PC 2.0
Enquanto boa parte da molecada por aí que ainda não aprendeu a pensar por conta própria ficou triste com o anúncio da Google que encerrava as especulações sobre o gPhone, ficando sem imagens que pudessem copiar para os seus (spam-)blogs, e por tabela sem assunto para entupir os agregadores de conteúdo com notícias idênticas, o “velhaco” aqui parou para pensar no impacto e no potencial futuro da Open Handset Alliance. Eu vi, e gostei. Um plano como esse é uma lição clara de quem aprendeu com o Passado para pensar o Futuro.
Se você não entendeu o que estou falando, fique tranquilo. Vamos por partes.
Computação Pessoal
Computeiros, tautologicamente, têm suas vidas focadas no computador. Ficamos com o tocador de música ligado o dia inteiro, com nossas coleções imensas de canções nem sempre obtidas legalmente. Resgatamos contato com nosso amigo que se mudou para o Curdistão para popularizar o futebol de botão. Mantemos nossas memórias, vídeos, fotos, cartinhas de amor que queríamos enviar para a nossa musa mas ficamos com vergonha de mandar, já que você, no fundo, no fundo, sabia que não era muito romântico declarar algo como “você é tão bela quanto a Lara Croft no Tomb Raider 2″. O computador é o meio, começo e o fim de boa parte de nosso cotidiano.
Para nós e para os profissionais que já estão fazendo parte diretamente ou indiretamente da Economia Digital, a linha que separa o computador-pessoal do computador-ferramenta-de-trabalho é tênue, cada vez mais imperceptível. Entretanto, há muitos outros que olham o computador como uma besta indomável, complexa, para não dizer supérflua.
Isso não quer dizer, entretanto, que eles estão livres da evolução tecnológica. Mesmo aqueles que se recusam a sentar na frente de um monitor estão fazendo parte da revolução que começou nos anos 80, da Computação Pessoal.
Vou tentar simplificar: Computação Pessoal é tudo que envolve o uso de um computador, cuja finalidade principal não é o trabalho. Aquela viagem chata que você levava o Game Boy? Computação Pessoal. O seu primeiro Discman? Computação Pessoal. O seu decoder de tv a cabo? Câmera Digital de 32 Gigapixels? Tudo é Computação Pessoal.
O ponto mais interessante. Mesmo os tecnófobos, estes que não sabem nem mexer em um mouse, provavelmente têm o seu “Computador Pessoal”. À diferença de nós, estes fazem uso da tecnologia através de outro dispositivo. Para eles, o PC é outro e cabe no bolso: é o telefone celular.
Acho que o que eu escrevi acima não é nenhuma novidade. A velocidade do ciclo de desenvolvimento dos aparelhos celulares, as toneladas de funcionalidade presentes nos aparelhos mais básicos, as inúmeras apresentações de executivos falando sobre a questão da convergência digital, etc, etc. Você não precisa de mais um blogger chato querendo dizer “Eureka! Celulares vão se tornar tão poderosos quanto computadores”, não é mesmo?
Padronização do Desktop: um pouco de História.
Computadores, hoje, são quase oni-presentes e aparentemente são bastante diferentes. Mas, por baixo de marca, gabinete, ou até mesmo sistema operacional, todos acabam sendo muito parecidos. Todo mundo (e por todo mundo, entenda “mais de 99,99% dos consumidores normais”) tem um computador que usa um chip com arquitetura x86 (ou alguma extensão dela, como a x86-64). Placas auxiliares são instaladas em slots padronizados (AGP, PCI ou PCI-x). Periféricos se comunicam através de USB. Comunicação sem fio é predominantemente feita por Wi-Fi (802.11*).
Tudo isso não acontece por acaso. São padrões determinados pela indústria, com o propósito primário de facilitar o desenvolvimento e a fabricação de componentes para um sistema complexo. Assim, subsistemas desse sistema complexo podem ser trocados com razoavel segurança. Assim como eu sei que eu posso colocar qualquer motor elétrico de 110V na tomada aqui de casa, eu sei que eu posso comprar qualquer Pen Drive USB para o meu computador, e sei que vai funcionar.
É claro que essa padronização não surgiu de uma hora para outra. Os primeiros mini-computadores e computadores que pretendiam ser de uso doméstico tinham arquiteturas completamente diferentes entre si. Um computador como o Altair rodava apenas programas feitos para ele, e era arquiteturalmente diferente de um TRS-80. Um usuário entusiasta de um computador aprendia a programar para uma máquina e assim ficava, pois não havia necessidade de portar seu aplicativo para outra arquitetura.
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