arrepios”. E eu consigo pescar esse desconforto só pela forma que está escrita. Dá pra ver quando o comentário foi escrito de forma mais “violenta”, de reflexo. Quando eu falo “tá bravo?” é só uma forma de mostrar que a pessoa está tendo uma knee-jerk reaction, quando o que eu quero é justamente o contrário. O que eu quero é provocar reflexão, não reflexos.
E quanto a não concordar comigo: existe um lance chamado “Teorema de Concordância de Augmann”, que diz que duas pessoas que estão discutindo de forma racional não podem estar simultaneamente certas, quando em lados opostos de um argumento. Não dá pra dizer “Viva a multiplicidade!”, se existe a possibilidade de que eu esteja errado. Toda essa argumentação acaba sendo “eu já pensei muito a respeito para alcançar a conclusão que eu cheguei. Se você acha que eu estou errado, é bom se preparar para arrumar meios de dinamitar todos as bases do meu raciocínio, ou eu vou dinamitar os seus.”
No caso, o Carlos tem um ponto válido ao mostrar que eu estou misturando invenção e inovação. Mas isso não é suficiente para rejeitar a proposta do meu argumento do meu artigo, que era que termos empresas apoiando o FOSS não basta como condição necessária e suficiente para a produção e distrbuição de riquezas na Economia Digital.
Capisce?
Raphael,
Entender o que você quer dizer eu entendo… só não concordo.
E, apesar de eu concordar com este tal de “Teorema de Concordância de Augmann”, eu não concordo com você de que as pessoas tem que discutir até que um prove que o outro esteja errado. Apesar de termos discussões na medida do possível racionais, os assuntos abordados muitas vezes envolvem opiniões baseadas na vivência de cada um (que podem ser até mesmo opiniões subjetivas), que não são necessariamente racionais. E, neste sentido, o que vale, para mim, é ver os argumentos de cada lado, como foi feito acima. Isso não quer dizer que eu vá concordar com você ou com o Carlos. Mas que eu vou ter mais informações para ter minha própria opinião.
BTW, Isso não tem nada a ver com o tópico original né!
É impressionante como nós (autores e leitores deste blog) temos capacidade de falar sobre assuntos não relacionados com o tópico original neste blog, hehe.
Um abraço,
Leonardo Garcia