Eu lembro da época em que o orkut não tinha sido “dominado” por usuários do Brasil. A coisa era nova, mesmo com redes sociais já existentes e boa parte dos americanos usando o Friendster. Isso foi num remoto 2004.
Eu gostava do orkut porque me serviu para entrar em contato com outras pessoas, que não eram rock-stars da internet, mas mesmo assim com algo legal a dizer e – mais importante – coisas legais para mostrar. Essa era uma época que o Alan Cox participava do orkut (se você não sabe quem é: ele foi por muito tempo uma das maiores referências do desenvolvimento do kernel do linux, sendo o responsável pela versão 2.2) e escrevia nos fóruns, tinha mensagens sobre os eventos do qual participava, et cetera.
Era possível entrar em uma comunidade sobre, sei lá, arquitetura MIPS e ver que tinha gente que trabalha e vive de desenvolvimento em sistemas para essa arquitetura. Era possível buscar referências diretamente com os responsáveis por uma atividade. Por exemplo: você sabia que o MIPS é base dos SoC de boa parte das impressoras, scanners e set-top boxes de televisão?
E não era só isso: tinha gente com perfis simples, mas que apareciam e participavam de comunidades sobre Filosofia, Economia, Gastronomia, discussões sobre tipos de perfil psicológico usando o critério Meyer-Briggs, tudo, tudo, tudo. Até mesmo planilhas de treinos de natação eu obtive no orkut, conversando com um cara do Canadá que estava se preparando para competições do mesmo nível (café-com-leite, e cloro) que eu participava. Toda sorte de assuntos e de idéias era discutida por pessoas interessadas e interessantes. E o melhor: as pessoas participavam porque elas também aprendiam. Havia muita gente interessante para ser conhecida. A tal da “sabedoria das multidões” funcionava.
Mesmo que – para você – esse tipo de informação seja tão importante quanto saber a escalação completa do time de críquete da Lituânia nos jogos universitários mundiais de 1987, ficava inegável a afirmação que o valor de uma rede social está intrisicamente ligado ao valor dos melhores usuários.
Era uma sociedade composta por elementos de boa estirpe. Havia respeito mútuo. O conhecimento se difundia. Até que aconteceu o que costuma acontecer com coisas boas e acessíveis: o orkut caiu no gosto do povo brasileiro. Nem preciso contar a piada, na qual Deus precisava arrumar alguma coisa ruim para o Brasil para compensar uma região tão rica de recursos naturais e livre de catástrofes, para explicar o que significa o problema que foi essa invasão tupiniquim.
Tomados por uma vaidade adolescente, alguns começaram a criar comunidades do tipo “Vamos fazer do Brasil o país com mais gente no Orkut”. Adicionavam qualquer pessoa que conheciam, na esperança de fazer amigos. Ficaram num pissing contest, perdendo toda oportunidade de entrar em contato com pessoas que de esferas diferentes (geográficas, sociais, intelectuais), para transformar o site na versão virtual de um bairro de periferia. Invadiram comunidades onde a discussão era em inglês com tópicos num (mal-escrito) português, usando o banal argumento do “Brazil rlz. C tem brasileru aki, eu vo fala em portugueis”. Achavam que estavam dando uma banana para os americanos-porcos-imperialistas-que-queriam-impor-a-sua-língua-ao-resto-do-mundo, mas estavam na verdade atrapalhando a vida do indiano (que tem inglês como segunda língua), do Mexicano, do Argelino, do Alemão, do Paquistanês… e por aí vai.
O problema inerente a toda massificação de um produto ou um serviço não está na massificação, per se. O problema se destaca quando o uso indiscriminado das “unwashed masses” acaba destruindo o valor que é criado pelos “bons cidadãos”. Se as pessoas que abusassem do sistema pudessem ser ignoradas (como hoje 99,99% dos spammers são ignorados pelo usuário comum do sistema de e-mail), não haveria problemas para os “antigos”. Entretanto, quando o bom cidadão se vê entre a opção de a) tentar educar os ignorantes, b) revidar e lutar pela ordem que antes existia no espaço ou c) fazer a sua malinha e cair fora, é óbvio que o caminho tomado será o do “os incomodados que se retirem”.
E eles se retiram. E procuram um novo lugar para chamar de seu. E o novo lugar chama atenção porque (de novo) tem gente de valor. E as massas correm atrás “desse novo lugar que tá virando uma nova febre”. E todo o jogo recomeça. “É o círculo da vida”, apresentado pelo Cid Moreira, veja mais nesse domingo, no Fantástico.
Um outro problema colateral de todo esse movimento é causado pelos discípulos de Gérson, que enxergam uma vantagem burra e participam ativamente desse movimento de deterioração de um serviço de qualidade. Na tentativa de ganhar dinheiro fácil (“AdSense! Monetização! Clickthrough! SEO!”), sempre tem uma meia dúzia de tontos que entram num jogo de popularidade para tentar faturar algo que não passa de, salvo raras exceções, meros trocados. Pessoas gastam horas e horas na frente do computador em troca de dinheiro de pinga, e nem percebem que estão sendo usadas num processo que faz uma transferência inútil de riquezas de ponto-da-moda-A para ponto-da-moda-B.
Ficar falando em “técnicas para maximizar os cliques no AdSense” ou em “como invadir o Digg direito” é o equivalente da blogosfera de garotinhas de escola que disputam quem vai ficar com o playboy da turma: não é difícil (pra quem se dispõe a sujeitar a se abaixar e mostrar os peitinhos, se tornando a vagabunda fácil), não é algo único e exclusivo (ou você acha que o pessoal do Digg vai manter o seu link online por mais do que poucas horas?) e dois dias depois que você fizer, você vai estar arrependido e com a reputação queimada diante dos seus pares. Andy Warhol falava que todos teriam seus 15 minutos de fama, mas pouco foi dito foi sobre o que vinha depois da festinha.
Como diria o Goyaba:
Não entendi isso de alguns blogueiros ficarem putinhos com a campanha do “Estadão” que compara a nossa, ahn, “espécie” a macacos. Sou macaco velho, com quase seis anos de blogagem, e acho que eles estão certos. Por que não estariam? Blogue é – essencialmente e em diferentes graus de elaboração – punhetagem, descrição de atividades como “hoje comi banana” e, às vezes, jogar cocô nos visitantes, o que é sempre divertido. (…)“Ah, mas não é bem assim! Tem muita gente séria vivendo de blog!”. Tem. Ô se tem. Antes que o leitor se sinta atingido e pretenda disparar na caixa de comentário alguma lista de “pessoas influentes que ganham dinheiro com negócios na Internet”, pergunte-se: o que veio antes para eles? O público ou a “monetização”? Antes de pensar em AdSense ou propaganda, eles se preocuparam em oferecer um produto de qualidade para os seus consumidores.
Só depois que eles se tornaram uma referência em algum assunto específico (empresas de internet, design gráfico, jornalismo independente, fofocas sobre celebridades) veio o momento de poder capitalizar (merecidamente) o material que foi produzido. E “capitalizar” (termo muito melhor do que “monetização”) é algo que não se traduz diretamente por “banner de propaganda”. Capitalizar o material do blog pode ser feito com outras coisas: escrever um livro para um público cativo de seus textos, construir branding de empresas através do seu blog, tornar-se garoto-propaganda da sua empresa e inspiração para profissionais do ramo.
O difícil disso tudo é que tornar-se uma referência em algum assunto não é algo que acontece do dia para a noite. O moleque que só quer ganhar uns trocados (Pô, a grana é pra eu poder ir na balada) acha que sua atitude é inofensiva e não acha que está causando algum mal. Está, sim.
Quem age assim mata a galinha que ainda bota os ovos. Está causando mal a si próprio, perdendo tempo precioso que ele poderia usar trabalhando em algo mais interessante e aprendendo coisas realmente úteis. Está causando mal aos outros, aos “bons cidadãos”, ao praticar algo que pode trazer benefício no curto prazo às custas de um trabalho de longo prazo. Não acredita em mim? Veja por aí se não tem moleque fazendo troca-troca no AdSense? “Clica no meu que eu clico no seu”. Qual é o benefício disso? Dois moleques ganham dinheiro de pinga, e o Google reage mudando o sistema de cobrança. Pior ainda: os anunciantes do AdSense perdem a credibilidade no sistema e deixam de anunciar, prejudicando todos no processo.
Quando o Miguel começou a me pentelhar para escrever aqui, eu fiquei reticente: não iria escrever tanto sobre técnicas e dicas de tecnologia, e ele já faz isso com muita competência, então onde eu estaria adicionando alguma coisa útil a ser dita? Levei tempo para achar um caminho, até ter uma resposta mais ou menos satisfatória: vou escrever com uma idéia tão única quanto arrogante: eu quero escrever para redefinir a visão do trabalho do computeiro, engenheiro de software ou qualquer título que vá no seu hollerith. Aqui, meu trabalho vai ser redefinir o seu trabalho, aí.
Queremos aumentar o público? Claro que queremos. Queremos saber que tem gente que lê o que escrevemos? Claro que sim, ou nem me incomodaria de escrever num blog e teria um “querido diário”. Mas qualquer um que preza o seu trabalho jamais vai pautar o seu blog em cima de popularidade. Qualidade acima de quantidade. Isso é válido para qualquer coisa que fazemos com gosto e queremos sucesso: desenvolvimento de software, design, arte, literatura, namoros… até para a nossa audiência.
Concordo plenamente. Em relação ao blogs, parece que a ferramenta virou um fim (para ganhar dinheiro) e não um meio eficiente e descentralizado para que cada um possa publicar suas idéias e criar um público. O problema não é o dinheiro, o problema é a falta de conteúdo. Em relação ao Orkut, me veio à cabeça um fato bem representativo do problema do “vamos ser populares e invadir o orkut”. Como o Raphael bem disse, no começo o Orkut er aum lugar para se trocar idéias e reencontrar/conhecer pessoas. Eu entrei no final de 2003, e estive entre os primeiros lotes de brasileiros. COnvidei um colega nosso que por algum motivo muito rapidamente se tornou o maior conector de pessoas do orkut (naquela época, o sistema disponibilizava informalções deste tipo: maior conector, mais popular, mais cheio de amigos). No dia seguinte à divulgação desta notícia, o número de pedidos de “amizade” vindos de desconhecidos explodiu….
Link | August 30th, 2007 at 10:03
Hehe, eu lembro quando ele virou o maior conector
Mas o problema comecou na verdade antes mesmo da invasao brasileira. Logo no comeco, quando tinha essa pagina do mais popular, tinham uns trolls tentando sacanear (criavam varios logins pra votar neles mesmos), e nao eram em sua maioria brasileiros.
Quanto a fuga de cerebros, eu tenho a impressao que muitas dessas pessoas, pelo menos na area de tecnologia, mudaram pro facebook, que na verdade comecou com um roubo, mas que hoje eh uma das redes sociais mais usadas na “north america”, como eles falam por aqui.
E como eu falei pro Miguel, o que me faz ler esse blog nao eh necessariamente a parte de tecnologia (claro que as dicas do miguel sao uteis), mas principalmente esse tipo de post.
[]s
Link | August 30th, 2007 at 10:42
Se consegui entender, concordo que o mau uso provoca o descrédito e a fuga, mas acredito que todo sistema tenha que ter um controle de qualidade, não só do próprio sistema e ambiente, mas principalmente impedindo que alguns invariavelmente apenas o infectem.
Quanto a questão do BLOG, tenho a impressão de que é grande oportunidade de exercermos nossa liberdade da forma mais ampla possível, e por isso, tem “um quê” de bagunça generalizada. A internet intrinsicamente é um sistema anárquico, isto é, tem de tudo e mais um pouco, porem, assim como na Sociedade que vivemos, nos aproximamos de semelhantes ou afins, portanto, não importa quantos BLOGs sérios ou nada sérios existam, voce com certeza, procurará acessar aquele com o qual tem identificação ou te provoca maior curiosidade investigativa, cultural…
Temos que ter em mente que o BLOG é um instrumento poderoso de manipulação de idéias, conceitos e pré-conceitos, talvez por isso, continue achando que o cerne da questão esta no objetivo do BLOG e na maneira que este avalia as participações, isto é, se for um BLOG com objetivo manipulador, somente terão espaço aqueles que comungam da mesma idéia ou que possam a vir a ser partidários. Aí esta, de fato, o maior perigo do BLOG, e isto não tem relação com o fato de ser ou não profissional, pois, o objetivo manipulador pode estar sendo remunerado ou ser consequencia de um ideal pessoal. Um exemplo gritante são os BLOGs formalmente associados à mídia, que procuram fomentar conceitos e pré-conceitos, veiculados na mídia, entre seus habituais frequentadores.
Link | August 30th, 2007 at 12:15
Tenho falado com algumas pessoas sobre em um próximo evento para blogs, no modelo do Blogcamp que aconteceu esse final de semana, permitir qualquer assunto relacionado a blog, exceto monetização.
Talvez dessa formas blogueiros se reúnam para discutir como melhor seu conteúdo, captar audiência, usar blogs para fins diversos e a gente conquiste um nível superior de maturidade.
Link | August 30th, 2007 at 12:40
Muito bom o texto e concordo, plenamente com a posição do autor.
Não sou um amante do orkut e desde que soube de sua existência continuo achando algo supérfluo e com um propósito morto na praia. Infelizmente acabei caindo em suas garras, entrei para ver como era e acreditei que poderia mesmo ter contato com várias pessoas, rever antigos amigos, debater assuntos afins e por aí vai. Ao contrário disso descobri apenas uma malha enorme de nada, pessoas contatam um número enorme de outras pessoas para dizer: “Oi, blz migo?”, “Passei aqui para te deixar um recado.”, “Aeee me add aeee.”, “Entra pra comu do caras que usam cuecas vermelhas” ou então deixar recados para pessoas do seu dia-a-dia sem necessidade e por fim, se não manter um estreitamento de relações ficará esquecido dentro do próprio orkut. Hoje tenho apenas pessoas que realmente me interessam e poucas comunidades com assuntos relevantes, o restante deletei.
Quanto aos blogs acredito que a febre irá passar e sobrarão apenas aqueles realmente de conteúdo, o restante será mesmo “Meu Diário”, separado em um universo paralelo da blogosfera. Sou blogueiro recente e o meu conceito a respeito dos blogs é de, uma nova forma de literatura alternativa, “marginal”, sem compromisso com os grandes jornais e grandes redes de notícias. Posso expor meus pensamentos, expressar minhas idéias, publicar meu livro sem editora, fazer minha revista ou suplemento agregando fotos, videos, músicas e o que mais houver (meu fanzine virtual). Sempre tive vontade de publicar meus textos, vejo nos blogs essa possibilidade. E através deles noto que aos poucos tenho aprimorado bastante a arte da escrita. Falta muito, mas já é um começo.
Gostaria de participar desses eventos para blogueiros. Possuo algumas idéias, gostaria de discutí-las.
Link | August 30th, 2007 at 14:18
Alguma vez falei que não precisa de conteúdo? wrote:
[...] isso e isso (aliais, que pinga cara é essa?), que me deixaram com a dúvida do [...]
Link | August 30th, 2007 at 14:47
O fim do Orkut coincidiu com o lançamento da versão em português
Link | August 30th, 2007 at 15:09
Coitado do ‘português’…
O Orkut acabou quando se juntou ao Google. Ficou muito mais fácil juntar-se através do Gmail. Quando entrei, ainda pela era do convite, tinha pouco mais de 1 milhão e 200 mil usuários…
Daí vieram também os vírus, os spams, as propagandas…
Link | August 30th, 2007 at 15:44
As coisas mudam, um blog pode ser um meio igual a qualquer outro para ganhar dinheiro. Conteúdo é tudo, e aí discordo que um assunto seja mais nobre do que outro, escrevo sobre programas de afiliados, SEO e outros assuntos relacionados e vou muito bem obrigado. A questão é como se escreve.
Dá para viver de um blog? Ainda não, mas vivo de internet, com outros sites capitalizados e o blog já reponde por 30% dos meus ganhos.
Dificilmente ganharia em um emprego regular o que ganho trabalhando em casa. E olha que tenho nível superior e abandonei o mercado formal depois de mais de 10 anos de trabalho.
Mas é difícil, concordo que poucos conseguem, falta preparo, foco e estratégia.
Link | August 30th, 2007 at 16:19
Noronha, tá certo que é difíil falar que tem um assunto “mais nobre” que o outro. O que tá me incomodando é justamente que o “pessoal” SÓ quer falar de “programas de afiliados, SEO e formas de se ganhar dinheiro com blogs”.
Aí, o que acontece? Acontece que todo mundo fica entupindo os meios de agregação (os rec6 e congêneres) com blogs do tipo “como ganhar dinheiro com blogs”.
Caminhe um pouco na linha do tempo, imaginando um futuro onde boa parte da população conheça blogs, saiba que é possível ganhar dinheiro com acessos, etc, etc. O que vai acontecer? Vai acontecer a mesma massificação burra de um canal de distribuição. Todo mundo vai se preocupar mais com a parte do “ganhar dinheiro” do que com a parte do “produzir conteúdo”.
E aí, meu caro, quem é que vai querer entrar num site como o rec6 se for só pra aturar material do mesmo tipo “saiba como aumentar seu faturamento”? Ninguém, exceto os que estão participando dessa masturbação coletiva chamada “monetização de blogs”.
Link | August 30th, 2007 at 16:32
Gostaria de dar os parabéns ao Raphael Lullis pelo excelente texto. Você simplesmente conseguiu colocar em palavras a minha (e tenho certeza que de muitos outros) perplexidade com relação ao que está acontecendo com a internet brasileira. E como vi escrito em algum outro lugar: “Maldita inclusão digital!”
[]s
Link | August 30th, 2007 at 23:25
Oi! Cheguei aqui pelo Ueba e pelo título da postagem, que de certa forma, estou envolvido. Sobre a postagem em si, seu inteiro teor e comentários, eu vejo tudo isso como um processo. Não dá para raciocinar sobre comportamentos de internet como algo finalizado, definitivo. Como o Rafael citou, hoje 99% dos spammer são ignorados. Mas em outra época, 99% faziam sucesso com suas artimanhas. Eles se aprimoram, mas jamais terão um grau de sucesso como outrora. Da mesma forma, os usuários de internet de uma forma geral, a visão, os sistemas… tudo vai se aprimorando. Vão se acabando as ilusões e ficando por aqui, quem realmente tem algo a dizer. Demora ainda? Penso que sim pois tudo é ligado a Educação, que em nosso país, infelizmente, ainda carece de qualidade.
Link | August 31st, 2007 at 01:19
Sérgio, concordo contigo em relação ao processo, a dinâmica da coisa, etc, etc. E também não acho que vai acabar. Não creio que vai ter um ponto final. Sempre teremos pessoas que estão mais preocupadas em popularidade do que qualidade.
Mas o que me deixa estupefato é que, nos outros países, primeiro há o movimento de popularização de um serviço, DEPOIS vem o movimento de dumbing-down. Aqui, não. Aqui há um único movimento: “vamos copiar as fórmulas que fizeram sucesso nos EUA e tentar faturar algum em cima”.
Olha, se o rec6 tivesse sido tomado por blogueiros dispersos colocando textos que fossem ruins mas que fossem ligados ao interesse deles, ou se as pessoas colocassem links para notícias dos grandes portais, piadas, sei lá, qualquer coisa, eu não teria escrito esse post.
O que é estúpido é ver um monte de gente gritando “Blogs são um meio de canal eficiente e você pode ganhar dinheiro com isso!” para um coro fechado. E fazer campanhas para tentar colocar no Digg é a MESMA coisa que a campanha “vamos invadir o orkut”. É sem sentido, EXCETO para aqueles que preferem inflar seu número de acessos a desenvolver um site de qualidade. No caso do orkut, as pessoas faziam isso por uma vaidade idiota. Nos agregadores de conteúdo, fazem para tentar ganhar dinheiro.
Então, fica aqui uma sugestão. Ao invés de ficar falando no Digg, construa uma comunidade que visitem sites agregadores de conteúdo e coloquem conteúdo BOM e DOS OUTROS. Há bons bloggers por aí. Ajude os “mal-educados” a ver que existe mais coisa além do UOL, Terra e Globo. Depois que o público passar a ver que há valor em sites “Digg-like”, aí passem a escrever para essa audiência que já está lá. É fácil? Não. Demora? Demora. Mas ao menos seria a proposta mais correta e mais comunitária.
Link | August 31st, 2007 at 03:18
Você tem toda razão! Participo de uma comunidade do Adsense na Orkut e não passa um dia sem que entre um “esperto” pedindo dicas de como burlar os sistemas do Google. Estão atirando sem dó na “galinha”, ela é forte, muito mais esperta do que a gente imagina, mas a qualquer momento ela pode ficar cansada e resolver que está na hora de parar de brincar… e quando ela pára, até quem é sério dança!
Link | August 31st, 2007 at 09:23
Raphael!
O inteiro teor desse seu último comentário é novidade para muitos mesmo. Acho até, que ele chega a competir com a postagem principal em qualidade de esclarecimentos para um grande público. O que aconteceu? Simples. Na postagem principal, além das informações que você pretendia dar, veio também uma enorme carga emocional. Nada mais natural isso. É de nós, latinos. Só não entendo, como não conseguem enxergar o que tem de produtivo na postagem do Alessandro, ninguém entendeu ainda que já se dissipou a carga emocional, que ficou apenas uma idéia para ser trabalhada. Nem é Digg mais, nem se fala mais isso. Discute-se comportamentos. Estamos mesmo fadados a ser colonizados culturalmente? Só sabemos copiar fórmulas? Tenho escrito variados artigos a título de experimentos e, realmente, aqueles que mais atraem visitas são do tipo “fórmula do sucesso”. Aqueles que buscam imputar algum valor cultural agregado (e não um valor “meu”, mas universalmente aceito, como o incentivo ao hábito da leitura…),é olimpicamente ignorado. Eu não entro numa discussão apenas para fazer prevalecer meu ponto de vista. Não, se não tiver propostas. Não vejo sentido nisso. Só vejo postagens do tipo “essa é a doença”. Ou “não tomem desse remédio”. Ou “sou o doutor fodão e só tome de meu remédio”.
Link | August 31st, 2007 at 14:29
Pensar Enlouquece, Pense Nisso. wrote:
O mês dos blogs
Hoje é celebrado o Dia do Blog. Excelente pretexto para fazer um balanço deste mês de agosto, possivelmente o mais agitado de toda a história da ainda incipiente blogosfera brasileira. Encontro de blogueiros e leitores no Rio, rankings e o mapa do Dahm…
Link | August 31st, 2007 at 20:57
links for 2007-09-01 wrote:
[...] Quando esse pessoal vai aprender? « Log4Dev omados por uma vaidade adolescente, alguns começaram a criar comunidades do tipo “Vamos fazer do Brasil o país com mais gente no Orkut”. Adicionavam qualquer pessoa que conheciam, na esperança de fazer amigos. Ficaram num pissing contest, perdendo (tags: orkut internet rentabilidade) [...]
Link | September 1st, 2007 at 10:20
O unico post do painel do wordpress que vale a pena ser lido. E um dos mais valiosos que ja li me lembra um post do Jeff Atwood, do Coding Horror (http://www.codinghorror.com), que fala (e faz auto-crítica) sobre o valor das ideias de um blog. “uma boa prática é pensar duas vezes antes de postar. Pense se o artigo postado acrescenta uma nova ideia ou apenas regurgita o que o technorati diz”
Ja passei por todas as fases de bloggin descrita ai, sai e voltei do orkut por conta disso também. Agora me preocupo de ter um blog funcional. Descrevo as etapas de desenvolvimento de jogos , bem como problemas que os iniciantes podem acabar encontrando, enquanto falo do meu jogo (e não to preocupado com $$, até porque o jogo é open source)
[]s
Link | September 1st, 2007 at 16:23
Que bom seria se todos os adolescentes (ilegais) do orkut lessem este riquíssimo post. Talvez a manutenção de redes sociais de alta qualidade careça de especificidade. Ou seja, um punheteiro de 13 ou 57 anos de idade que, além disso, encaixa-se nas atividades desastrosas que você aponta neste texto, jamais entraria em uma rede como slashdot, netscape ou algo nomeado “Fótums: compartilhe suas fótos de elétrons e outras bizarrices quânticas” (espero ter exagerado bastante aqui), porque está alienadamente interessado nos modismos, efemeridades, scraps, carinhas engraçadas para enfeitar menssagens e nas “batalhas amorosas” de outros e outras de sua espécie, como aquelas promovidas no myyearbook. Entretanto, humor, comunicação, encontrar parentes distantes são atributos impagáveis do orkut. Em suma: orkut para efemeridades (com todo o direito) comunidades específicas para fogo grego (gente séria que quer trabalhar , estudar, melhorar o mundo e ganhar muito, muito dinheiro) (com todo o direito).
Link | September 2nd, 2007 at 01:49
PC 2.0 « Log4Dev wrote:
[...] por Raphael Lullis ligado Novembro 6th, 2007 Enquanto boa parte da molecada por aí que ainda não aprendeu a pensar por conta própria ficou triste com o anúncio da Google que encerrava as especulações sobre o gPhone, ficando sem [...]
Link | November 6th, 2007 at 04:17