Receitas de sucesso.
Se você perguntar qual é a melhor fórmula de sucesso a um produtor de cinema, ele certamente vai te falar sobre como arrumar os nomes dos atores, sobre quanto custa para ter um nome de peso na direção, sobre a importância de uma equipe de pré e pós-produção, do quanto vai te custar para ter uma equipe de ponta de efeitos especiais, de todos os mecanismos que devem ser evitados para evitar rejeição do público (linguagem inapropriada, temas controversos) e de elementos que podem e devem ser utlizados (você pode colocar a Jéssica Alba numa roupinha apertada e dizer que é “uniforme de super-herói”: vai agradar as crianças e aos adultos) para garantir a atenção do público.
Enquanto ele se finge de ocupado e vai em direção ao seu carro conversível, o executivo vai te contar que um bom filme, hoje em dia, não sai por menos de 100 milhões de dólares e fatura, quando muito, de 2 a 5 vezes esse valor. Nada mal, não é mesmo?
Pois bem. Ontem eu consegui fugir da frente do computador e me enfiei na frente de outra tela, desta vez para assistir Juno. Uma história simples, com personagens que resgatam meus fiapos de esperança na humanidade. Não foi nenhuma surpresa que o filme tenha recebido o Oscar de melhor roteiro, escrito pela talentosa Diablo Cody. O que realmente surpreendeu é que o filme foi feito com um orçamento de apenas US$ 2,5 milhões, e já tenha faturado mais de US$ 130 milhões. Um retorno de 5500% sobre o investimento. É o tipo de coisa que deve fazer com que o executivo ponha em xeque a sua própria fórmula de sucesso: “por que é que eu não consigo fazer algo tão bem sucedido?”
A resposta é simples: em qualquer área de negócio, compram-se todos os especialistas da indústria, mas não se compra talento. Não há como botar preço num roteiro como o que foi escrito por Diablo Cody.
Encontre e desenvolva seu talento. Expertise é secundária.

Oi,
Juno foi um grande sucesso aqui no Canada. Dizem os locais que eh um humor bem canadense, mas eu achei simplesmente um humor bom, talvez nao-estadunidense.
De qualquer forma, pega a trilha sonora que tambem vale a pena (acho que foi 2o filme da historia com mais de 1 musica do Belle & Sebastian!)
[]s
Thiago, no que você fala “não-estadunidense”, penso o seguinte: Juno é filme que não é o típico filme americano. Não segue nenhuma fórmula tradicional. Enfim, não é um “filme de indústria”. Não precisou ser polido, tratado, maquiado, processado pelos profissionais de Hollywood para ser admirado pelo público.
Mais além: é um filme independente, mais artístico. Isso não implica que é um filme que não tem retorno financeiro. Tem, e muito!
Pensei em escrever isso aqui para trazer essa idéia para os computeiros, especialmente os computeiros que vivem “no mercado”, ou trabalhando com sistemas enterprise: não se preocupem com as fórmulas, com as ferramentas, com o processo, com a experiência. Preocupem-se em construir algo belo.